Hiroshi Bogéa On line

Em dez anos, caem desigualdade no país

 

 

O Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras, divulgado nesta terça-feira (25), mostra que os avanços mais significativos nas cidades pesquisadas foi no fator educação. Em 2000, a diferença entre os números do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) das regiões metropolitanas, com os melhores e piores desempenhos para a educação, era 43%, e em 2010 o índice caiu para 15,9%.

O IDHM varia de 0 a 1: quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano de um estado, município ou região metropolitana. Para calcular o índice geral das cidades, três fatores são analisados: a expectativa de vida, renda per capita e o acesso ao conhecimento.

Apesar da queda nas disparidades entre as regiões metropolitanas, a educação foi a área que apresentou maior diferença, com melhor e pior performance. Em 2010, o melhor IDHM foi o da região da Grande São Luís (0,737) e o menor foi o de Manaus (0,636). Para medir o índice de acesso ao conhecimento, o estudo considera a escolaridade da população adulta, medida pelo percentual de pessoas com 18 anos ou mais de idade, com ensino fundamental completo e a média de crianças na escola.

Segundo o estudo, a renda da população teve crescimento expressivo entre 2000 e 2010, mas o aumento foi maior em regiões metropolitanas que apresentavam nível de renda per capita menor. É o caso das regiões metropolitanas de São Luís, que teve um crescimento de renda de 58,3%, Manaus (48,7%) e Natal (44,9%).

A diferença entre a maior e a menor renda domiciliar per capita aumentou em termos nominais entre 2000 e 2010, mas em termos relativos foi ligeiramente menor. Em 2010, a maior renda foi encontrada no Distrito Federal (R$ 1.362,52) e a menor foi em Fortaleza (R$ 688,72). O padrão de vida das regiões metropolitanas é medido pela renda per capita, ou seja, a renda média dos residentes daquela localidade, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação ao aspecto da longevidade, todas as regiões metropolitanas analisadas apresentaram IDHM na faixa de muito alto desenvolvimento humano. Em 2000, a esperança de vida ao nascer mostrava diferença de 4,82 anos, que foi reduzida para 2,9 anos em 2010. A longevidade é medida pela expectativa de vida ao nascer, calculada a partir de dados dos censos demográficos do IBGE.

O Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras é fruto de parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro.

A diferença entre São Paulo e Manaus, respectivamente o maior e o menor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) entre 16 regiões metropolitanas do país, diminuiu de 22,1% para 10,3% entre 2000 e 2010. O IDHM é um índice composto por três das mais importantes áreas do desenvolvimento humano: vida longa e saudável (longevidade), acesso ao conhecimento (educação) e padrão de vida (renda).

O Atlas do Desenvolvimento Humano nas Regiões Metropolitanas Brasileiras foi divulgado nesta terça-feira (25). Ele foi produzido pelo Programa das Nações Unidas pelo Desenvolvimento (Pnud), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pela Fundação João Pinheiro.

O IDHM vai de 0 a 1: quanto mais próximo de zero, pior o desenvolvimento humano, quanto mais próximo de um, melhor.

O quadro total
Como em 2000, Manaus obteve o pior índice e São Paulo, o melhor. Mas a disparidade entre as duas regiões metropolitanas foi reduzida. Em uma década, a região paulista cresceu 11,2% e chegou ao IDHM de 0,794. Manaus teve o maior crescimento do país no período, 23% – foi do índice 0,585, classificado como “baixo”, para 0,720, faixa “alta”.

As outras 14 regiões metropolitanas analisadas no atlas tinham pontuação entre 0,6 e 0,699 em 2000, considerada “média”. Em 2010, todas as capitais cresceram e passaram a ter índice entre 0,7 e 0,799, classificada como “alta”. Em 2000, Manaus estava abaixo da primeira faixa (0,585) e São Paulo, acima (0,714).

Das 16 regiões metropolitanas analisadas pelos pesquisadores, nove mantiveram a posição inicial. Curitiba, que estava em 2º lugar em 2000, foi para 3º, ultrapassada por Brasília (Região Integrada de Desenvolvimento do DF). A capital federal e municípios ao redor ocupavam o 6º lugar uma década antes e cresceram 16,4%. Já Belo Horizonte caiu de 3º para 4º. O Rio de Janeiro, que estava em 4º, foi para o 6º lugar. Porto Alegre, que ocupava a 5ª posição, desceu para a 9ª.

Atualmente, Manaus, que tem o menor IDHM, tem índice 3,15% maior do que tinha Curitiba em 2000, quando a capital paranaense ocupava a 2ª melhor posição no ranking.

Longevidade
De acordo com o levantamento, a expectativa de vida ao nascer varia, em média, 12 anos dentro das regiões metropolitanas. O melhor índice corresponde a 82 anos. A menor expectativa foi de 67 anos.

A longevidade é medida pela expectativa de vida ao nascer e é calculada por método indireto a partir de dados do IBGE. Esse indicador revela a idade média que uma pessoa nascida em determinado lugar viveria a partir do nascimento, nos mesmos padrões de mortalidade.Veja ao lado os índices de destaque nessa área.

Renda
Na análise dentro de cada região, a desigualdade de renda per capita média mensal nas principais capitais do país continua grande. A diferença salarial entre os segmentos mais abastados e os mais carentes em uma mesma região metropolitana chega a 39 vezes dentro de São Paulo e 47 vezes na região metropolitana de Manaus.

De acordo com o atlas, a renda per capita mais alta de Manaus é de R$ 7.893,75, enquanto a menor é de R$ 169,1.

Em São Paulo, o maior valor chega a R$ 13.802, o maior do país, ao passo que o menor é 37 vezes inferior – R$ 351,85.

Embora São Paulo tenha a maior renda média mensal, Brasília ocupa o primeiro lugar no IDHM em padrão de vida porque o índice é medido pela soma da renda média de todos os moradores. O valor total é dividido pelo número de habitantes da localidade, incluindo os sem registro de renda.

Educação
Nas unidades com melhor desempenho entre as 16 regiões metropolitanas, o percentual de pessoas de 18 anos ou mais de idade com ensino fundamental completo varia de 91% a 96%. Nas de pior desempenho, a variação fica entre 21% e 37%.

Para o pesquisador Olinto Nogueira, da Fundação João Pinheiro, o índice na região metropolitana de São Luís, que registrou médias baixas em longevidade e renda, foi alto em educação porque a área analisada abrange um espaço pequeno, sem os municípios do entorno. O contrário acontece em Porto Alegre.

“Como região metropolitana, São Luís é muito pequena. Às vezes o que está ruim é o entorno da região, não a capital”, afirmou. “Como lá é uma ilha, um espaço pequeno, às vezes quem mora ali são os mais privilegiados. Em Porto Alegre não, a região metropolitana é enorme, por isso conseguimos pegar tudo, o que leva a média para baixo.”

Regiões metropolitanas analisadas: Belém, Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Brasília (Distrito Federal), Fortaleza, Goiânia, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória.

O atlas foi produzido com base no Censo Demográfico do IBGE de 2010 e apresenta mais de 200 indicadores de desenvolvimento humano, como renda, longevidade, educação, demografia, trabalho, habitação e vulnerabilidade em 5.565 municípios brasileiros.

 

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