Eleição no Pará: não há chifre em cabeça de mosca

Publicado em 3 de novembro de 2014

 

Quem perde eleição, não tem jeito, dia seguinte procura encontrar chifres em cabeça de mosca.

Até a ressaca da surra acabar, criam mirabolantes “teses” –  e explicações totalmente desvinculadas da realidade.

Como o direito ao estribucho é sagrado, até aí a grita é aceitável.

Res modo formosae foris, intus erunt maculosae, ou saindo do latim para o português bem claro-, “cruz nos peitos, e o diabo nos feitos.”

Na edição de domingo, o Diário do Pará publicou entrevista com o economista  Roberto Ribeiro Corrêa, buscando explicações alegóricas à vitória de Simão Jatene.

Ou à derrota de Helder Barbalho, por quase 140 mil votos de diferença.

Lá pelas tantas, o moço saiu-se com esta preciosidade, ao garantir que “a pesquisa que projetou o candidato Helder Barbalho como vitorioso já no primeiro turno ao governo do Estado estava correta”, na narrativa do jornal.

–  “A reversão de expectativa  no segundo turno pode ter ocorrido após o uso de alguns mecanismos que seriam impossíveis de serem detectados em qualquer pesquisa”, disse Roberto.

O economista não se pauta em fatos concretos para se sair bem em sua difícil  missão de “inexplicar”  o explicável –  como a “chamada no saco” dada nos prefeitos aliados da candidatura tucana, em reuniões ocorridas em Belém, logo depois do 5 de outubro, para que fossem às ruas lutar pela candidatura,  lutando para diminuir diferenças pró Helder, no primeiro turno, como de fato ocorreu em muitas cidades, principalmente em municípios do Sul/Sudeste/Oeste do Estado.

E a presença quase que centralizada  de Simão Jatene na Região Metropolitana, buscando aumentar a  diferença  que conquistara no primeiro turno.

O próprio debate na TV Liberal pode ter influenciado  indecisos, considerando a performance segura do candidato vencedor.

Para exemplificar como estava o  humor do eleitor, no segundo turno,  nos cinco maiores colégios eleitorais do Pará: Belém, Ananindeua, Santarém, Marabá, e Parauapebas.

Nos municípios onde Helder ganhou no primeiro e segundo turnos

Santarém

Aqui, no primeiro turno, Helder teve  95.929 votos. Jatene, 41.260

No segundo turno: Helder, 91.122; Jatene,     50.157

De um turno para o outro, Jatene tirou 13.703 de diferença.

Marabá

Neste município, no primeiro turno Helder venceu por  67.129   a  30.027.

No segundo turno, a diferença caiu quase 15 mil votos: Helder, 55.722  a 33.558 .

Parauapebas

No Pebas, também caiu a diferença em 6.160 votos.

 

Nos municípios onde Jatene  ganhou no primeiro e segundo turnos

Belém

Na capital, a diferença de votos pro Jatene, entre um turno e outro,  subiu para 77.100 votos

No primeiro, o governador obteve 404.691 votos  (57%) a 279.222  (39%);

Na segunda etapa,  Jatene  475.408 (64%)  a 272.839  (36%)

Ananindeua

Primeiro turno:     Jatene  118.664  a 82.087

Segundo:  Jatene =  154.958 a 81.404   154.958 .

Na soma de diferença a mais pro Jatene,  73.554