Educação é educação. Futebol é futebol.

Publicado em 24 de outubro de 2013

 

 

Publicitário Glauco Lima fazendo reflexão a respeito de  uma pesquisa feita pelo Ibope auferindo a opinião do brasileiro  sobre Educação e Futebol.

Glauco dá show de bola, e aniquila  os  propósitos da bizarra pesquisa:

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Ouço no rádio que o Ibope fez uma pesquisa com um tema mais ou menos nesta linha: como seria o Brasil se o brasileiro gostasse de educação como gosta de futebol?

Custo a acreditar que alguém esteja mesmo fazendo um trabalho tão imbecil e com tão acentuado espírito de vira-lata com esse.

Alguns dos países com maior desenvolvimento humano do planeta, como a Inglaterra, são muito mais fanáticos por futebol do que o Brasil e nem por isso deixam de ser evoluídos e desenvolvidos.

A Itália, a Espanha e vários outros países são malucos por futebol e nem por isso deixam de ser bons em educação, cultura, tecnologia e ciências. Até mesmo aqui na América Latina, onde os argentinos são bem mais loucos por futebol e seus ídolos ( Maradona tem até Igreja para cultuá-lo), o país de Messi tem um progresso humano bem melhor que o país de Neymar.

Isso sem falar no Chile, um país com alta qualidade de vida e fascinado enlouquecidamente por futebol. Gostar de futebol não exclui gostar de estudar, de participar da política ou combater a corrupção.

Acho que o futebol é até didático em vários aspectos da ética, basta ver quem nenhum torcedor brasileiro gosta quando seu Clube escapa do rebaixamento por meios e recursos fora do gramado.

Até o Pós-graduado na Universidade de Harvard e professor da Universidade Notre Dame, e Indiana (EUA), Roberto Da Matta, colunista dos jornais “O Estado de S.Paulo” e “O Globo” e autor do livro “Fé em Deus e Pé na Tábua”, já disse que o nosso desafio é gostar de política como gostamos de futebol.

Embora eu seja quase um analfabeto perto de um homem desse, discordo frontalmente. O gosto pelo futebol é louco, apaixonado, quase insano. É algo recreativo, uma fuga dos problemas do cotidiano, é a mais importante das coisas sem importância.

O gosto pela educação e pela política é diferente, é um gosto responsável, comprometido com bom senso, conhecimento, cidadania, respeito pelas divergências e interesses inconciliáveis.

Gostar de futebol ou de qualquer outro esporte não impede nação alguma de avançar na redução das desigualdades, na desconcentração de renda ou melhoria dos níveis de oportunidades iguais para todos. Muito pelo contrário, as lições do esporte jogam muito mais a favor do que contra o sonho feliz de Brasil!