Ecos do I Simpósio

Publicado em 15 de junho de 2007

No auditório da secretaria de Saúde, cerca de 800 pessoas assistem às palestras do I Simpósio Pró-Criação dos Estados do Tapajós e do Carajás, organizado pela Câmara Municipal de Marabá. O vice-governador Odair Correa já passou pelo recinto e se mandou antes do meio-dia, para cumprir agenda em outro município.

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Em seu discurso, Odair procurou se equilibrar em espaço limitado pelo cargo. Disse que ele e Ana Julia são obrigados a manter posturas de magistrados diante do movimento de redivisão territorial. “Como governantes, procuraremos implantar as agências de desenvolvimento regional em Marabá e Santarém, no entanto minha história mostra que estou na militância pela independência política do Oeste do Pará há 22 anos, porque quando se fala em soberania da Amazônia a questão perpassa pela emancipação de várias regiões”.
Correa declarou seu apoio integral à realização do plebiscito

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Muito aplaudida a leitura de ofício encaminhado pelo gabinete do senador Flexa Ribeiro (PSDB) declarando apoio ao plebiscito.Dirigindo os trabalhos, o presidente da Câmara Municipal, Miguelito Gomes (PP), depois da leitura do documento do parlamentar paraense, não deixou de registrar comentário:

– Isso é muito bom. Como o senador Flexa Ribeiro sempre se mostrou contra os Estados do Carajás e Tapajós, e garante votar agora favorável ao plebiscito, é muito bom, muito bom.

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Outro representante do time tucano, a deputada estadual Suleima Pegado não compareceu ao encontro, mas mandou ofício garantindo ser favorável ao plebiscito.

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Um dos pronunciamentos mais inflamados foi o do deputado estadual Parsifal Pontes (PMDB), encerrado com a seguinte expressão:

– O povo da região quer criar um Estado para chamar de seu. Além disso, desejamos um adjetivo gentílico porque queremos ser carajaenses.

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Representante do Oeste do Pará, mais precisamente dos municípios de Monte Alegre, Prainha e Almerim, o deputado Junior Hage defendeu com determinação a criação dos estados de Tapajós e Carajás. O isolamento de sua região através da ausência do governo estadual cada vez mais freqüente foi definida pelo parlamentar com a seguinte revelação:

– No Oeste a única estrada asfaltada que temos para transitar liga Santarém a um balneário. O resto é barro, buracos, poeira, lama e muito sofrimento.

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Ao tentar passar seu “comercial”, o deputado Miriquinha Batista (PT) não fez o comercial e nem saiu do muro. Ficou no chove-não-molha, valorizando abobrinhas. Estava bastante zen, naquela de não sou a favor nem contra, muito pelo contrário. Depois da fala, o mesmo silencio que o saudou quando foi chamado para discursar embalou a distancia que o separava do microfone à cadeira onde se encontrava. Nenhuma palma. Nenhuma manifestação. Recepção mais fria do que o conteúdo do discurso.

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A deputada Bernadete Caten (PT) foi incisiva: defende integralmente o Estado de Carajás, mas considera que não se avançará bulhufas em termos de conquistas sociais, mesmo com a criação dos novos estados, caso o modelo centralizador de investimentos seja mantido. “Ou se muda o modelo ou de nada adiantará a divisão territorial do país”.

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A partir das 14 horas, será aberto o painel de palestras. O blog está ligado.