É isso aí mesmo

Publicado em 10 de fevereiro de 2010

A posição do Brasil é muito clara quando o assunto é o programa de enriquecimento de urânio iraniano: o Itamaraty busca o acordo entre o país e a Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU. Apesar de os Estados Unidos e aliados defenderem sanções econômicas e diplomáticas à República Islâmica, especialistas não acreditam que a posição brasileira favorável ao Irã deva interferir nas relações do país com parceiros.
“O Brasil está exercendo uma autonomia importante”, disse o professor de relações internacionais da UnB (Universidade de Braília) Carlos Eduardo Vidigal. “A posição brasileira também defende o próprio interesse do país em desenvolver tecnologia nuclear”, completou.
O professor José Flávio Sombra Saraiva, também da UnB, lembra que a posição brasileira prima pelo equilíbrio e pela preferência pelo diálogo. “Com certeza essa decisão não vai prejudicar a imagem do país internacionalmente. O Brasil tem uma posição conciliadora consolidada e nem deve tomar lado em um ‘diálogo de surdos’ como este”, disse.
Saraiva também destacou que, além do Brasil, outros países apoiam o acordo e a soberania do Irã na pesquisa nuclear para fins pacíficos. “Argentina, México, Venezuela, China e Índia, por exemplo, também se manifestaram a favor. A posição brasileira não é isolada, portanto, o país não deve sofrer nenhum tipo de retaliação”, disse.
Para Vidigal, a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva só será afetada se o conflito se complicar e o país mantiver o apoio ao Irã. “Se a crise evoluir, aí sim Brasil teria sua imagem internacional danificada. Acho que se isso acontecer o governo provavelmente deve mudar seu posicionamento”, disse.
O governo brasileiro acredita que o Irã utilizará o urânio enriquecido para fins pacíficos. Nesta terça-feira (9), o ministro da Defesa, Nelson Jobim, explicou que o enriquecimento de urânio a 20% é necessário para a fabricação de fármacos e alimentos, enquanto o procedimento a 5% serve para a produção de energia elétrica, o que também é feito na Usina de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
Quando questionado se o Brasil deveria comprar a briga em favor do Irã, Jobim atestou a ideia de que o país também está defendendo interesses próprios: “Não sei se seria a favor do Irã ou a favor de nós”.
O ministro criticou o que chamou de “radicalizações” e destacou a posição do país. “O Brasil não é contra ninguém. Nós temos a tradição de resolver as coisas no diálogo”, ponderou.

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