Hiroshi Bogéa On line

Dirigentes de sindicatos enriquecem com desvio de dinheiro

A matéria a seguir  foi publicada ano passado, no programa Fantástico, da Rede Globo, mostrando o roubo de sindicalistas brasileiros à frente de suas entidades.

Um dos maiores escândalos, mostrou o programa, ocorria no Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, onde uma família permaneceu no poder por quase 50 anos.

E o enriquecimento ilícito dos malandros ocorre em todo o país, na maioria dos sindicatos.

Os caras usam os recursos recolhidos mensalmente de seus associados para compra de lanchas, construção de mansões, carrões e até fazendas, em sindicatos do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Recife e pelo brasilzão afora.

Quem quiser assistir ao programa, clica AQUI.

Leiam a matéria.

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Área de lazer usada pela família que controlou o sindicato por quase 50 anos
Área de lazer usada pela família que controlou o sindicato por quase 50 anos

 

Iate dos filhos e netos do presidente do sindicato
Iate dos filhos e netos do presidente do sindicato

A missão de um sindicato é lutar por benefícios para os trabalhadores. Certo? Mas em vários lugares do país, não é isso o que vem acontecendo. Esses sindicatos são controlados por dirigentes corruptos, e no fim, o dinheiro sai do bolso do trabalhador e vai direto para o bolso deles.

Mesmo que você não seja sindicalizado vai se indignar e muito com essa história, porque pessoas que agem como donos de sindicatos usam dinheiro do trabalhador para ganhar poder e fazer fortuna.

Rio de Janeiro. Sindicato dos Comerciários, mas pode chamar de casa dos Mata Roma. Este é o sobrenome da família que mandava por lá havia quase 50 anos. Mandava e desmandava.

“O diretor falou para ele: ‘Olha, se você fizer alguma coisa contra a gente, a gente incrimina você e não precisa nem de prova, prova a gente cria, porque a gente compra todo mundo”, diz uma pessoa que preferiu não se identificar.

“Não era funcionário, não era presidente, não era vice-presidente ou diretor. Eles eram o dono do sindicato”, conta um funcionário.

Luizant Mata Roma chegou ao sindicato como interventor, nomeado pela Ditadura Militar, em 1966. E não saiu mais. Foi presidente durante 40 anos. Só deixou o cargo quando morreu em 2006. Quem assumiu? O filho dele, Otton da Costa Mata Roma. A lista dos Mata Roma empregados no sindicato tem 15 parentes.

“A maioria dos parentes não trabalhava. Eles eram lotados todos nesse gabinete aqui. Mas você não os via no sindicato. Só os via em final do mês, época de pagamento”, revela o interventor José Carlos Nunes.

Carolinsk Mata Roma, a atual mulher do presidente, era a assessora especial da Presidência. O salário era de quase R$ 22 mil. O filho de Otton, Aran Mata Roma, também quase R$ 22 mil.

Só recebia mais que eles a irmã do presidente, Monica Mata Roma: R$ 23 mil por mês para ser a supervisora sindical. A mãe dele, dona Aderita, também recebia salário do sindicato. Para ser coordenadora de creche: R$ 10 mil por mês.

Se funcionários ganhavam tudo isso você deve estar se perguntando: e os diretores? Todos tinham salários de R$ 50 mil a R$ 60 mil. E ainda havia um cartão corporativo, desses que empresas grandes dão aos executivos mais importantes. Os extratos mostram que as faturas, sempre pagas pelo sindicato, chegavam a R$ 30 mil, R$ 35 mil em um único mês.

“Você tem ali um recurso para usar em prol do sindicato, em prol da categoria e nós verificamos através da auditoria feita que esse recurso do cartão corporativo era usado exclusivamente para atender interesses pessoais”, afirma o interventor José Carlos Nunes.

Uma auditoria contratada pela Justiça investigou a contabilidade entre os anos de 2009 e 2014 e descobriu um rombo de R$ 100 milhões. O valor reúne as diferenças encontradas nas contas do sindicato, despesas suspeitas com advogados, dívidas em impostos, juros e multas e outros gastos. 

“Nós sabemos de valores superfaturados de contratação. Isso está tudo documentado. Na verdade o presidente do sindicato junto com sua família, porque aquilo era uma reunião de familiares, usavam aquilo para fins próprios”, afirma o juiz Marcelo Antonio de Moura.

Nessas quase cinco décadas não faltou dinheiro para uma vida luxuosa. Na lista de bens, tem mansão em condomínio de luxo avaliada em mais de R$ 2 milhões, apartamentos, casas de campo, terrenos, carros importados, lancha e também viagens internacionais.

O sindicato pagou o combustível de voos feitos pelo presidente em aviões particulares e até um passeio pela Disney. Uma das notas na viagem para ver o Mickey é de R$ 11 mil.

O Sindicato dos Comerciários do Rio se tornou uma empresa familiar tão próspera que a direção decidiu investir em outros negócios, que foram muito além dos muros do sindicato. Otton Mata Roma é sócio de duas empresas de táxi aéreo. Tem dois aviões e um helicóptero.

“O Otton fechou uma sub sede do sindicato em Copacabana que atendia os comerciários e ali ele transformou na sede das duas empresas dele”, revela o interventor José Carlos Nunes.

A Justiça do Trabalho diz que os comerciários, que deveriam ser defendidos pelo sindicato, nunca tiveram nada além do que é garantido pela constituição. O piso da categoria não chega a R$ 1 mil. E o que deveria ser um benefício…

O lugar, mostrado no vídeo acima, é de dar inveja a muitos associados de sindicatos por aí. Na tranquilidade do campo, uma bela infraestrutura em um espaço enorme. Mas apesar de todo o dinheiro investido ali ser dos trabalhadores, não eram eles quem mais aproveitavam. A família que comandava o Sindicato dos Comerciários fazia questão de deixar avisos por todos os lados de que era a verdadeira dona de tudo.

A fazenda em Paty do Alferes, município perto do Rio, deveria ser a colônia de férias dos comerciários. Até ganhou esse nome, mas…

“A colônia de férias sempre foi tida pela comunidade como uma propriedade particular da família Mata Roma. Agiam como donos”, diz um homem que preferiu não se identificar.

A farra só chegou ao fim em outubro do ano passado. A Justiça ocupou o sindicato. Era uma intervenção. A pedido do juiz, o presidente e os três principais diretores foram afastados e tiveram bens bloqueados. Todos os parentes foram dispensados. Otton Mata Roma não quis gravar entrevista. O advogado dele questiona a investigação.

“Eu não encontrei nenhuma situação onde eles apontassem diretamente ‘olha, houve o desvio, está aqui a prova’. O que acontece são ‘potencial situação de malversação’”, diz o advogado André Ferreira.

“Contra documento eu não tenho outro argumento. Eu já tenho documentação que comprova contratação de empresas que não prestaram serviços e por valores altíssimos. Eu já tenho contratação de parentes. Então nós temos uma série de irregularidades totalmente incompatíveis”, afirma o juiz Marcelo Antonio de Moura.

O problema no Rio é um problema em todo o país.

Hoje o Brasil tem quase 11 mil sindicatos de trabalhadores. A Coordenadoria Nacional de Promoção da Liberdade Sindical, do Ministério Público do Trabalho, tem quase 4 mil investigações abertas.

Em Recife, uma audiência para definir a eleição do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes acabou com tiros disparados em frente à Procuradoria.

No Mato Grosso do Sul, um grupo liderado por entidades sindicais tentou invadir a sede do Ministério Público do Trabalho, na cidade de Três Lagoas. E em São Paulo, a disputa por poder e dinheiro foi levada às últimas consequências.

Um homem, mostrado na matéria acima, anunciou a própria morte e foi executado dias depois. Ele era do Sindicato dos Rodoviários de São Paulo. Um dos sindicatos mais importantes do país também tem uma das histórias mais sangrentas. São 16 dirigentes assassinados nos últimos 22 anos.

Na última eleição, ano passado, o Ministério Público do Trabalho montou uma das maiores operações já vistas para a escolha de um dirigente sindical. Vinte procuradores e 400 policiais foram convocados para garantir a segurança.

O novo presidente diz que os tempos de violência ficaram para trás. “Eu acredito que vamos terminar o término do nosso mandato sem nenhum episódio desse”, diz José Valdevan Santos, presidente do Sindmotoristas.

Em Santa Catarina, na cidade de Criciúma, trabalhadores tiraram à força o grupo que comandava o sindicato dos mineiros havia quase 30 anos. A história vem do fim da década de 1980. Quando uma das mineradoras da região faliu, o Sindicato de Mineiros de Criciúma assumiu a empresa e criou uma cooperativa: a Cooperminas. O mesmo grupo de sindicalistas ficou no comando da empresa e do sindicato.

Até que em 2013, funcionários suspeitaram de fraudes na venda do carvão e numa assembleia expulsaram os diretores da cooperativa. Era o fim de quase três décadas de poder. Mas a mudança não foi pacífica. O novo presidente da cooperativa sofreu um atentado e o vice foi assassinado com nove tiros na porta de casa. Uma auditoria revelou a existência de R$ 300 milhões em dívidas.

“A gente comprovou que os balanços eram fraudados, o próprio contador na época em uma assembleia geral falou e admitiu que ele era forçado a maquiar o balanço”, conta Juliano Medeiros, presidente da Cooperminas.

A notícia dos desvios na cooperativa fez com que mineiros também denunciassem fraudes no Sindicato de Mineiros de Criciúma. Em julho do ano passado, o Ministério Público do Trabalho passou a investigar o aumento ilegal do patrimônio dos diretores.

A suspeita é que os desvios podem chegar a mais de R$ 40 milhões.

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Nota do blog: as fotos abaixo mostram para onde são desviadas as  contribuições sindicais da maioria dos sindicatos brasileiros.

Na primeira imagem, um dos diretores do Sindicato dos Rodoviários de São Paulo  possuía uma fazenda no interior paulista.

Corrupção 4

Na segunda, uma camionete a diesel comprada em nome de um dos diretores do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Recife. Carro que custa mais de cem mil.

Corrupção 3

Todos os bens foram recolhidos pela Justiça  e colocados à venda, para restituição da grana surrupiada das contribuições sindicais.

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4 Comentários

  1. Mosavelino

    6 de janeiro de 2016 - 13:28 - 13:28
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    Também assistir a essa excelente matéria exibida pelo Fantástico, sobre esse Sindicatos de Pilantras do Rio e com certeza isso lamentavelmente acontece em quase todo o Brasil, muitos assumem cargos em entidades ou cargo público apenas para beneficiar-se ou beneficiar pessoas próximas né? Um exemplo de como não se deve gerir a coisa publica e só olhar para os nosso políticos que são eleitos pelo voto da população conquistados na grande maioria das vezes com mentira e falsas promessas de palanque, É só da uma olhada no site MCC http://www.contracorrupcao.org/2013/04/lista-da-corrupcao.html lá tem uma lista de mais de 160 Deputados Senadores e seus capachos pilantras, que sendo acusados e processados por uma serie de crimes, mais o pior de tudo e que isso ai e só a ponta do Iceberg, Em países onde a justiça realmente atua de verdade e a população tem mais consciência nossos políticos viram garoto propaganda de como não se deve agir na administração dos recursos públicos veja o site http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/09/campanha-contra-corrupcao-escolhe-maluf-como-exemplo.html Isso é simplesmente um absurdo temos que lutar pra colocar na cadeia esses corruptos.

  2. Fabio

    5 de janeiro de 2016 - 20:41 - 20:41
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    Em Marabá tem até vereador (es) eleito por essa mesma via

  3. emival

    5 de janeiro de 2016 - 19:57 - 19:57
    Reply

    Se vc verificar os carros dos diretores do SINDECOMAR e da chacaras que os mesmo tem com certeza vai assustar muita gente

  4. Apinajé

    5 de janeiro de 2016 - 17:03 - 17:03
    Reply

    existem exemplos mais notórios no abc paulista,muitos desses que fizeram carreira no sindicalismo nacional,são chamados de vossa excelência pelos palácios da capital da república,deputados, ex presidente,prefeito de são bernardo,sem contar que,no sindicato dos rodoviários de são paulo,cerca de seis diretores ou postulantes ao cargo,foram executados na ultima década.
    no sindicalismo ou na política,muitos espertalhões se deram bem,com o discurso de lutar pelo bem comum de uma classe,encontraram seu meio de vida..

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