Dilma cobra da Vale construção da hidrovia

Publicado em 14 de setembro de 2011

 

 

Em julho, quando foi recebido em audiência pela presidente da República, o novo presidente da Vale, Murilo Ferreira, foi sabatinado por Dilma Roussef sobre as intenções dele como dirigente-mor da mineradora.

Os dois conversaram longamente, como foi divulgado à exaustão pela imprensa nacional, mas um detalhe da troca de prosa dos dois somente agora vazou, graças ao esforço do blog em andar buscando notícias onde elas estejam, para expô-las em exclusividade aos seus visitantes.

A revelação foi feita por fonte privilegiada na capital federal, cuja idoneidade deixa o poster seguramente à vontade para trazer ao distinto público seu conteúdo.

Como a reunião ocorreu em julho, deduz-se, diante do vazamento da conversa, que, à época, Dilma já estava decidida a mudar literalmente o cronograma da presença maciça do governo federal no projeto de infraestrutura elaborado para o entorno do Distrito Industrial de Marabá, retirando do PAC, no final de agosto, investimentos programados para a Hidrovia do Tocantins.

Dilma cobrou do novo presidente presença mais efetiva da Vale no esboço global do projeto Alpa, chegando a dizer-lhe que a mineradora deveria copiar, em alguns casos, a forma como a Petrobrás atua com investimentos estruturantes nas áreas por ela demandadas.

E deu o bote: a Vale tem a obrigação de abrir o cofre para colocar dinheiro na derrocagem e dragagem do Tocantins, bem como na construção do porto público.

Dilma teria dito, mais ou menos assim, conforme relata a segura fonte: – “Com R$ 577 milhões (valor total das obras da Hidrovia), o governo federal constrói casas populares e outras obras de inclusão social em Marabá e em outros municípios paraenses”.

Além de defender maior participação da Vale intervindo diretamente na verticalização do DI de Marabá, Dilma lembrou que as eclusas já estão concluídas, marcando de forma concreta a participação do governo federal no projeto de industrialização da região – evocando, também, a necessidade estratégica que a mineradora carece para se firmar como parceira indutora do desenvolvimento regional.

A presidente da República defendeu a presença integral do Estado em regiões onde as grandes empresas privadas ou estatais não se encontram, mas considera essencial haver contrapartidas mais generosas destas nos projetos de grandes impactos sociais.

Deu um recado do tipo maneirar a forma da mineradora preocupar-se tão somente em contentar seus acionistas.

Murilo Ferreira ouviu com atenção a cobrança de Dilma, não sabendo a fonte o que ele teria prometido à presidente diante do determinado alerta presidencial.

Antecipado também com exclusividade pelo blog, recursos previamente programados para a derrocagem do Tocantins, completaram a totalização do repasse feito, nessa terça-feira, 13, pela presidente de República, para a hidrovia Tietê-Paraná.