Diante da crise, quais os planos da Vale para Carajás?

Publicado em 25 de fevereiro de 2015

Carajas 1

Valor Econômico do último final de semana circula com reportagem sobre os planos de expansão da Vale, em Carajás e Canaã.

Num dos trechos da matéria, há destaque para a capacidade de operacionalização de quatro sistemas de beneficiamento, em Carajás.

Diz o jornal:

 

Nessa nova fase, a Vale se prepara para operar em Carajás com capacidade de processar 154 milhões de toneladas de minério de ferro por ano em quatro sistemas de beneficiamento, a partir do fim de 2015. Os planos de crescimento se desenvolvem apesar da queda nos preços do minério de ferro, que estão na faixa de US$ 62 por tonelada para o produto com 62% de teor de ferro no mercado à vista da China. “Considerando atividades de manutenção e ampliação, é importante avançar a lavra nos corpos N4 e N5”, diz Paulo Horta, diretor de ferrosos norte da Vale.

Na serra norte de Carajás, a empresa possui nove “corpos” de minério de ferro, divididos em letras e números: do N1 até o N9. Mas, até hoje, a Vale explora somente os corpos N4 e N5. Significa que a empresa tem potencial para explorar mais sete corpos minerais na serra norte de Carajás, considerada como uma das maiores províncias minerais de ferro do mundo.

A decisão de expandir a lavra depende de vários fatores, incluindo a decisão da companhia, as condições de mercado e a obtenção de licenças, entre as quais a mais importante é a licença ambiental, uma vez que Carajás encontra- se dentro de uma unidade de conservação: a Floresta Nacional de Carajás (Flona), área de uso sustentável de 400 mil hectares.

Horta afirma que a operação em Carajás está passando por um processo global de crescimento da produção. Situado no município de Parauapebas, o complexo mineral de Carajás se diversificou. Do minério de ferro e do manganês, produtos originais de 1985, quando a Vale concluiu a implantação do primeiro projeto, Carajás passou a produzir também minérios metálicos, caso do níquel e do cobre, produtos que, assim como o ferro, expandem a produção.

 

Nota do blog: entrevistado, o prefeito de Parauapebas, Valmir Queiroz Mariano (PSD), exagera oceanicamente ao citar a população do município:    – Quando vim para cá, a população local era de 25 mil habitantes e hoje são 276 mil”, diz Mariano.

O  grão-vizir parauapebense, desinformado ou propositalmente, alça a população do município superior a de Marabá, atualmente estimada em 257.062 moradores – e recenseada em 2010 com 233.669 habitantes (dados  do IBGE).

Questionado pelo repórter, Valmir diz basear seus números em levantamentos de agentes de saúde do município –como se agentes dessa envergadura cobrissem corretamente todos os domicílios.

Aliás, prefeitos brasileiros têm a mania de subestimar o trabalho do IBGE, tentando nos fazer acreditar que os agentes de saúde constituem o que há de mais infalível em suas contagens.

Com alto nível profissional, o repórter responsável pela matéria do Valor Econômico corrige o prefeito, em parágrafo mais abaixo, esclarecendo que Parauapebas tem  153.908 habitantes

O  blog vai mais longe: o IBGE já estimou a população de Parauapebas em 2014:  183.352 habitantes.