Hiroshi Bogéa On line

Desvio de conduta

O blogger sempre admirou a atuação destemida do líder dos sem-terra Erivaldo Martins Carvalho, o Totó, pela postura coerente com que sempre pontuou as ações do MST na região Sudeste do Pará. Agora, ao ser flagrado, envolvido juntamente com outras lideranças dos sem-terra, numa ação destemperada de pilhagem da sede da Coomigasp, Totó dá margens para que o país inteiro passe a vê-lo como mais um arruaceiro a circular o Estado promovendo desordem.

Ao partirem para o tensionamento de relações com um governo surgido das forças populares, o MST está perdendo a grande oportunidade de obter conquistas e avançar com suas bandeiras em favor das classes oprimidas residentes na zona rural. Ninguém duvida de que Ana Julia e grande parte da equipe que a auxilia são identificadas com seus embates, apenas as lideranças de alguns segmentos sociais passaram a ignorar essa realidade.

A nota liberada pela Secom condenando a violência em Serra Pelada, é uma prova disso. Em todos os parágrafos, o cuidado de bater de frente com o MST e com outras entidades congêneres é evidente. Ou seja, manda avisar de que não aceita provocação mas se declara, sempre, aberto ao diálogo, “como principal ferramenta para a pacificação dos conflitos e não admitirá qualquer forma de desafio ao estado de direito”.

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8 Comentários

  1. Hiroshi Bogéa

    28 de maio de 2008 - 18:38 - 18:38
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    Querido Ademir.
    Primeiramente, agradecer a correção de nome e apelido do Totô.
    Segundo, sem entrar no mérito das questões colocadas por você – inquestionáveis, decerto -, com todo o respeito, o Totô está errado.
    O caminho, sempre-sempre, é o da negociação, até com fortes tensionamentos. Partir para a violência, é querer confundir demais o processo. E punir inocentes que nada tem a ver com o bagaço.
    Beijos, querido.

  2. Quaradouro

    23 de maio de 2008 - 16:41 - 16:41
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    Caro:
    O nome correto é Eurival Martins Carvalho, e o apelido é Totô. Em 2002 eu o defendi num processo do MPF que o acusava de invasão do Incra, cárcere privado e outros feitos quando, na verdade, havia pelo menos 10 mil pessoas enfurecidas com o descaso do Incra. Atribuir-lhe liderança capaz de mobilizar 10 mil pessoas é transformá-lo em nosso Antônio Conselheiro…
    Como ele, fiel à sua crença, tem a coragem de dar a cara a bofete, a imprensa, a extrema direita encastelada no poder estadual, coisa que nem o PT consegue desbaratar, querem transformá-lo, como diria o goleiro Manga, em “bode respiratório”.
    Enquanto isso, vai-se o tempo acumulando cinzas sobre sindicalistas e lideranças camponesas assassinados e não há um só mandante preso ou, ao menos, responsabilizado. O latifúndio permanece intocável, a reforma agrária sai do papel quando encharcada de sangue, mas não ganham, os assentamentos, escola, assistência técnica, meios de transporte para a comercialização da produção agrícola. Sabe qual o maior latifundiário dessa banda do cu do mundo? A laboriosa Vale (do Rio de lágrimas). Quer ver confere as áreas em seu entorno, intocáveis a pretexto de Area de Preservação Ambiental, Reserva Biológica etc. Lá, só ela tem o direito (e o poder) de devastar, deixar buracos quilométricos, destruir sitios de interesse arqueológico. Sob aplausos, claro, dos preservacionistas e dos sucessivos governos do país.
    Veja bem: não estou propondo que se vá tocar fogo na floresta que protege a Vale (do Rubicão); apenas aponto pesos e medidas no trato com quem luta por uma droga de pedaço de terra e o privilégio para com quem arranca a entranha do solo e trata o Pará como um estorvo no meio do caminho.
    Há outros métodos de combate à injustiça, além da ocupação e provocação de governos incompetentes?
    O Totô tá certo ou não?

  3. www.ribamarribeirojunior.blogspot.com

    22 de maio de 2008 - 19:34 - 19:34
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    Desde a noite de ontem, 21, ganharam a liberdade os cinco dirigentes do MST e do MTM (Movimento dos Garimpeiros e Trabalhadores em Mineração) que foram presos pela Polícia Militar em Serra Pelada, no último domingo, durante a frustrada ocupação da sede da Cooperativa de Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp). Na operação, realizada com violência, foram presos cerca de 40 garimpeiros, mas só as cinco lideranças foram transferidas, em avião do governo do Estado, para Belém. Esse detalhe revelou a verdadeira intenção por trás da ruidosa atuação das tropas policiais que se encontram acantonadas na região há mais de um mês: desarticular e intimidar o movimento de garimpeiros e sem-terra acampados às margens dos trilhos da Estrada de Ferro Carajás que passa dentro do Assentamento Palmares II.

    A libertação de Wagner da Silva Cruz, Fábio dos Santos Bezerra e Eurivaldo Martins Carvalho, o Totô, todos dirigentes estaduais do MST, e de Etevaldo da Cruz Arantes e Eugênio Viana Barbosa, coordenadores do MTM, decorreu de decisão do juiz da Comarca de Curionópolis que não viu caracterizados os requisitos para manter a prisão em flagrante. De fato, ao promover a desocupação violenta do prédio da Coomigasp, a PM agiu como milícia privada, apoiando abertamente uma das facções em conflito. Sobre o atual presidente da entidade, Waldemar Falcão, pesa a suspeita de ser o mandante do assassinato, no dia 8 de maio, em Marabá, de Josimar Barbosa, que presidiu a cooperativa até recentemente. Só isso já seria suficiente para que o governo adotasse uma posição de maior cautela. Mas parece que a mão invisível de poderosos interesses continuam a dar as cartas, manobrando com habilidade os cordéis nos quais se enovelam governantes cuja estatura não pára de diminuir a cada uma de suas cada vez mais freqüentes decisões marcadas por insensata truculência.Essa têm sido a marca do Governo de Ana Júlia e seu aliado Jader Barbalho.

    Avante na luta companheiros, porque PERDER A TERNURA JAMAIS

  4. Anonymous

    22 de maio de 2008 - 03:22 - 3:22
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    O Totô é uma cara de posições bastante claras. Equivocadas, as vezes, mas assumidas. Lamento, pela pessoa idealista, apaixonada que as vezes recorre ao extremo em nome de uma justiça que defende como causa de vida.

  5. Anonymous

    22 de maio de 2008 - 03:11 - 3:11
    Reply

    esse comentario deve ter sido escrito pelo prefeito de parauapebas (rararará)

  6. Anonymous

    21 de maio de 2008 - 20:58 - 20:58
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    SERÁ QUE ALGUEM ACREDITA QUE ESSES SEM TERRAS QUEREM MESMO UMA REFORMA AGRÁRIA DECENTE? EU NUNCA ACREDITEI E VOCÊS?

  7. José Eduardo

    21 de maio de 2008 - 17:17 - 17:17
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    Ao Anônimo,

    Ordem judicial foi feita pra ser cumprida! os pseudos movimentos sociais precisavam conhecer um “trem” mais pesado que os da VALE. Agora conhecem, em tempo: o poder da JUSTIÇA!!!

  8. Anonymous

    20 de maio de 2008 - 19:52 - 19:52
    Reply

    Hiroshi,

    A prisão do Totô e do Etevaldo não se deve a nenhuma disputa em Serra Pelada em torno da COOMIGASP.

    Trata-se uma operação do governo do Estado em conluio com a VALE, basta saber que mesmo antes de qualquer coisa relacionada aos fatos, já tinha uma aeronave no aeroporto de Marabá, uma solicitação para que o aerporto de Carajás permanecesse alerta para receber a aeronave, inclusive prorrogando o horário de funcionamento de Carajás.
    Busque ainda o próprio decreto de prisão preventiva, veja a data e os fundamentos.
    Trata-se de prisões ilegais, dignas de Estado totalitários, onde um judiciário rastejante aos pés da VALE e do governo ANA, insiste em criminalizar os excluídos que teimosamente tentam espernear.

    A COOMIGASP, frente a questão VALE, é algo bem menor que com certeza ANA JÚLIA e seu governo não destinam muita atenção nem envidam muito trabalho.

    Criminosa é a postura da VALE frente ao déficit social originário das suas minas. Crime é a VALE pagar uma ninharia em royalties, e ainda calcular os valores devido de forma a pagar menos ainda.

    Prisões civis, ainda decorrentes do interdito proibitório em que o judiciário tenta imunizar a VALE de suas responsabilidades sociais.

    Totô e Etevaldo são presos políticos!

    O governo ANA faz jogo duplo, de Cabo Anselmo, quer servir a Deus e ao Diabo.

    Deixe que VALE responda e enfrente seus problemas! E agora ela arranjou um, ou melhor, dois: MTM e MST.

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