Hiroshi Bogéa On line

Destravando catracas da cultura

 

 

Somente agora, depois de uma jornada de trabalho que parecia não ter fim, ocupado dia e até alta madrugada,   concluindo três documentários – inclusive a finalização do vídeo “Balsa de Buriti” -,  vou me dedicar à  divulgação das atrações do Fecam.

A maravilhosa seleção de artistas  sugerida,  merece louvação.

À frente da Secretaria de Cultura,  Cláudio Feitosa capricha, mais uma vez, na definição de uma  programação cultural.

Ele  “deu banho” na grande área, já bem antes.

Na abertura das festividades do Centenário de Marabá – a cidade aprovou tudo o que assistiu.

Recentemente, na programação junina, um conjunto de Oficinas foi oferecido à classe que faz arte no município,  ofertando conhecimento a quem faz da música um meio de sobrevivência.

Tudo primando pela qualidade.

Agora, é esse show de bola aí de atrações que estão sendo sugeridas, do mais alto nível.

Se todos os nomes forem mesmo confirmados, o XVIII Fecam terá sabor especial.

Sabor açaí, digamos.

Objetivo de Cláudio Feitosa em transformar Marabá num imenso caldeirão cultural deve ser saudado com todas as pompas.

A cidade precisa disso, e o secretário segue exatamente rota traçada em comum acordo com o prefeito.

Claro, a movimentação da secretaria  em definir  políticas culturais para o município, tem um preço.

Há sempre aqueles defensores do “popularesco”, que preferem numa programação pública uma dupla sertaneja no lugar de  Milton Nascimento.

Mas, como bem diz o próprio Feitosa, “ações culturais são um ato, em si, de resistência”.

E, nessa trilha, resistir é preciso, revolucionando.

Como resistiram,  para não colocar carros de som na rua, convocando o povo a repetir bordões de protestos, os representantes do Movimento Passe Livre, nas ruas de São Paulo.

A propósito, ontem, na televisão, a jovem  Mayara Vivian, disse que  “O povo não precisa de nenhuma cartilha, de ninguém falando alto no microfone para dizer o que ele tem que fazer ou não”.

Duas coisas muito simpáticas, ela disse, ao ser entrevistada no GNT, falando sobre o MPL.

A primeira é a recusa do movimento aos carros de som nas manifestações.

Os carros de som, para o movimento, são um mecanismo autoritário usado por lideranças que impõem suas palavras de ordem à massa.

O MPL utiliza o sistema do jogral: o orador diz uma frase, essa frase é repetida pelos que estão à sua frente, escutando-o, e será novamente repetida até que todos os presentes a tenham ouvido. Caso a frase não tenha a concordância do público, não será repetida, morrendo “naturalmente”, quase que “darwinianamente”, se quisermos.

É muito mais democrático.

Outra coisa bonita é a simbologia do movimento. “Um país sem catracas” significa bem mais do que a tarifa zero nos ônibus: é projetar um futuro de mobilidade social muito maior, sem preconceitos, sem barreiras de classe ou raça.

Nesse sentido, agora que os governantes tentam se ajustar a reivindicações de todo tipo, minha sugestão seria a de abolir algumas catracas na cultura – como o Cláudio Feitosa luta para fazer à frente da Secretaria de Cultura.

É perfeitamente factível realizar um evento de altíssimo nível cultural sem os gastos elevados na contratação do popularesco.

A sugestão de atrações do XVIII Fecam,  é um exemplo.

Sem catracas.

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