Descaramento atrevido

Publicado em 28 de janeiro de 2010

Desavergonhadamente, é assim que a deputada estadual Bernadete ten Caten e o seu parceiro, deputado federal Zé Geraldo, ambos do PT, se apresentam agora ao povo paraense, regando ameaças ao governo do Estado, caso a superintendência do Sul do Pará do Incra não seja entregue a um de seus voluntariosos apaniguados.

A carta, entregue à direção estadual do Partido dos Trabalhadores, cujo teor foi divulgado com exclusividade pelo RD, do Diário do Pará, contendo as ameaças, é um desses documentos que passarão à História como uma das maiores cretinices praticadas contra o bom senso, a ética e o respeito às instituições.

O documento existe e é o que diz realmente o Diário do Pará.

Ele retrata, em síntese, o perfil dissimulado da deputada Bernadete, uma politiqueira carreirista que nenhuma contribuição, até hoje, provou ter dado ao povo do Pará, especialmente, à comunidade marabaense, de cujo seio ela despontou para a vida pública graças, primeiramente, à falta de lideranças políticas locais -, e às custa de muita balela, lero-lero e um enfadoinho discurso populista.

O documento precisa ser publicado, em sua íntegra, para a população conhecer as intenções escabrosas da parlamentar, protegida sob o manto de um mandato parlamentar.

Rifada do meio por onde muitos anos trafegou com desenvoltura, ludibriando agricultores ávidos por um pedaço de terra documentado, Bernadete, em verdade, está vendo sumir entre as mãos, qual água escorrendo sem rumo, a possibilidade de retornar à Assembléia Legislativa, diante do lançamento da pré-candidatura do superintendente do Incra, Raimundo Oliveira.

Além de ter agora que enfrentar uma candidatura fortalecida pelo apoio das principais lideranças do campo – que a abandonaram por não acreditar mais em nada do que diz- , no Sul do Pará, a parlamentar petista se viu também obstacularizada ao embate por não ter, à disposição, a máquina administrativa que ela usou a exaustão, na campanha de 2006, facilitando a conquista dos votos que a elegeram.

No limiar do desespero, o que faz, apoiada pelo “simpaticíssimo” Zé?

Parte para a chantagem explícita.

Isso assim, de cara, com assinatura de documento e tudo!

Escândalo!

E mais degradante: exigindo exatamente o cargo no qual ela, a deputada estadual Bernadete ten Caten, praticou todo tipo de invernada suspeita, conforme sentença da Justiça Federal que suspendeu, por cinco ano, seus direitos políticos, acusada de malversação de recursos federais.

(A deputada sobrevive ainda na alça do mandato graças a um mandado de segurança, valendo até o falado transitado e julgado da questão)

Só para refrescar a memória.

A Justiça Federal constatou todo tipo de sacanagem manipulada pelas mãos da engenhosa parlamentar, enquanto esta dirigia o Incra.

Aqui e Aqui.

Valor do desvio?

Anota: R$ 75 mil.
Uns trocadinhos, pra classe política, mas desvio.

No pedido de condenação da deputada, um dos procuradores federais chegou a escrever o seguinte:

                  – “Mais uma vez, na realidade do Incra no Pará, ou se realiza uma mudança de rumos, ou continua a se transformar a reforma agrária em números e madeira”.

Constatação cristalina. Curta. Mortífera. Na jugular.

Em suas ameaças, no meio da arena, Bernadete é bem clara: dá o Incra ou vou bater chapa com a governadora.

Isso aí retrata perfil, personalidade e trejeitos de Bernadete.

É preciso conferir, letra por letra da carta enviada ao PT:  impressionante semelhança de estilo e de falta de escrúpulos dessa cambada.

Parece lance de organização mafiosa onde o último recurso é sempre ameaçador.

A mesma arrogância, falta de limites, uso recorrente da ameaça, tão ao feitio da moçoila.

Essa é a velha Bernadete densamente conhecida aqui no Sul do Pará.

Muito parecida com o Ademir Andrade, devem ter saído da mesma escola.

O Zé, então, nem se fala!

É sempre assim, quando se convive com o autoritarismo: os golpes são cometidos pelos que se veem diante da possibilidade de perder uma eleição.

O que Berna e exercitam, no fundo, é uma tentativa de golpe branco por exclusão.

Perco isso, mas vocês irão perder aquilo. Senão eu chuto o pau da barraca.

Nesse ato de chantagem da dupla,com assinatura devidamente reconhecida, pegando com jeito, caracteriza-se quebra de decoro parlamentar, a  proposta indecente e carregada de sem-vergonhice.

Os dois agem estuprando a ética e o respeito ao estado democrático.

Qual o problema na disposição de Raimundo Oliveira lançar-se pré-candidato a deputado estadual?

Nenhum!

Ele tem esse direito, como temos os brasileiros aptos ao processo eleitoral.

A pergunta de um milhão, pois, é a seguinte: o governo vai cair nessa?

Vão encolher as perninhas e deixar a Berna e o Zé remoerem fígados?

Seria o fim, e descrédito, definitivo, no que ainda resta de esperança nesta terra.