Davi Passos condena “modelo excludente” e que governa para uma “panelinha” de Xinguara

 

DaviJornalista Antonio Guimarães, do site Xinguara Ativa, entrevistou o ex-prefeito de Xinguara e professor universitário Davi Passos (foto), abordando temas profissionais e políticos.

Davi não confirma na entrevista, mas deixa subliminarmente que pode encarar a candidatura à prefeitura do município.

Abaixo, reprodução da entrevista.

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Professor José Davi Passos, depois de ter sido prefeito por dois mandatos, atualmente o que você se encontra fazendo?

 

Como todos sabem, sou professor titular do quadro da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará [Unifesspa] que, por sinal, fiz parte da conquista da implantação dessa instituição de ensino na nossa região, tendo inclusive contribuido na elaboração da proposta que foi entregue por nós junto ao então presidente Luís Inácio Lula da Silva. Nessa instituição desempenho meu trabalho, de forma que sobrevivo do meu salário. Em minhas folgas, pelo fato de trabalhar em períodos intercalados, estou presente em Xinguara, pois, aqui eu moro, aqui tenho minha residência.

Pelo fato de ter seu vínculo com a Unifesspa, existe algum pedido para que você seja transferido para o Campus de Xinguara?

Há um pedido meu de transferência de lotação, porém, ainda não temos carga horária suficiente que possibilite atuar integralmente no Campus de Xinguara, pois, com apenas o curso de História, não teria condições de conseguir essa transferência. Enquanto isso, continuo atuando nas cidades de Rondon, Marabá, São Félix do Xingú e Santana do Araguaia, onde possuem Campus da Unifesspa. Quando tivermos no mínimo quatro turmas funcionando em Xinguara, será possível concretizar essa transferência.

Em 2016, ano de eleições municipais, existe a possibilidade de você ser candidato a prefeito?

Eu sou um ex prefeito, um político, do tipo que não vende a alma para ser prefeito novamente. O nosso trabalho mostrou que não fui um prefeito para uma panelinha. Fiz um trabalho do qual posso dizer como o apostolo Paulo: combati um bom combate. Por outro lado, diante dos nomes postulados, posso dizer que o meu nome se encontra à disposição, inclusive, diante dos levantamentos que tenho tido junto ao eleitorado.

PMDB e PT tem conversado sobre a possibilidade de estarem juntos nas eleições de 2016?

Sim. Tenho conversado com o ministro da Pesca, Helder Barbalho, que é a principal liderança do PMDB no Estado, na perspectiva de mantermos uma relação focada nas eleições municipais de 2016, sustentando a ideia de um bloco alternativo em oposição ao governo do Estado.

Há rumores de sua saída do PT, isso já foi cogitado por você?

A mudança de partido faz parte de uma normalidade da política brasileira. A troca de partido tem sido constante no Brasil, onde as trocas de partidos tem ocorrido por grandes nomes como foi o caso da Marina Silva, da Marta Suplicy, Edmilson Rodrigues entre outros. Nesse momento seria prematuro de minha parte me antecipar a alguma mudança partidária. Qualquer mudança de partido tem que ser fruto de uma reflexão que esteja relacionada a um projeto político, um projeto administrativo.

O PT de Xinguara não fechou em torno de seu nome na candidatura para deputado, o que teria ocorrido?

São dinâmicas diferentes, a exemplo disso, foi a candidatura do Álvaro, em Conceição do Araguaia, que não teve total apoio de algumas tendências quando foi candidato a deputado, porém, quando veio candidato a prefeito, todos fecharam questão em torno de seu nome, o que é natural num partido que possui cultura de tendências.

Caso o seu nome não seja mantido para uma disputa eleitoral de prefeito em 2016, o PT teria outro nome a ser apresentado?

Até então só o meu nome. Sempre que temos nos reunidos, não temos a cogitação de qualquer outro nome, apesar de termos o nome que é bastante projetado, que é o do Claudio Marques, que vem se destacando como vereador, contudo em nenhum momento ele [Cláudio] tem se manifestado com essa pretensão. Observo no entanto que, não vejo nenhum problema de abrir mão, caso tenham alguém dentro do partido que possa ter acúmulo de intensão de votos melhor do que eu.

Sobre a reforma política, uma das questões que tem sido bastante debatido é o financiamento de campanha, na sua opinião, qual seria o mais viável?

O  financiamento público me parece ser o mais apropriado diante da realidade de corrupção impregnada pelos financiadores ligados aos interesses privados, pessoas que querem, de alguma forma, tirar proveito em benefício próprio por terem financiado campanhas eleitorais.

 Como você analisa a atual administração municipal de Xinguara?

Diferentemente do início de minha gestão, quando tivemos muitas dificuldades, pois, recebemos o município sem máquinas, sem caçambas, sem ônibus escolar e bem diferente de como entregamos, o que facilitou às condições de trabalho do atual gestor. A negociação da dívida junto ao INSS ficou tudo encaminhado para retirar o município do cadastro negativo, pois, era uma dívida em que consegui pagar mais da metade do valor deixado pelos meus antecessores. Faço aqui, minha crítica ao modelo excludente da atual administração que vem perseguindo aqueles que não fazem parte do grupo que atende apenas a uma panelinha. Eles ainda não me mandaram matar, mas, todos os meios fraudulentos que inventam contra mim, são usados na tentativa de me verem condenados pela justiça. Já disseram que tenho patrimônios em outras cidades, mas, não provam nada. Falam mentiras constantemente, tentando passar para as pessoas que estão fazendo obras, quando na verdade, até o asfalto, foi obra do governo do Estado, sem terem inclusive feito o meio fio como contrapartida.

Por falar em asfalto, pesa contra você uma ação judicial movida pelo prefeito Osvaldinho apontando desvio de recursos de um convênio, para calçamento de ruas em sua gestão, o que você tem a dizer sobre isso?

Eu fiz minha defesa, apontando elementos que me inocentam das acusações que foram montadas contra mim. Sempre que ele [prefeito Osvaldinho] perde uma ação, entra com outra em seguida, parecendo ser uma obsessão na tentativa de me incriminar. Isso ocorreu quando pessoas ligadas a ele diziam que eu não seria candidato a deputado e, quando registrei a minha candidatura e disputei às eleições, espalharam que os meus votos não seriam validados, mas nada disso aconteceu. Diferentemente da forma que eles fazem, eu não tenho feito uma oposição raivosa, pelo contrário, tenho exercido meu papel de cidadão. Repito, sou apenas um professor que sobrevive do salário recebido pelo trabalho prestado numa instituição de ensino. Tenho fé em Deus que continuaremos nos empenhando para termos uma Xinguara cada vez melhor.