Culpa é do mordomo

Publicado em 19 de fevereiro de 2008

O promotor José Luiz Furtado recebeu a imprensa em seu gabinete, no Ministério Público de Marabá, no final desta manhã.
Resumo da versão dele às acusações feitas por sua mulher de tentativa de assassinato:

Os fatos estão sendo deturpados pelo lado que eu chamo de “banda podre”da Polícia Civil. O que houve foi um acidente doméstico em minha casa em que a minha companheira acabou sendo lesionada na mão. Não (a esposa) prestou nenhuma ocorrencia policial, mas como se trata de um promotor , a polícia, com aquele sentimento de vingança porque há 13 anos eu combato essa banda podre da policia de Marabá, numa primeira oportunidade, cometeu uma série de truculencias e trâmites contra mim e contra meu patrimonio.

Invadiram minha casa e a casa de minha irmã sem ordem judicial. Meu caso nao estava em estado de flagrante . Eles queriam me prender para me apresentar como um trofeu. Agrediram um menor de 15 anos e prenderam meu caseiro sem justa causa,

Não havia nenhum comando na invasão, inclusive, um motorista de policia portando arma de fogo também invadiu minha casa, o motorisra Gilson Peres. Sumiu a arma autora dos disparos.Quando eu fui para Belem, ontem de manhã, a arma ficou dentro da casa e a arma sumiu.
O interessante é que haviam quatro funcionarios meus em casa e nenhum deles foi convidado para acompanhar as buscas nos quartos.
Subtrairam um computador da minha irmã que é auditora da Sespa com dados confidenciais. Dispararam armas de fogo dentro da minha casa, pegaram meus álbuns de familia,
Enfim a banda podre da policia fez tudo isso, mas tenho certeza de que tudo isso sera revisto. E a verdade permanecerá.
Você atirou em sua esposa? O que realmente aconteceu no seu quarto com ela?
Não, não, não, não! Não atirei. Foi um tiro acidental. Foi um tiro acidental durante uma discussao, um entrevero de casal. E tudo isso será devidamente esclarecido para a polícia. Até porque eu não quero falar nada porque ela ainda está no hospital e seria até leviano de minha parte dizer alguma coisa. Entao eu quero que ela se recupere para que ela diga o que realmente aconteceu dentro do quarto.
A policia diz que esta não foi a primeira vez que o senhor agrediu sua esposa.
Isso não é do meu desconhecimento. Eles estao dizendo que foi registrado uma ocorrência, isso eu nao tenho conhecimento. Mas se ela registrou ocorrência, por que a polícia nao apurou? A policia deveria ter apurado! Deveriam ter me ouvido. Deveriam ter me processado pra mandar para a corregedoria. Eu nao tenho conhecimento disso.
A policia apresentou à imprensa uma relacão de objetos retirados de sua casa: 4 cartuchos 1.40 de uso exlcusivo das forças armadas; 13 cartuchos calibre 32 intactos; 2 cartuchos 9 mm; 3 de arma 32. Oito cápsulas deflagradas de calibre 32 e uma de calibre 38. Também na delegacia, encontram-se uma CPU, 3 suportes para munição, um suporte para pistola; um suporte para arma longa, 12 caixas de uisque vazias e duas garrafas de uisque vazias, além do álbum de fotografias e documentos pessoais. No momento dessas aprensões, haviam dois delegados e policiais, acopanhados de peritos do IML, e, à tarde, estiveram em seu imóvel uma equiepe do Ibama para apreeender animais silvestres.
Alem desses objetos apresentados à imprensa, o senhor diz que sumiu a arma do acidente?
Sumiu a arma do acidente. E veja bem, das quatro pessoas que estavam lá, nenhuma foi convidada para acompanhar as buscas. Estranhamente, estranhamente.
De todos os projéteis apresentados nessa relaçao, eu so reconheço as capsulas 765. Das outras todas, a policia nao achou nada que pudesse me incriminar. Isso com certeza foi plantado pela policia dentro da minha casa porque lá nao tinha ninguém. Foi uma invasao ilegal e absurda. Meus funcionarios foram constrangidos e algemados, ninguem presenciou nada, não encontraram nada.
Isso é uma prova podre porque nao está revestida de formalidades legais.

Há um BO assinado pela sua esposa, em 2 de novembro passado, acusando-o de ter jogado um copo contra ela.
Eu nao tenho conhecimento, mas se houve o registro, por que a policia nao procedeu? Algo de estranho está acontecendo. Então prevaricaram! Eu vou saber quem prevaricou, certo? A “banda boa” da policia vai ter de dizer quem prevaricou para processar o prevaricador, ok?

Régua e compasso
Mancipor Oliveira Lopes, advogado do promotor Luiz Furtado, tem explicação no mínimo intrigante para justificar a série de disparos desferidos no interior do quarto do casal, resultando num bobo “acidente doméstico:

Em hipótese alguma o promotor atirou contra a sua esposa. Considerando o numero de disparos ocorridos no quarto do casal e considerando a habilidade pelos mais de 15 anos de Polícia Federal desenvolvidos pelo dr. Furtado, se eventualmente ele tivesse a intenção de matar, ou quissesse matar sua companheira, ninguem poderia impedir esse fato. Isso é verdade. Isso sem duvida foi um acidente iniciado por conta de uma discussao natural de qualquer casal.

Mancipor Oliveira aproveitou entrevista para dar o pulo do gato – ou melhor, do advogado -, para tentar desqualificar o depoimento de Maria Odinéia Rodrigues Farias, no qual ele confirma a tentativa de assassinato:

Ainda ontem, sob efeito de medicamentos e anestésicos por conta da cirurgia, foi (Odinéia) de forma acintosa procurada pela delegada para prestar esclarecimentos sem ter a noção de tempo e espaço necessário para prestar um depoimento com isenção
Com o tempo e a apuração dentro da legalidade será demonstrado o que de fato aconteceu e ficará esclarecido que foi apenas um acidente doméstico.

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Atualização às 14:28

A princípio, imaginava-se o promotor José Luiz Furtado ruim de tiro para dedéu, considerando disparos de diversos projéteis contra alvo encurralado num quarto, e apenas um acertar a mão da vítima.

Agora sabe-se que a autoridade é especialista em tiro, por conta do tempo servindo a Polícia Federal. Motivo, portanto, para a população de Marabá considerar os tiros deflagrados apenas como surto de raiva. Ou de terror mesmo.

Lembra até aquela velha história do Maluf: estupra mas não mata!