Covid-19: desesperadora situação de Altamira na luta para salvar vidas

Publicado em 28 de março de 2021

Pessoas com covid-19 morrendo na fila à espera por um leito de UTI, falta de remédios e uma explosão de novos casos sem ter onde tratá-los. É assim que médicos descreveram o cenário de “colapso” no Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, no interior do Pará.

O hospital é referência na região e atende mais de 500 mil pessoas que vivem em nove cidades. Hoje, porém, a unidade está saturada, não tem condições de atender mais ninguém e já transfere pacientes para outros Estados em viagens que duram horas.

Um relatório divulgado com base nas informações divulgadas pelas prefeituras e secretarias de Saúde da região do Xingu apontava que 14 pessoas estavam na fila por uma vaga na UTI às 22h de quarta-feira (24/3). Cinco pessoas morreram e outras 200 foram contaminadas com covid-19 nas últimas 24 horas.

Na terça-feira (23/3), a Prefeitura de Altamira decretou calamidade pública pelos próximos três meses. A intenção da prefeitura é agilizar a compra de insumos e equipamentos para os hospitais da região, sem a necessidade de uma licitação. Mas para que ele seja legalmente válido ainda precisa ser aprovado pela Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).

Um médico que trabalha no hospital disse, sob a condição de anonimato, que, além da falta de vagas, os doentes apresentam quadros cada vez mais graves.

“Os casos aumentaram muito desde o início do ano. A doença está mais grave também. Antes, demorava uma semana para surgir um quadro de pneumonia. Agora, o paciente dá entrada e isso acontece depois de quatro dias. Uma evolução rápida e mais grave, com maior tempo de internação”, explicou ele.

Ele contou que o hospital Santo Agostinho, também em Altamira, está lotado.

Os médicos ouvidos  contam que diversas pessoas morreram em Altamira sem ter a chance de receber um tratamento intensivo ou serem intubadas numa UTI.

Na quarta-feira, uma reunião do comitê de crise criado pela prefeitura de Altamira, com membros do Ministério Público, representantes de bares e restaurantes, igrejas, médicos, sociedade civil e movimentos sociais, chegou a um acordo para decretar um lockdown na cidade. As restrições mais duras para evitar a proliferação do vírus ficarão em vigor do dia 27 de março até o dia 4 de abril.