Conversa mole

Publicado em 10 de março de 2009

Diretor de Redação do Diário do Pará, Gerson Nogueira, em hora bastante oportuna, desnuda a omissão dos três senadores paraenses em relação à escolha de Belém como uma das sedes da Copa de 2014. Em sua coluna de sábado passado, no caderno BOLA, Gerson não se esquiva de assumir posição crítica e manda ver, sob o título “É hora de sair da retranca”.

Depois de ficar um bom tempo longe do noticiário, sem mostrar a agilidade que o momento exige, o Grupo de Trabalho Copa 2014 anuncia nova reunião para a próxima semana (dia 12), com a intenção de discutir aspectos da infra-estrutura que o Pará deve ter para sediar uma das chaves do mundial de futebol.
O seminário “Desafios de Belém para sediar a Copa de 2014” vai discutir temas como a mobilidade urbana, corredores de ônibus, acesso ao aeroporto e ampliação da rede hoteleira. Segundo a divulgação, serão ouvidos especialistas e autoridades para indicar quais os projetos e obras necessários para a realização de jogos da Copa na cidade.
O silêncio sobre as atividades do GT, a 14 dias do anúncio oficial das cidades-sedes, deve ser imediatamente quebrado. É necessário criar fatos que permitam a Belém sair da retranca de comunicação em que se encontra desde que as candidaturas foram lançadas.
Dá uma cuíra danada ver a frenética mobilização dos amazonenses, sempre exímios no marketing, promovendo ações que atraem a mídia nacional e usando o turismo para atrair olhares para Manaus. Aliás, desde a escolha do país-sede, na Suíça, o vizinho Estado já saltou na frente, com o discurso de saudação sendo feito pelo governador (paraense) Eduardo Braga.
O imobilismo paraense contrasta com o esforço dos barés, incluindo a esperta manobra para que a comissão da Fifa pernoitasse na cidade na véspera da inspeção, a tempo de ser bombardeada com mimos turísticos, além de homenagens, salamaleques a Ricardo Teixeira e o diabo a quatro.
Para complicar ainda mais as coisas, os senadores amazonenses dão um verdadeiro baile quando o assunto é badalar sua cidade, cantar virtudes e alardear vantagens. Há, em Manaus, quem considere que a bancada paraense parece empenhada em torcer contra Belém. O fato é que nunca antes, como diria Lula, nossa representação senatorial marchou tão unida como nesse esforço para boicotar a candidatura da capital paraense.
E nem foi preciso o público baré fazer qualquer apelo nesse sentido, enviando abaixo-assinado, toque de tambor ou sinais de fumaça. A dedicação à causa nasceu de forma espontânea. Ao adotar o silêncio compungido como regra de conduta, o trio “paraense” dá toda a pinta de respaldo tácito ao pleito de Manaus.
Até hoje, não se tem notícia de um discurso ou, mesmo, um mísero aparte nas sessões do Senado, durante as quais senadores amazonenses se esgoelam na legítima defesa de seus interesses. Pessoas que têm acompanhado a patética cena sentem-se constrangidas com a absurda omissão da bancada papa-chibé.
Ninguém é leso para crer que os parlamentares estão se esquivando por convicção ou avaliação técnica. Não. Ao que parece, o voto contra a escolha da bela (e maltratada) Cidade das Mangueiras tem motivações de natureza político-partidária, afinal todos são opositores da governadora – e, nesse caso, os interesses do Pará ficam em segundo plano.
Essa esquisita posição política, se confirmada, remete a outras batalhas, igualmente perdidas pelo Pará ao longo dos anos. Diante de tal miopia, o mais esquisito é que quase ninguém grita. Talvez porque quase ninguém se dá conta da existência do Senado. O que é, também, muito ruim.

Cristalina verdade, o artigo de Nogueira.

Pelo menos uma vez, durante a semana passada, os senadores amazonenses, liderados pelo tucano Arthur Virgílio, subiram à tribuna para defender a indicação de Manaus como sede do Norte. Todos os senadores do vizinho Estado fizeram isso.

Na mesma fila de assentos tucanos, como se combinado, os senadores do Pará avolumavam o Congresso de onda denuncista contra o governo de Ana Júlia, com intenção de demonstrar, tácita e maquiavelicamente, a incapacidade do Pará, por uma suposta “ingovernabilidade” vigente, de tocar um projeto de Copa do Mundo.

Mário Couto, Flexa Ribeiro e Nery devem explicações ao povo paraense.