Hiroshi Bogéa On line

Convênios entre Vale e Prefeitura de Parauapebas garantem recursos para projetos sociais

Em Parauapebas, a Vale pretende passar ao largo das notícias negativas envolvendo a indústria da mineração no Estado do Pará. A mineradora assinou convênios destinando R$ 10 milhões de reais para diversos projetos sociais e educacionais tocados pela Prefeitura e está incrementando o chamado “Circuito Mineração nas Escolas” na rede pública da cidade, tudo com o objetivo de polir a imagem da companhia junto à opinião pública.

No dia 19 deste mês, a direção da mineradora e o prefeito Darci Lermen assinaram convênios que destinam recursos para a ampliação do Abrigo Esperança, que atua na proteção de crianças e adolescentes; para oficinas no Projeto Pipa; e para compra de equipamentos para o Sine. A prefeitura também irá receber duas vans equipadas para prestação de serviços socioassistenciais e o município passará a contar com um Centro de Gestão Ambiental (CGA).

R$ 3 milhões serão destinados para a Escola Municipal de Ensino Fundamental Nelson Mandela, no Bairro Tropical, que segundo informações da prefeitura, deverá atender a 1,5 mil alunos.

Mineração nas Escolas – Criado em 2014 para, segundo release da própria Vale, “aproximar alunos e professores da rede pública de ensino do tema da mineração e tratar dos benefícios que a atividade traz para a sociedade”, o Circuito Mineração nas Escolas foi incrementado este ano. Além de expandir para 27 o número de escolas alcançadas, o projeto também vai oferecer quatro formações específicas para professores de História, Geografia e Ciências. A primeira delas já foi realizada no dia 9 deste mês e contou com a participação de 140 professores. Além disso, a garotada do 6º ao 9º ano vai poder conhecer de perto as operações da Vale.

Enquanto a Hydro, em Barcarena, precisa explicar à justiça suas operações e é obrigada a reconhecer seus erros, a Vale pretende seguir imune a percalços e vai construindo a imagem de empresa “socialmente responsável” através desses pequenos investimentos, que ficam ainda menores diante do lucro de quase 6 bilhões de dólares alcançado pela mineradora no ano passado.

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Atualização às 10:42 (28/03):

 

Nota do blog:  mas vamos deixar bem claro aqui um negócio.

Tudo o que a Vale realizar na área dita social, objetivando levar benefícios a segmentos da sociedade, é pouco.

Muito pouco.

A mineradora tem um débito impagável com municípios do Pará e do Maranhão e um ônus ambiental que jamais será quitado.

Para a Vale, o que vale é o minério a ser extraído: dane-se a água, o ar, o solo e as sociedades locais.

A mineradora não está interessada na vida de quem está no caminho de suas explorações.

Nunca é bom esquecer os danos causados pelo rompimento de uma barragem da mineradora em Minas Gerais, no fim de 2015, deixando 19 mortos e quase causando a morte do rio Doce, que percorre diversas cidades até atingir o mar do Espírito Santo, no que foi considerado o maior desastre ambiental da história brasileira.

Agora em janeiro de 2018, a Justiça Federal condenou a multinacional brasileira a reparar danos ambientais causados pela empresa no território quilombola de Jambuaçu, em Moju, no nordeste do Pará, que está com parte de suas terras com problema de assoreamento – acúmulo de resíduos nos leitos de rios – e enfraquecimento do solo.

Os impactos em comunidades ao longo da Ferrovia Carajás são anualmente catalogados e denunciados.

Às margens da estrada de ferro,  cruzando 16 comunidades,  os impactos ambientais mais sentidos são poluição do ar por partículas de minério de ferro; atropelamento de animais silvestres,  animais domésticos de  carga (jumento, cavalo) e de consumo alimentar (bois, vacas); aterro de igarapés causados pela construção da estrada de ferro e pela sua manutenção, assoreamento de açudes.

Lá em Minas Gerais, além da destruição do rio Doce, a Vale tem causado danos ambientais em diversas comunidades.

Pesquisando no Google, dá para observar o universo de devastação que a mineradora vem causando às comunidades, sem se dispor a retribuir o mínimo que se permita com obras realmente de transformação, para melhor, claro, das pessoas.

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