Hiroshi Bogéa On line

Contra a censura refinada

O Ministério Público e o Judiciário decidiram mesmo barbarizar. Ou, pelo menos, impor a máxima de que “contra força, não há resistência”. Mais precisamente, obrigar seguir à risca a lógica das democracias expressa numa frase tão repetida de que “decisões judiciais são para ser cumpridas, e não discutidas”.

Isso, na sua expressão cristalina, em países onde a democracia existe por causa do respeito à liberdade de imprensa.

A partir do momento em que alguns membros do MP e Judiciário decidem provar que tem poder suficiente para pressionar os profissionais de comunicação a seguirem cartilhas cunhadas prazerosamente sob autoritarismos pessoais, às favas as “recomendações” dos doutos promotores e juízes.

A recente decisão de alguns integrantes do MP proibir a imprensa de Marabá publicar matérias originárias da prefeitura municipal contendo citações religiosas, é uma barbaridade.

Os ventos sadios das democracias impõem, naturalmente, a todo veículo, a missão de publicar o que é de interesse público. O jornalista, bem intencionado, claro, não pode, jamais, sonegar informações aos seus leitores. Por isso mesmo, diante da inacreditável decisão dos apressados senhores membros do MP marabaense, o blog vem de público oficializar sua decisão de desobedecer qualquer recomendação no sentido de cessar a circulação livre da notícia.

Não importa se o prefeito Maurino Magalhães está ou não usando, em placas de propaganda oficial, imagens, símbolos ou frases religiosas, numa perfeita e condenável afronta ao nosso Estado laico. Isso aí é outro lance a ser discutido.

Não cabe a qualquer promotor a atribuição de se considerar censor da vez.

Isso é vergonhoso, depõe contra tudo o que a classe aprendeu no curso de Direito, guardião das liberdades do mundo civilizado.

O poster não apenas desobedecerá, como encapará campanha nacional contra essa indecência, já transformada em moda em outras comarcas dos dois segmentos da Justiça brasileira.

Basta relembrar a censura imposta aos jornais Diário do Pará e O Liberal, em Belém; proibição do Judiciário paulista ao jornal O Estado de São Paulo publicar qualquer matéria ofensiva ao presidente do Senado, José Sarney. Sem falar, no maior dos absurdos, a decisão do juiz Raimundo das Chagas Filho de determinar o impedimento do jornalista Lúcio Flávio Pinto citar nas folhas do Jornal Pessoal nomes de membros da família Maiorana.

Quase ao mesmo tempo, antes de sua morte, Juvêncio de Arruda também foi proibido pelo judiciário de Belém de continuar denunciando, no Quinta Emenda, os atos criminosos do ex-deputado estadual Luiz Afonso Sefer, acusado de pedofilia ao estuprar uma garota de nove anos de idade, e viver com ela bom tempo sob o mesmo teto.

Há, por esse Brasil afora, outros casos, seguindo o mesmo objetivo de censura e proibição aos meios de comunicação. E para que essa censura refinada não prospere, multiplicando-se em todo o país, dizer não a ela é preciso. Urgentemente.

Nossa rebeldia à “recomendação” do MP pode resultar num processo, não temos nenhuma dúvida. Mas saberemos nos defender até ultima instância, mobilizando, ao mesmo tempo, colegas e a blogosfera, numa Via Crucis de defesa das liberdades, tão heroicamente conquistada após longos 20 anos de ditadura militar.

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10 Comentários

  1. Anonymous

    9 de setembro de 2009 - 21:56 - 21:56
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    Quero te parabenizar pela forma corajosa de se portar em relação as recomendaçoes do promotor Luis, como diz o Boris "Isto è uma Vergonha" em pleno secúlo 21 termos de aturar a lei da mordaça.
    Dr.Luiz vou lhe recomendar pare de beber olhe a GOTA!hehehe
    Carajaense.

  2. Anonymous

    9 de setembro de 2009 - 14:41 - 14:41
    Reply

    Anônimo das 3:45 PM, Setembro 08, 2009.

    Você faz idéia de quantos juizes e promotores temos em Marabá?

    Você "doideceu" de vez? Se o MP começar a prender bandidos vai gerar uma grande onda de desemprego no "meio".

    Melhor você fazer outra indagação companheiro.

  3. Anonymous

    9 de setembro de 2009 - 14:38 - 14:38
    Reply

    João Costa, esse promotor ainda reside aqui e está bastante atuante.

    Na entrevista o prefeito citou o nome dele como sendo o promotor que está mandando retirar as placas.

    Agora não sei se é o mesmo que proibe a imprensa de publicar qualquer assunto referente as placas.

  4. Anonymous

    9 de setembro de 2009 - 13:04 - 13:04
    Reply

    Não vamos misturar as coisas. O MP é formado por homens e mulheres que erram e acertam. Para o bem da democracia eles tem acertado mais que errado. Não tive acesso ao teor dessa decisão do MP. Mas, se for verdade o que está sendo dito, e não tenho motivos para duvidar desse blog, a tentativa de amordaçar a imprensa, sob qualquer pretexto, é um erro e merece ser criticado.
    Não podemos, no entanto, jogar na vala comum o MP por essa postura equivocada, pois está absolutamente correta sua posição quando se preocupa em desvendar as faces ocultas dos processos de terceirização da merenda escolar, do lixo, da iluminação pública; da contratação desenfreada de amigos e correligionários em verdadeiros trens da alegria; da sangria aos cofres públicos a partir de licitações suspeitas, etc.
    Por outro lado ém importante que se diga que há outro tipo de censura. Aquela conduzida pelos donos dos veículos de comunicação, quando abrigados empolpudos contratos de mídia com os governantes de plantão, e que não publicam qualquer matéria que contrarie seus interesses. Essa também tem que ser repudiada. E, infelizmente, ela cresce com uma velocidade avassaladora nos órgãos de comunicação de Marabá. E certamente não é por causa da ação do MP.

  5. Anonymous

    9 de setembro de 2009 - 02:32 - 2:32
    Reply

    Hiroshy,
    Falando em Ministério Público, como ficou a situação do Promotor que desferiu oito tiros na Mulher. Queria saber se o mesmo, ainda trabalha em Marabá. Se a resposta,for positiva, é o fim da picada, como diz um velho amigo.
    Abraços.
    João Costa

  6. metralha

    8 de setembro de 2009 - 23:31 - 23:31
    Reply

    Parabens Hiroshi pela ousadia,

    Acho que o MP de marabá tem muitos outros problemas mais relevantes.

    Existem crianças nas praças abandonadas, passando fome, velhos sem assistencia medica ou preventiva, entre outros.

    Agora será que eles querem que a prefeitura venha a enaltecer o nome do capeta!!

    Estranho este MP de marabá, muito suspeito as suas ações que não levam a nada.

    Acho que tem que haver uma renovação. Tem promotor há muito tempo aqui e já se familiarizou e tomou partido de seus correligionários.

    É ridiculo estas ações. Deste jeito que vamos ser pretendente a capital. Quem perde é o municipio, a sociedade e o os lojistas.

    Nao podemos deixar nossos direitos democraticos serem cerceados por este tipo de ação.

    Parabens novamente Hiroshi.

  7. Anonymous

    8 de setembro de 2009 - 22:10 - 22:10
    Reply

    Vou deixar pra uma outra oportunidade, já que não salvei o comentário na certeza de que o mesmo seria publicado. Não contei com a infelicidade do mesmo se extraviar ou rumar para outro local.

    Tenha certeza de que o comentário que enviei não tinha nada de imoral. Era apenas uma réplica.

  8. Hiroshi Bogéa

    8 de setembro de 2009 - 21:50 - 21:50
    Reply

    6:14 PM, se o teu comentário veio dentro desse padrão citado, ele deve ter caído na caica de comentário de outro blog. Aqui, não! Manda de novo que é postado. Hoje eu joguei pra lixeira muita imoralidade. Outra coisa: não confunde defesa da liberdade de imprensa com espaço aberto à esculhambação.
    Sds

  9. Anonymous

    8 de setembro de 2009 - 21:14 - 21:14
    Reply

    Hiroshi, fica difícil emcampar uma luta juntamente com você e a imprensa local, já que vocês também fazem retaliações a comentários.

    Meu comentário de hoje no post "Prefeitura nega crise financeira" em que comentei sobre as placas, foi barrado. Não havia nenhum conteúdo ofensivo nesse meu comentário, apenas rebatia um comentário de um outro anônimo em relação ao comentário fiz anteriormente.

    Sinceramente, o discurso de liberdade de expressão á uma palavra que não faz parte do vocabulário dos formadores de opinião, principalmente quando isso lhes convém.

  10. Anonymous

    8 de setembro de 2009 - 18:45 - 18:45
    Reply

    Engraçado esse MP, prender bandido eles não querem, isso é uma temeridade, eles agora são censores é ?

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