Hiroshi Bogéa On line

Considerações sobre carinhos

Uma namorada, Silvana Sampaio, me adorava fazer cafuné. À noitinha quando em sua casa chegava, e ela a me esperar na varanda, cultivava o hábito de me deleitar com um gostoso cafuné de menina de 15 anos. Dos dengos femininos, ou historicamente femininos, o cafuné é o que mais me faz falta.
Pior é que ninguém mais parece saber fazê-lo, não sei se por causa da pressa dos dias atuais. Estamos precisando de tempo e devoção para a delicada missão de esfregar a ponta do dedo na cabeça de quem se gosta.
Antes de Silvana, tinha dona Tonica, minha vovó gostosa. Enquanto tragava seu pau-ronca na soleira da antiga casa da rua marechal Deodoro, hoje Orla Sebastião Miranda, em frente ao rio Tocantins, deitava minha cabeça sobre o colo dela para as sessões rotineiras de cafuné.
Deveria haver um curso obrigatório no seio das famílias para ensinar o mais nobre dos gestos de carinho e delicadeza. Ou então que se abrise pelas cidades casas especializadas em cafuné com direito de cada uma cobrar o trabalho por hora contratada. Importante é devolver as mãos às nossas cabeças carentes.
“Tem certos dias quando eu penso em minha gente”, a vontade do cafuné se acende. Puro filme de Kurosawa. Arrepio no cangote.

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7 Comentários

  1. Quaradouro

    4 de junho de 2007 - 05:56 - 5:56
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    Olha, anônimo das 10:35, teu propósito tem algum conteúdo, mas o capetinha particular e perverso que cochicha do lado da minha cabeça indaga: “Será que o Tião vai gostar?”
    Eu não tenho nada com isso, mas é bom ter cuidado com essa história de campanhas em Marabá.
    Repara como estão à míngua os professores e outros – ô raça! – que resolveram fazer campanha por melhor salário e por um tal vale-refeição, previsto na Lei Orgânica do Município, mas que é de extremo mau gosto porque envolve esse negócio de pobre querer comer.
    Onde já se viu?!!!

  2. Anonymous

    4 de junho de 2007 - 01:35 - 1:35
    Reply

    Então vamos lançar uma campanha: “Faça um cafuné em quem você mais gosta”.

  3. crisblog

    4 de junho de 2007 - 00:03 - 0:03
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    Ei menino…estou em reconstrução…agora já mais calma…

    Perdoa-me o comentário anterior.
    Pode falar de flores sim…de mar…da lua…dos cafunés da vida..

    Beijos.

  4. Anonymous

    3 de junho de 2007 - 21:43 - 21:43
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    Só para os esclarecimentos, agora que estou participando da conversa, sobre um dos “pecados”.

    E, em entre cafunés, quem está mais abandonada aqui sou eu.

    Mandaram-me vírus que estou tentando salvar máquina, arquivos, além do desespero de não dar tempo para o compartilhamento de minhas informações.

    Coisa de gente ruim. Estou no outro computador. A primeira providência foi excluir o blog e depois trocar senhas…em tudo.

    Então, não me fales de flores…porque só tenho espinhos…

    rsrsrsrs

    Beijos menino…e boa noite.

    Menina.

  5. Anonymous

    3 de junho de 2007 - 21:28 - 21:28
    Reply

    Cafuné é a afeição mais profunda e sincera que se possa sentir. Eu desabo quando me fazem cafuné. Queria que fizesses em mim, Hiroshi.

  6. hiroshi

    3 de junho de 2007 - 20:02 - 20:02
    Reply

    Antes que a gente se enverede ao sono dos desaventurados com tantos cafunés e licutes, me liga com urgencia. Nesta segunda temos que acertar aquele lance do vídeo, com URGENCIA.
    Não salvei teu número naquele dia.
    Abs

  7. Quaradouro

    3 de junho de 2007 - 19:49 - 19:49
    Reply

    Meu caro senhor:
    cafuné é coisa de português escravagista, com todo respeito.
    Eu, preto velho, sou chegado a um licute, agrado que não se restringe apenas à cabeça de cima; aparreio danado de bom, farnizim da ponta do dedão à raiz dos cabelos; frisson na nuca e arrepios no mucumbu.
    Cafuné é coçar bicho-do-pé. Licute é bicho de pé, bem em pé,bem em brasa, açoite de feromônio, lapada em riba da maçã do peito, e o diabo que se dane. Ai!

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