Considerações sobre “aparelhamento”

Publicado em 26 de setembro de 2007

O post “Aparelhamento de Jovens” mereceu impecável comentário da blogueira Bia, aqui reproduzido:

A instituição do Parlamento Jovem é uma proposta demagógica, tola e que só cabe mesmo neste país, onde não se garante espaço adequado para a participação da juventude na construção do presente e do futuro e cria-se atalhos, embrulhados em discursos aparentemente corretos.

Explico: a proposta, que nada tem de original,é cópia do que já está implantado no RS, PR e SC, se não me engano.
A idéia pretende – se concordarmos que não é uma proposta meramente eleitoreira – abrir espaço para a participação do jovem na política, no exercício da cidadania, etc. e tal.
O “atalho” a que me refiro é que num país onde o jovem é excluído do mercado de trabalho, onde a escola não é espaço de participação e formação cidadã, criar um penduricalho não é a saída, pois as estatísticas oficiais mostram que 27% dos jovens entre 15 e 24 anos não estuda nem trabalha. A não ser que agora a gente acredite que espaços fora do estudo e do mercado possam substituir a vida real.
Ou é uma saída. Lamentavelmente, pela porta dos fundos.
Como os companheiros inventam o mundo a cada novo espaço de poder que assumem, com certeza não prestaram atenção no projeto da Secretaria de Trabalho de São Paulo, quando Walter Berelli foi secretário, e criou o Projeto Jovem Cidadão, que garantia um “serviço civil voluntário” em contraposição ao serviço militar obrigatório.
Uma bolsa de prazo certo – 6 meses, se não me engano – permitia que esse jovem fosse formado e capacitado para exercer atividades na sua comunidade, participasse de cursos e seminários onde “aprendia” a sua própria importância como membro da comunidade, e aí sim, era capaz de perceber a importância da política e do parlamento.
Quanto ao pagamento de “assessores” para os jovens parlamentares, é uma terrível inversão de valores e distorção do objetivo que o projeto diz defender.

Nota do blog: a proposta do Parlamento Jovem é da deputada Bernadete ten Caten (PT) , com aprovação de seus pares. Sem discussão aprofundada. Sem análise dos verdadeiros efeitos de um projeto voltado para instituir mais um cabide de emprego às custas do dinheiro do contribuinte.