Hiroshi Bogéa On line

Considerações sobre “aparelhamento”

O post “Aparelhamento de Jovens” mereceu impecável comentário da blogueira Bia, aqui reproduzido:

A instituição do Parlamento Jovem é uma proposta demagógica, tola e que só cabe mesmo neste país, onde não se garante espaço adequado para a participação da juventude na construção do presente e do futuro e cria-se atalhos, embrulhados em discursos aparentemente corretos.

Explico: a proposta, que nada tem de original,é cópia do que já está implantado no RS, PR e SC, se não me engano.
A idéia pretende – se concordarmos que não é uma proposta meramente eleitoreira – abrir espaço para a participação do jovem na política, no exercício da cidadania, etc. e tal.
O “atalho” a que me refiro é que num país onde o jovem é excluído do mercado de trabalho, onde a escola não é espaço de participação e formação cidadã, criar um penduricalho não é a saída, pois as estatísticas oficiais mostram que 27% dos jovens entre 15 e 24 anos não estuda nem trabalha. A não ser que agora a gente acredite que espaços fora do estudo e do mercado possam substituir a vida real.
Ou é uma saída. Lamentavelmente, pela porta dos fundos.
Como os companheiros inventam o mundo a cada novo espaço de poder que assumem, com certeza não prestaram atenção no projeto da Secretaria de Trabalho de São Paulo, quando Walter Berelli foi secretário, e criou o Projeto Jovem Cidadão, que garantia um “serviço civil voluntário” em contraposição ao serviço militar obrigatório.
Uma bolsa de prazo certo – 6 meses, se não me engano – permitia que esse jovem fosse formado e capacitado para exercer atividades na sua comunidade, participasse de cursos e seminários onde “aprendia” a sua própria importância como membro da comunidade, e aí sim, era capaz de perceber a importância da política e do parlamento.
Quanto ao pagamento de “assessores” para os jovens parlamentares, é uma terrível inversão de valores e distorção do objetivo que o projeto diz defender.

Nota do blog: a proposta do Parlamento Jovem é da deputada Bernadete ten Caten (PT) , com aprovação de seus pares. Sem discussão aprofundada. Sem análise dos verdadeiros efeitos de um projeto voltado para instituir mais um cabide de emprego às custas do dinheiro do contribuinte.

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4 Comentários

  1. Anonymous

    29 de setembro de 2007 - 20:06 - 20:06
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    Não espero outra coisa de Bernedete, senã falácia maquiada de interesses pessoais escusos. O que posso advertir aos marabaenses sobre a candidatura dela a prefeita é: PERIGO À VISTA.

  2. Hiroshi Bogéa

    26 de setembro de 2007 - 18:21 - 18:21
    Reply

    Em um dos trechos de seu comentário, diz o Anônimo 12:51 PM:

    – Já passa da hora de nossa Assembléia Legislativa eleger como uma de suas prioridades as políticas públicas para a juventude. o que, com certeza, perpassa pela aprovação e efetivação desse projeto que já vem dando expressivos resultados nos estados onde foi implantado !!!

    Tudo bem.
    Uma das funções do Parlamento é eleger políticas públicas, mas desde que estas não venham ancoradas em propostas envelhecidas ou baseadas na visão de que o gasto público deva ser sempre priorizado, como está consignado na proposta de contratação de “assessores” da deputada Bernadete Caten, para ‘estruturar’ a atuação do “Parlamento Jovem”.

    É notório e costumeiro, quando se fala de política no Brasil, seja em casa ou no trabalho, que os assuntos tratados são: os maus políticos, a impunidade, a falta de ética, o nepotismo e a formação de ´Trem da Alegria´ através da contratação desenfredada de apaniguados.
    Política com “P” maiúsculo, como diz João Ubaldo Ribeiro no livro “Política – quem manda, porque manda, como manda” deve ser vista e tratada sobre outro ponto de vista; aquele aonde aprendemos a importância da Política em nossas vidas e nos nossos projetos pessoais, além é claro do exercício da cidadania. Ou seja, de cara, a idéia de um “Parlamento Jovem” passa, obrigatoriamente, pelo seu conteúdo pedagógico. Nada mais do que isso. Fugir desse cenário, é malograr intenções, subjugar boas propostas e alienar jovem aos mesmos e condenáveis hábitos exercitados pela maioria dos políticos brasileiros.

    Resgatar o exercício da cidadania junto aos jovens é papel sim, não apenas da Escola, mas também do Parlamento.

    Exercitar, pedagogicamente, este assunto, é fundamental para que despertemos nos jovens brasileiros (hoje, aproximadamente 28 milhões entre 15 e 20 anos), que a Política faz parte sim do seu cotidiano e está diretamente relacionada com o sonho do seu futuro profissional.
    Faço de parte de uma geração que ficou impedida por muitos anos de ter o direito à escolha dos dirigentes deste país. Hoje um jovem já com 16 anos, deve saber que os seus projetos pessoais dependem sim de uma escolha correta e competente, para que tudo que ele investiu e investirá em educação, proporcione a conquista e a realização do seu sonho.
    O mercado de trabalho de hoje exige, além das costumeiras competências, que um jovem seja ético e responsável. Todos aqueles projetos em que eles participarão no seu futuro trabalho dependerá sim, de encontrar um país em franco desenvolvimento, investindo em pesquisas, modernizando leis, investindo em infra-estrutura e aberto e competente em relação ao comércio exterior.
    Quanto a citação de que projetos idêntico ao proposto pela nobre deputada de Marabá
    “já vem dando expressivos resultados nos estados onde foi implantado” , seria da mais necessária importância que números e relatórios dessa atividade, praticada em outros estados, fossem trazidos à lume para as necessárias avaliações.

  3. Anonymous

    26 de setembro de 2007 - 15:51 - 15:51
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    A juventude é o segmento mais vulnerável e sensível às mazelas engendradas pelo sistema capitalista, pois é transversal a todos os setores de múltiplas identidades e opressões econômicas, étnicas, culturais, de orientação sexual, de gênero, de condição física etc, existentes na sociedade. Em cada segmento, conformam-se necessidades específicas que se somam às necessidades gerais deste grupo social, existindo jovens em várias dimensões simultaneamente oprimidos. Tal fato, por si só, já seria mais do que suficiente para defender a necessidade de políticas públicas específicas para a juventude e de com canal próprio de interação com o governo e com o legislativo.

    Dessa forma podemos afirmar que já passa da hora de nossa Assembléia Legislativa eleger como uma de suas prioridades as políticas públicas para a juventude. o que, com certeza, perpassa pela aprovação e efetivação desse projeto que já vem dando expressivos resultados nos estados onde foi implantado !!!

  4. Anonymous

    26 de setembro de 2007 - 15:15 - 15:15
    Reply

    Quem conhece a Bernadete não a compra pelos seus lindos olhos. A moçoila é esperta demais. Esse lance aí de ” assessoria” para jovens deputados é uma forma dela empregar a turma do PT Pra Valer. A DS já sabe de toda a transação idealizada por ela e, infelizmente, apoiada pela Assembléia.

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