Compreenda bem, deputado!

Publicado em 21 de fevereiro de 2009

Jornalista Augusto Barata, em seu blog com mais de 500 mil acessos, disseca em três posts os verdadeiros motivos pelos quais a Alça Viária é um problema sem fim para o governo estadual, exigindo postura mais ética do deputado estadual José Megale (PSDB) em relação às cobranças que ele faz do plenário da AL para a Setran recuperar a importante rodovia paraense.

O poster considera oportuno reproduzir a história como ela é do combativo blogueiro paraense:


Alça Viária – A meia verdade de Zé Megale
Na manhã desta terça-feira, 17, o deputado Zé Megale, líder do PSDB na Alepa, a Assembléia Legislativa do Pará, foi à tribuna denunciar o abandono em que se encontra a Alça Viária. Megale acentuou, obviamente, que a obra é um, dos principais legados do ex-governador tucano Almir José Gabriel que, com a instituição da reeleição, permaneceu por dois mandatos consecutivos como ilustre inquilino do Palácio dos Despachos.É saudável e elogiável a preocupação do líder do PSDB na Alepa, e deve ser cobrada, sim, a conservação e/ou melhoria da malha viária do Pará, pelo governo de Ana Júlia Carepa. Faltou, porém, Zé Megale admitir que, ao desengavetar e materializar o projeto da Alça Viária, Almir José Gabriel patrocinou uma obra feita à toque de caixa, sob um ritmo frenético e com erros técnicos crassos, segundo engenheiros da Sertran, a Secretaria de Estado de Transportes. Por isso, cerca de seis meses depois da inauguração da obra, as estradas da Alça Viária já estavam sucateadas.

A história tal como ela é
O ex-governador tucano Almir José Gabriel tem, inegavelmente, o mérito de materializar o projeto da Alça Viária, que dormitava em alguma gaveta do Executivo desde, pelo menos, a administração do ex-governador Hélio Gueiros (PMDB). Mas, quando assim o fez, Almir José Gabriel privilegiou a pressa em detrimento da qualidade, porque preocupado prioritariamente em utilizar a obra eleitoralmente. Tal qual ocorreu nas eleições de 2002, quando elegeu como seu sucessor o também tucano Simão Robison Jatene, com o auxílio do ex-governador Jader Barbalho, o líder inconteste do PMDB no Pará.Na época, o apoio de Jader Barbalho à candidata do PT ao governo do Pará, Maria do Carmo Martins, foi desprezado por setores da legenda petista. Setores que incluiam, ironicamente, Ana Júlia Carepa, eleita governadora em 2006 com o decisivo apoio daquele a quem, até passado recente, tanto satanizara, por conta da súbita evolução patrimonial e de ter seu nome associado a escândalos de corrupção.

A (inusitada) austeridade tucana
Então governador, já ao final do seu segundo mandato consecutivo, o tucano Almir José Gabriel precisava tanto, mas tanto, da inauguração da Alça Viária, que até impôs um padrão inusitadamente austero nos gastos da máquina administrativa do Estado. A palavra de ordem então advinda do Palácio dos Despachos cobrava a mais rigorosa austeridade nos gastos públicos.Essa foi uma época na qual a tucanagem alojada no Executivo preocupa-se em economizar desde energia elétrica a água, passando por diárias, embora sem abrir mão daquelas mordomias básicas, como carro, gasolina e motorista pagos pelo erário, ainda que também para uso pessoal, até porque ninguém é de ferro. Nada mais previsível, nada mais natural, não só pelos custos das obras da Alça Viária, mas também para fazer reservas de caixa, tendo em vista a sucessão estadual.