Hiroshi Bogéa On line

Coluna Diário do Pará

Coluna do poster publicada hoje no Diário do Pará:

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Íngua modorrenta
Irresponsabilidade. É esse o adjetivo para designar a atitude do prefeito de Paragominas, Adnan Demachki, de envolver a Sinobrás em denúncia, por ele formalizada, ao Ministério Público de suposta compradora de carvão vegetal produzido ilegalmente naquele município. Primeiro, porque a siderúrgica marabaense é conhecida, e respeitada, em toda a região, por não aceitar, sob nenhuma condição, matéria-prima originária de madeira nativa. Sob a direção da Aço Cearense, não existe registro na Sinobrás de multa ou apreensão de carvão sem comprovação de origem.

Motosserras do Nordeste
Outro aspecto: há tempos, Adnan Demachki, a serviço dos interesses políticos do ex-prefeito Sidney Rosas (PSDB), cuida do trabalho sujo de fazer ataques ao Distrito Industrial de Marabá, certamente para desviar a atenção de seu município, historicamente responsável por estimular o desmatamento da região Nordeste do Estado. Agora, outra suspeita passa a recair sobre ele: a de se integrar às campanhas discretamente tocadas pelas grandes siderúrgicas do aço brasileiro contra a Sinobrás. A Associaçao Comercial e Industrial de Marabá e o prefeito Maurino Magalhães tem a obrigação de vir à público denunciar esse jogo mal-intencionado do vespeiro montado em Paragominas.

“Dona Solange”, de novo!
“Que os meios de comunicação em geral (imprensa escrita, televisiva e rádio fonográfica) se abstenham de publicar qualquer matéria que contenha a imagem ou palavras do prefeito municipal, símbolos e slogans da administração pública atual, sem submeter à autorização prévia do Ministério Público, que fiscalizará se possui conteúdo exclusivamente institucional”. O texto, entre aspas, é parte de um das notificações feitas pelo Ministério Público à Prefeitura de Marabá recomendando que todo o material divulgado pelos meios de comunicação local, e que tenham a participação do gestor, passem antes por aprovação dos promotores. Estava na cara que as censuras impostas judicialmente ao Diário do Pará e ao Estado de São Paulo seriam perigosos precedentes.

Não! Não! Não!
Notificação do Ministério Pública é originária de uma ação contra placas de propaganda do governo municipal contendo citações bíblicas, que se proliferam na cidade delimitando o que é laico e o que não é. Independente dessa discussão, a partir do momento em que os promotores esticam seus tentáculos até as redações dos meios de comunicação, o caldo engrossa. Caracteriza-se, sem subterfúgios, esforço do MP e Judiciário para restringir a liberdade de imprensa. E contra a determinação dos promotores de Marabá, o colunista se rebelará, conforme conta, detalhadamente, em seu blog. Nem que seja processado, se rebelará.

Não! Não! Não! (2)
Uma prisão no 50º Batalhão de Infantaria de Selva, na cidade de Imperatriz; nome completo incluso na lista suja do SNI, “por incitar à desobediência civil” -, e “participar de movimentos suspeitos à paz e a ordem pública”. Essa a biografia ‘desenhada’ na vida do colunista pelas forças de opressão, durante o regime militar, e que até bem pouco tempo fazia parte dos arquivos negros da repressão, finalmente abertos à sociedade. Não aceitaremos, passivamente, a possibilidade mínima de açoitadas autoridades, que talvez nem tenham vivido os pesadelos civis dos anos 70, ensaiarem qualquer tipo de retrocesso às liberdades. Está na hora de todo mundo de mobilizar contra isso.

Futuro incerto
Dificilmente será votado o projeto do deputado Domingos Juvenil (PMDB) instituindo os limites originais dos territórios de Ourilândia do Norte e Água Azul, no Sul do Pará. Pelo menos é o que dizem oito deputados estaduais ouvidos pela coluna, ao explicarem que o explosivo tema, corajosamente encarado pelo presidente da AL com objetivo de acabar com o conflito entre os dois municípios, não está em primeiro plano da maioria dos colegas. Na verdade, a maioria teme perder votos, posicionando-se. O assunto já foi alvo de inconstitucionalidade no STF, retornando o caso à Assembléia Legislativa, mas ainda indefinido. As jazidas de níquel da Vale estão encrostadas nas fronteiras dos dois municípios.

UMAS & OUTRAS
Para a conclusão de obras estratégicas no Pará, cairia como uma luva a propalada escolha de Alexandre Padilha, atual Subchefe de Assuntos Federativos e Planejamento Estratégico da Presidência da República, para ocupar o Ministério de Relações Institucionais, no lugar de José Múcio. Padilha conhece todas as obras e as acompanha pessoalmente de perto.

O edifício de nove pisos, o Amazon Center, inaugurado em Marabá, dentro de pouco tempo se transformará num dos centros comerciais mais influentes da cidade. Restam poucas salas à venda.

Grupo Zucatelli inaugura mais duas concessionárias da SsangYong , agora em São Luis e Imperatriz, depois de colocar os carros sul-coreanos em Marabá e Belém, na av. Mário Covas.

“Dona Solange”, citada no título de nota cima, mais precisamente Solange Teixeira Hernandes, foi famosa censora dos tempos da ditadura militar, diretora do Departamento de Censura Federal, que vivia nas redações cortando matérias consideradas “ofensivas” aos militares.

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2 Comentários

  1. Hiroshi Bogéa

    17 de setembro de 2009 - 03:30 - 3:30
    Reply

    8:46 PM, agradeço a correção. Sinceramente, tomo maior cuidado, quando redijo, com a grafia correta de nomes próprios. Acho deselegante e desinformaçào escrever erradamente o nome de uma pessoa. Ao constatar sua correçào, pesquisei arquivo do blog com post citando o nome do Sidney Rosa e, graças, nao escrevei com "s"como desta vez. Peço desculpas.

  2. Anonymous

    16 de setembro de 2009 - 23:46 - 23:46
    Reply

    só para eslcarecer:
    o nome é Sidney Rosa, sem o "s"no final.
    espero ter ajudado, um abraço amigo.

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