Centenário do município: viagem em balsa de buriti, de Carolina a Marabá, ganhará documentário

 

 

 

Com patrocínio de empresas de Marabá, a VídeoV produzirá documentário  sobre a viagem que irá refazer o trajeto Carolina-Marabá em uma balsa de buriti.

Parceria foi acertada  nessa terça-feira, 19, entre a direção da produtora de vídeo e o presidente da Fundação Casa da Cultura de Marabá, Noé von Atzingen.

Roteirização da viagem lista gravações de testemunhos de antigos balseiros (ainda vivos, em Carolina -MA), acompanhamento da retirada de peças de buritis no buritizal que existe às margens do rio  Manoel Alves Grande, 100 km acima da cidade de Carolina; testemunhos de comerciantes carolinenses que usavam a rota dos balseiros para a venda de produtos em toda a extensão do Tocantins; construção da balsa, detalhes da viagem com duração de dez dias e, finalmente, as manifestações em cada cidade por onde a balsa fará aportação.

A balsa terá 15 metros  de largura X 18 metros de comprimento, com capacidade para conduzir vinte pessoas com segurança.

Duas embarcações darão apoio aos aventureiros: um barco de madeira e uma lancha.

Além disso, a equipe da VideoV terá um jetski para auxiliar na gravação de tomadas fora do eixo da balsa, principalmente na condução  de cinegrafistas  em busca de depoimentos de ribeirinhos

Um grupo  precursor viajará agora dia 4 de março até a  localidade  de Goiatins, às margens do rio  Manoel Alves Grande, integrada pelo presidente da CCM, Noé Aztingen;   um coordenador da viagem e um produtor da VideoV.  Missão da caravana é locar pontos de tomadas de vídeo, pautar entrevistas e conhecer “Suleza”, talvez um dos remanescentes construtores de balsas de buriti,  que reside  numa vila às margens do rio que separa Tocantins do Maranhão.

Suleza  é quem construirá a balsa de buriti a ser usada no projeto que irá refazer o trajeto usado, durante anos, no início da colonização da nossa região.

As balsas de buriti eram usadas para o transporte fluvial de pessoas, animais e mercadorias comercializadas ao longo das margens dos rios – principalmente o Tocantins.

Foi numa daquelas balsas que Carlos Leitão  e Francisco Coelho chegaram até a foz do Itacaiúnas com o Tocantins, fundando Marabá.

Como revela levantamento feito pela Casa da Cultura,  famílias inteiras partiam de Carolina com seus pertences, galinhas, cães, porcos e desciam ao sabor das águas do Tocantins, impulsionados e direcionados apenas por algumas varas até atingir o destino principal que era Marabá.

Projeto integra a programação da Casa da Cultura alusiva aos 100 anos de Marabá. “É uma forma de relembrarmos a importância das históricas viagens de balsa que muito contribuíram para nosso desenvolvimento”, diz Noé.

Às margens do rio   Manoel Alves Grande ainda existe movimentação desse tipo de balsa de buriti, usadas para o transporte de gado entre algumas pequenas fazendas.

“Quando o percurso do Rally do Sertão  inclui a cidade de Goiatins em sua rota, os motoqueiros atravessam o rio Manoel Alves Grande  através desse tipo de balsa, construída pelo Suleza”, lembra Atzingen.

O grande problema para a construção, hoje, de uma balsa de buriti é a quase inexistência de buritizais.

“Graças a indicação de um morador antigo de Carolina,  seu Joaquim Falcão, nós conseguimos localizar um grande buritizal próximo a Goiatins, cujo proprietário, Edgar Porto,  se colocou à disposição para doar a quantidade de buritis necessária à construção da balsa. Essa viagem precursora nos levará até ele, para os acertos de extração das peças de buritis, que serão transportadas até a jusante da barragem do Estreito, onde o Suleza construirá a balsa”, explica Noé.

Inicialmente, ideia era desatar os cabos da balsa em Carolina, de onde exatamente partiam todas as viagens com destino a Marabá, naquela época. Só que não haveria condição  de fazer o transbordo da embarcação na barragem do Estreito, conforme esclarecido pelo construtor da embarcação.

Agora, redefinida a programação, porto de partida será Estreito.  A viagem terá duração de 9 dias.

Projeto terá finalidade, também, de  documentar o trajeto através de fotografias, já que existe rara documentação iconográfica das balsas de buriti. “Um destes poucos documentos é o desenho a nanquim de Pedro Morbach”, esclarece Noé.

O poster estará integrado ao grupo que fará o trajeto Estreito-Marabá, liderando a equipe da VídeoV.

 

Iconografia de uma balsa de buriti visualizada em nanquim
Iconografia de uma balsa de buriti visualizada em nanquim