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Carreiro visto pela Academia

Domingo, o poster falou da importância de Tião Carreiro para a música instrumental do país.

Ontem, o boletim semanal do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD) saiu com o artigo Viola de Tião Carreiro proseia com a academia, baseado em estudos sobre o trabalho do violeiro -, feitos pela Unicamp .

Alguns trechos do artigo:

O universo sertanejo brasileiro abriga muitas lendas. Uma das mais conhecidas conta que se o violeiro quiser se transformar num virtuose do instrumento, ele precisará passar uma cobra coral viva por entre os dedos das mãos. Tião Carreiro, nome consagrado da música caipira nacional, certamente jamais colocou a vida em risco para obter tal habilidade. Ainda assim, assumiu a condição de instrumentista vigoroso e original, cuja técnica marcou época e influenciou as gerações seguintes.“A partir do trabalho de Tião Carreiro, a viola passou a ser olhada como um instrumento de grande potencial”, afirma o músico e pesquisador João Paulo do Amaral Pinto, que investigou o tema em sua dissertação de mestrado, apresentada no Instituto de Artes (IA) da Unicamp.


(…)Autodidata, o instrumentista, que também era cantor e compositor, apresentava algumas peculiaridades, conforme o pesquisador. A mistura de toques de viola e elementos musicais relacionados à catira e ao recortado, duas danças caipiras tradicionais, deu origem a um novo gênero, que ficou conhecido como pagode caipira ou simplesmente pagode.

(…) O toque de Tião Carreiro, reforça João Paulo, apresenta certo grau de sofisticação, sobretudo por conta da movimentação das mãos. Esse aspecto, associado à rítmica do violão, que faz parceria com a viola, estabeleceu uma polirritmia até então incomum na cena da música caipira. “O trabalho feito por Tião Carreiro pode ser considerado como um pequeno divisor de águas dentro do universo da viola”, sustenta o pesquisador. O pagode, prossegue o autor da dissertação, de certa forma favorecia a virtuosidade do artista, que fazia solos rápidos e empregava técnicas como o pizzicato, que pode ser traduzido como o ato de tocar as cordas do instrumento de forma semi-abafada, obtendo um timbre mais silencioso e percursivo. “É bem possível que Tião Carreiro sequer conhecesse esses termos técnicos, visto que ele era essencialmente intuitivo”, infere.

Na íntegra, aqui.

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