Bolacha de água e sal, o trivial.

Publicado em 18 de junho de 2012

 

Você faz planos, planeja

 Deseja, o desejo sangra

 Quer uma casa em angra

 Quer carro, ipad, família

 Filhos na universidade

 

(…)

Tanta pobreza humilhada

 Tanto canalha no topo

A marcha da falência dos valores da nação

 E quando o salvador é o próprio vilão.

 

Zeca Baleiro


 

Esta letra do rap de Zeca Baleiro ilustra de forma ardilosa a sociedade consumista em que vivemos. O desejo que sangra, que arde, que tira o sossego, dita o nosso caráter. Até que ponto devo criticar o politico, o endinheirado, a celebridade? Somente quando não prejudicar meus interesses? Meu desejo?

A televisão, a internet, o hipnotizante facebook (também fui fisgada por ele) nos remetem a um mundo atraente, repleto de opções, objetos, tecnologia, fantasias, consumo…

Você já reparou de que é feito o Smartfone que você ganhou? Sabe de onde vem o lápis que entrega para seu filho semanalmente e ele sem piedade aponta? Conhece a procedência do seu leitinho diário? Entende como a energia chega à sua casa?

Estes bens industrializados não provêm de uma mágica acionada por palavras engraçadas e um toque da varinha de condão. A matéria-prima de cada coisa é extraída da mãe natureza. Os recursos naturais alimentam nosso vicio tecnológico, nossa fome consumista.

As empresas fabricam, nós compramos, a natureza desaparece. O ciclo consumista degrada o meio ambiente, não há como acelerar a produção de bens sem passar pela extração dos recursos naturais.

Na serie de palestras ministradas na escola em razão do Projeto de Empreendedorismo, este tema ganhou um destaque importante, sugerido por Eloiso Augusto Araújo, Relação Institucional da Vale/Alpa.  A principio pensou-se apenas na necessidade de abordarmos sobre Empresas Verdes, no entanto, o Eloiso ampliou nosso leque de possibilidades, falando sobre o compromisso social e ambiental que uma empresa deve seguir e o impacto que o consumo desenfreado causa ao meio ambiente.

No rastro da Rio+20, as empresas criadas por nossos alunos, como resultado do Projeto de Empreendedorismo, devem ser sustentáveis, ambiental, social e economicamente, seguindo os três pilares da economia global.

Por exemplo, a turma da 4ª Etapa da EJA empreende na criação de uma Indústria de Sabão Ecológico, cuja principal base será o reaproveitamento do óleo de frituras de lanchonetes e restaurantes, a turma mirou nos restaurantes da Orla do Tocantins, após ficarem sabendo que o óleo utilizado na confecção do delicioso tucunaré frito, é lançado diretamente no esgoto que desagua no rio.

Outra sacada positiva das equipes empreendedoras, será a utilização de embalagens retornáveis, o restaurante e a fábrica de sabão, por exemplo, utilizarão vasilhas épicas para a entrega de seus produtos. O Restaurante BOM SABOR, da turma do 4º ano, copiou a ideia de um restaurante carioca, e ressuscitou a saudosa marmita de alumínio, que será envolta em um delicado pano de prato estilizado.

O cliente levará para casa muito mais que comida gostosa, levará sustentabilidade, levará consciência ecológica. Ao escolhermos um local para comer, para curtir, para comprar um objeto devemos ser orientados por princípios éticos, sociais e ecológicos. Nem sempre o que está em voga segue estes critérios.

Deixar de comprar um produto ou utilizar um serviço de uma determinada empresa como forma de denunciar sua postura insustentável também é uma excelente sacada. Outra pegada legal é a pratica dos 3Rs: reduzir, reutilizar e reciclar.

 

Ampliado para 4Rs por alguns setores( recuperar, reduzir, reutilizar e reciclar).

Estes Rs são viáveis em toda e qualquer situação, olha só:

 

* Um final de semana na praia: 3Rs em ação:

 

  1. R: reduzir: o que precisará para se divertir na praia? Pencas e pencas de comida que depois se transformarão em lixo? Que tal levar o básico e curtir momentos de interação com a natureza?
  2. R: reutilizar: Por que priorizar o uso de latas e latas de cervejas e refrigerantes no lugar das saudosas garrafas de vidro retornáveis? Lembre-se estas latinhas, se não forem recicladas, levarãoanos bolando pelo meio ambiente.
  3. R: reciclar: Mas se em todo caso você não resistir às latinhas, amasse-as e doe para a reciclagem, não as deixe em nossas praias.

 

*    O início do período letivo: 3Rs norteando comportamentos:

  1. R: reduzir: Seu filho precisa mesmo de 30 lápis preto? Pra que servirá aquele monte de adesivos?
  2. R: reutilizar: A mochila do ano passado ainda está usável? Então não compre outra, lave, escove, faça pequenos frufrus, se for para meninas, e leve seu filho para escola em grande estilo.
  3. R: reciclar: o caderno comprado no final do ano ainda possui folhas limpas? Retire-as com cuidado, recorte em pedaços menores, encaderne-as e obtenha um caderninho de recados personalizado.

 

Para finalizar nosso pensamento, quero compartilhar a encantadora letra da música Bolacha de água e sal, do grupo Palavra Cantada:

 

 

Gosto quando vou brincar na rua

 Gosto quando encontro meu amigo

 Gosto quando a mãe do meu amigo

Me oferece uma bolacha

 De água e sal

 

Gosto de bolacha sem açúcar

 Gosto de bolacha sem recheio

 Gosto de bolacha sem perfume

 Gosto do que é normal

 Uma bolacha de água e sal

 

É… uma coisa natural

 É… barata e não faz mal

 De qualquer marca

 É tudo igual

 

Quando a gente está meio enjoado

 Quando a gente está passando mal

 Quando a gente fica aperreado

 Bolacha de água e sal

 

Quando a minha avó era criança

 Quando a vida era sempre igual

 Lá na roça acordavam cedo

 Pra comer bolacha de água e sal

 

Quando o meu avô era criança

 Veio num navio de Portugal

 A viagem ficou na lembrança

 Só comiam bolacha de água e sal

 

O meu gosto é radical

 Gosto porque é fundamental

 Farinha, fermento, água e sal

 Simplicidade, no trivial

 

Se um dia você for lá em casa

 Pra brincar comigo no quintal

 Vamos combinar um picnic

 Pra comer muita bolacha

 De água e sal.

 

 

É isso aí! Se um dia você for a minha casa, será recebido com bolacha de água e sal, acompanhada de um delicioso suco de fruta, da fruta mesmo, de fruta de verdade.

Como educadores, devemos valorizar o que não prejudica o meio ambiente, respeita o próximo e desenvolverá na criança sua consciência social. Seguindo o conselho da consultora de moda Glória Kalil: menos é mais, isso vale para a moda, para a educação, para o planeta.

Evilângela Lima Alcântara, Edycadora, diretora da Escola de Ensino Fundamental São José.