“Boca do Inferno”

Publicado em 15 de junho de 2011

Numa das caixas de comentários do blog, autor autodenominado  “Gregório de Matos Guerra – O Boca-do-inferno”, numa alusão ao poeta satírico baiano:

 

Muito coisa mudou sim, e como mudou. O problema é que foi para PIOR. Lembro que nessa época, não existia o município chamado de Parauopebas (nome em homenagem a certa cidade mineira), desmembrado de Marabá que, somado a muitos outros, só aumentaram os problemas sócio-ambientais.

Cada dia chega mais e mais gente de todas as partes e de todas as formações, seja para trabalhar, invadir propriedades privadas ou ocupar cargos públicos comissionados, sem necessidade de concurso público, fingindo que defendem a criação do Estado, quando, na verdade, defendem a manutenção do Sistema.

Um sistema perverso que a história registra por centenas de décadas. Não data de 400 anos, mas desde que Cabral aqui aportou. É ipsis literis: “Desvio de verba, funcionário fantasma, malversação de dinheiro público, isso é rotina no Poder Público paraense. Não existe Estado mágico, mas Estado respeitável para o povo que o habita. Carajás! Sim!”
Essa realidade nua e crua não vai mudar, pelo menos para o povão. “Eu já passei por tudo nessa vida e, em matéria de guarida, espero ainda a minha vez”. Confesso que sou de origem indígena, mas dinheiro eu quero mais, foi assim que deus me fez.

Já perdi muitas coisas nessa vida mas, de uma coisa tenho certeza: a memória e o raciocínio lógico, NÃO.
Lembro dos castanhais e de mais de 400 mil hectolitros de castanha exportados por safra, de Marabá para o mundo, dos grandes castanhais de mais de 50 mil hectares, dos pentas e barcos-motores que singravam os rios itacaiúnas e Tocantins. Lembro da juventude que viajava de ônibus (atolava até o teto) na PA-70, para estudar em Belém (90% dos estudantes). Alguns não quiseram estudar, não por falta de escolas ou dinheiro ou da hospitalidade de Belém.

Lembro do Colégio Sta.Terezinha, recentemente invadido, do casal de extrativista mortos em Ipixuna. Lembro do castanhal e da fazenda macaxeira, hoje transformado em cidade Eldorado dos Carajás.

Não me lembro do que nos diz Bramatti: “constata que Marabá “recebe cerca de 250 novos moradores por dia” e aspeia a sentença do delegado Alberto Teixeira, superintendente da Polícia Civil no sudeste do Pará: “Não há empregos para todas essas pessoas. Quem acolhe os jovens é o tráfico.” (extraído do blog quaradouro, 14/06/11).

Concluo que se tudo mudou e o povo está ainda pior, os municípios desmembrados em nada diferem do desmembramento do estado, a não ser na formalidade, o Sistema é o mesmo; assim, do que precisamos mesmo é mudar o SISTEMA, do qual o povo não participa e, para o qual, é a única solução, fazendo valer a sua vontade.

Gregório de Matos Guerra
(“O Boca-do-inferno”)