Bia Cardoso: – “Nós, mulheres, não nascemos para morrer de fome; nascemos para trabalhar, produzir, construir, cantar, dançar…”

A marabaense Bia   Cardoso, jornalista e ex-primeira-dama  que marcou sua passagem pela vida pública com políticas de inclusão da mulher é outra entrevistada no blog, na Semana Internacional do Dia da Mulher.

Ela atuou como Secretária de Assistência Social durante apenas 1 ano e dois meses do governo de João Salame .

Por opção , deixou o cargo entendendo que poderia  cooperar no governo de maneira mais crítica e independente .

Bia estruturou o Bolsa  Família.

E numa articulação em Brasília com o prefeito João Salame  , Bia deu o aceite para a implantação do Pronatec, programa que permitiu  ampliar a oferta de cursos profissionalizantes em Maraba .

Coordenado  por uma também mulher, Claudia Cilene , o programa ganhou o prêmio nacional  ao qualificar mais de 3 mil jovens só no primeiro ano de implantação, fato que trouxe à Marabá a  então presidenta , Dilma Roussef.

Mas Bia considera que sua principal marca foi a luta para que mulheres pudessem exercer seus direitos .

E assim, transformou em realidade um anseio antigo de mulheres ativistas  militantes do Arco-íris da Justiça , Margaridas e União Nacional de Mulheres ,  que foi a criação da Coordenadoria de Mulheres.

O Departamento vinculado a Seasp , possibilita até hoje , maior acolhimento e atendimento a mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Em mais uma matéria na Semana Internacional do Dia da Mulher, o blogueiro conversou com Bia Cardoso.

A seguir, integra do bate-papo maravilhoso com a jornalista:

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BLOG-  Como é que você avaliaa as políticas públicas para mulheres no Governo de João Salame ?

Eu sempre considero que a ação política interfere nesses fenômenos sociais,  mas sempre estará aquém dessas demandas . Isso é parte de um modelo econômico que não distribui riqueza.  Mas o João , até por influência herdada de dona Creusa Salame, mãe dele, sempre foi muito sensível a esta causa . Eu te diria que na gestão o número de mulheres nos espaços de poder nunca  foram tão expressivos . Na própria Seasp, a mão de obra de mulheres no período em que eu assumi era de 90%. Eu entendo que uma cidade tem de ser boa para as mulheres . Se é boa  pra elas, também é pra família que é o núcleo central da sociedade .

 

BLOG- Quando você assumiu a assistência social, disse que  tinha o compromisso de colocar em prática programas inclusivos tanto para a mulher como para a família . Na prática, esse desejo  foi possível?

Sim. Nosso primeiro desafio à época foi promover a busca ativa de pessoas em situação de vulnerabilidade social . Intensificamos isso através de ações volantes no campo e na cidade , incluindo  pessoas no Cadastro Nacional Único. Assim , conseguimos mapear a extrema pobreza .  O resultado desse trabalho foi a ampliação  de 9 mil para 16 mil o número de mulheres no programa Bolsa Família . Foi por isso que implantei o Pronatec . Era necessário incluir não só a mulher  nas políticas públicas . Mas os homens , os filhos por meio da oferta de cursos profissionalizantes. Desta forma, seria possível a tão sonhado autonomia financeira para as mulheres .

 

BLOG- Muita gente critica até hoje , os programas de distribuição de renda . Como é que você  avalia, e que resultados isso produziu entre as classes mais carentes?

As vezes temos a grande ilusão de achar que a cidade é rica. Mas, é rica pra quem? Se você analisar os indicadores sociais de Marabá, , um estudo feito pela UNIFESPA mostra que a renda média de metade da população é de R$ 420,00 mês, principalmente de mulheres . No governo do João , acompanhei pessoalmente a busca de famílias morando embaixo de árvores, sem documentos, vivendo da fraternidade das pessoas. Eu penso que os programas de distribuição de renda socorrem na urgência, trazem dignidade. Mas a grande meta deve ser a superação da extrema pobreza e não a manutenção de famílias sob a tutela do Estado . Educação é direito de todos e só ela produz em nós o desenvolvimento intelectual que precisamos pra avançar em  melhoria da condição de vida

 

BLOG – Como era a conexão entre a Seasp e as demais secretarias do governo?

O João tinha clara a ideia de que a proteção social  deveria envolver  os esforços de todos . Na prática, para estar no Bolsa Família era necessário frequentar a escola e também fazer o acompanhamento de peso na saúde . Isso nos permitiu integrar ,  melhorar indicadores sociais como a elevação no ganho de  peso de crianças antes desnutridas assim como de mulheres grávidas. Mas, temos a clareza de que,   pobreza e desigualdade,  sempre serão os grandes desafios de uma gestão . Um  problema de raízes . Hoje, o horizonte é nebuloso . Desemprego crescente , precarização do trabalho , tudo está mais caro . Não se vê efetivamente, um ataque as causas dessa imensa desigualdade . Como mulher, sofremos todo o impacto desse cenário e os números mostram isso. Perdemos postos de trabalho pra cuidar dos filhos na pandemia , nós conseguimos voltar ao mercado de trabalho Não nós é dada a nós qualquer alternativa  para superar esse cenário . Isso importa . Sobreviver é preciso .

 

 BLOG- Diante desse cenário que você detalhou , que mensagem você deixa para as mulheres nesta semana internacional do Dia da Mulher?

Nós, mulheres, todas nós, existimos para ser felizes, para ter e cuidar da vida e não para enterrar tantas de nós, vítimas de violências. Nós, mulheres, não nascemos para morrer de fome, nascemos para trabalhar, , produzir, construir, cantar, dançar… Somos raiz e demonstramos em tantos momentos da história a nossa força