Belém ganhará parte do “Portal Amazônia” em janeiro

Publicado em 24 de outubro de 2011

 

 

Semana passada, o blog entrevistou o prefeito de Belém.

Durante encontro do pôster com Duciomar Costa (foto), num restaurante da capital, vários assuntos foram abordados: obras em andamento na cidade, o futuro político do prefeito, estratégias para as eleições de 2012, além dos inevitáveis questionamentos sobre ações do Ministério Público contra a atual administração da capital.

Imagem gravada no iPhone4

Gravada em três estágios, uma das partes da entrevista não foi salva no gravador digital por pura falta de atenção do blogger. Reproduziremos, a seguir, o que restou do longo depoimento do prefeito.

Esclarecendo aos leitores do interior que ainda não tenham tomado conhecimento da configuração das obras do chamado projeto “Portal da Amazônia, adiantamos que a intervenção urbana prevê construção de uma longa avenida beira-rio, às margens do rio Guamá, com sete quilômetros de extensão, saindo do Mangal das Garças e chegando a UFPA, com três faixas de rolamento por sentido, ciclovia, calçadão com praças, playgrounds, quiosques, e quadras poliesportivas.

 

 

 

Sábado retrasado, percorrendo, de carro e de lancha, a orla em construção, vi o avançado estágio das obras do Portal da Amazônia que a prefeitura de Belém executa. Como tenho grande afeição a todo tipo de intervenção que coloca o homem de frente para os rios, não tenho receio em afirmar que Belém, em sua história recente, terá duas fases: antes e depois do portal da Amazônia, totalmente concluído o projeto. Por que até hoje a obra não andou como deveria ter avançado nesses dois mandatos de sua gestão?

Na verdade, se nós tivéssemos encontrado as finanças do município numa condição satisfatória , essa obra certamente já estaria concluída. Infelizmente, quando assumimos o governo municipal, a prefeitura de Belém tinha 28 anos que não fazia superávit primário. Isso quer dizer, não tinha possibilidade de captação de recursos. Então nós passamos a trabalhar isso, foi muito duro no início, os primeiros três anos de meu governo, totalmente dedicados a fazer esse saneamento, sanar dívidas e aumentar a questão do superávit primário. A partir daí foi que passamos a ter a possibilidade de buscar recursos . Então, tudo demorou bastante, mas graças a Deus, isso é passado e o que nós temos hoje realmente é um projeto que, sem dúvida, como você falou antes, vai dividir a história recente de Belém, antes e depois da nossa administração.

Eu acho que Belém teve dois momentos.

Teve o primeiro momento com Antonio Lemos, e agora está tendo o segundo momento com a nossa gestão.

O Portal Amazônia, é uma obra que marca definitivamente a história de Belém. Coloca Belém, novamente, de frente pro rio, além de dar uma fluidez para o trânsito, porque nós estamos construindo um verdadeiro rodoanel na cidade, dando condições para que o transito possa fluir, criando, paralelamente, um espaço alternativo. Você sabe que a violência tem tudo a ver com a falta de atividades. Os nossos jovens de Belém estão sendo criados numa cidade que não oferece espaços. E ali vai ser disponibilizada uma área de lazer em volta de toda a obra. Cerca de sete quilômetros de espaço oferecendo quadras, aparelhos esportivas, verdadeiros nichos públicos de lazer. Realmente, o portal é uma obra importantíssima para Belém abrangendo dez bairros beneficiados. Ou seja, o projeto não disponibiliza apenas uma orla. Geralmente, quem passa pelos arredores das construções só vê a orla, sem saber que no seu entorno existe uma revolucionária alteração urbanística da cidade.

O que nós estamos fazendo é um controle das águas de Belém, que causam, sempre, enchentes históricas na cidade já que Belém está abaixo do nível do mar. Com essa obra de infraestrutura, vamos fazer a macrodrenagem e a microdrenagem de todos os canais da bacia da Estrada Nova. Para quem não sabe, nós temos quatorze bacias em Belém com 32 Km de canais na cidade.

Então, isso está sendo trabalhado. São obras que político nenhum gosta de fazer até porque isso não aparece politicamente, mas que são de importância fundamental .

Nós estamos falando aqui de obras de infraestrutura, mas na verdade nós poderemos estar aqui ressaltando investimento na saúde, porque você vai tirar as pessoas que vivem hoje numa condição indigna, em cima de palafitas que muitas vezes não tem um sanitário, que moram sobre assoalhos e em baixo convivem com as fezes, pessoas sujeitas, principalmente as crianças, à doenças diarréicas e infecontagiosas ,enfim, doenças de todas as espécies e, que no momento em que se muda a realidade de vida dessas famílias, você está fazendo investimento na saúde porque certamente essa pessoa deixa de freqüentar mais as unidades de saúde, ganhando com isso uma condição de vida melhor.

Quando se investe cada real na área de saúde, você deixa de gastar dez reais com a saúde curativa. Em outras palavras, estamos fazendo, com essa obra do portal, investimento em saúde preventiva.

Todas aquelas palafitas alojadas em cima dos canais, estão sendo retiradas. Seus moradores estão ganhando novas casas, morando com dignidade.

O Portal Amazônia é um projeto completo, respeitando, inclusive, aquele pequeno comerciante. Aquele que tem a máquina de açaí para sustentar a sua família, vai ter espaço comercial em toda a extensão da área urbanizada. É uma obra completa, que foi muito bem estudada, pensando não em tirar as pessoas dali, mas melhorar a qualidade de suas vidas no próprio habitat. Tanto é assim que o projeto determina que as pessoas não podem se afastar, mesmo remanejadas, mais de um quilometro da moradia original, pela convivência social e pelo sentido de melhorar verdadeiramente o modo de viver de quem está realmente na área, fazendo um ordenamento urbanístico capaz de transformar, para melhor, a vida daquelas pessoas.

Portanto, eu realmente me empolgo muito falar dessa obra porque, sem dúvida, amanhã, eu estarei saindo da prefeitura, e quero que meus netos e bisnetos tenham orgulho de poder ver essa transformação. E ver Belém na condição, realmente, de Metrópole da Amazônia como a maior cidade da linha do Equador com essa condição garantida.

O senhor considera possível entregar essa obra ainda em seu mandato?

O primeiro trecho do Portal Amazônia (algo em torno de dois quilômetros) nós iremos entregar no aniversário de Belém (12 de janeiro), já estamos, inclusive, cuidando de organizar a festa para poder fazer a entrega com a obra funcionando. Ou seja, em plena atividade, com o tráfego de veículos, ônibus; não somente a orla, mas considerável trecho da Estrada Nova que está recebendo agora todo o sistema de drenagem, sistema de controle de água e comportas – assim como também a orla. Então, todo o conjunto que compreende a Mundurucus será entregue em janeiro, no aniversário da cidade.

Esse tipo de obra bem que poderia ser implantada em todos os municípios banhados por rios e igarapés, harmonizando a condição de cada uma ser um pedaço de chão da Amazônia. Se cada cidade tivesse sua orla, as pessoas se sentiriam mais libertas, com autoestima elevada em seus locais de origem, disso não tenho dúvida.

Com certeza. O Pará é um Estado pujante que parou ao longo do tempo, e eu sempre tenho questionado isso. O paraense ficou numa pequenez de pensamento e acabou se recolhendo e, com isso, causando até esse sentimento separatista que se espalha por algumas regiões. Tudo fruto de que? Fruto de uma falta de engenharia administrativa capaz de poder levar os benefícios que pudessem realmente contemplar essas áreas. Hoje, o que você vê,  é o reflexo da falta dessa engenharia administrativa correta, capaz de levar esses benefícios como a obra de Portal Amazônia que estamos construindo, para outros municípios cortados por belos rios, principalmente nas bacias do Araguaia, Tocantins e Tapajós. O Pará é um estado que tem uma configuração geográfica natural maravilhosa que poderia ser muito bem trabalhada. Infelizmente, perdemos muito tempo, mas acho que ainda há possibilidade . Importante é corrigir os rumos, é aceitar as críticas de como corrigir os rumos e avançar em direção àquilo que nós precisamos, que é o desenvolvimento de todas as regiões do Estado do Pará, como um todo. Nós temos aí 1.250.000 km (área geográfica do Estado) de oportunidades e precisamos explorar isso e dar as condições verdadeiros para o nosso desenvolvimento. Para isso, exige-se a aplicação de políticas corretas capazes de fazer valer aquilo que realmente somos: um Estado rico de natureza e precisamos fazer prevalecer essa realidade. E para que isso prevaleça, tem que se aplicar políticas necessárias para fazer valer nossa pujança.

O senhor tem origem no interior do Estado, nascido em Traquateua. Acostumado a vivenciar carências dos municípios interioranos, o senhor compartilha com a ideia de que é preciso dividir o Estado para que as regiões mais afastadas da capital, como sul e Oeste, possam ganhar qualidade de vida e encontrar seu desenvolvimento?

Em primeiro lugar, precisamos reconhecer o sentimento dessas pessoas que moram não apenas no Tocantins, como no Tapajós. Eu acho que o sentimento deles é real, e o que fez com que isso viesse acontecer, foi a falta de uma política administrativa capaz de corrigir as distorções. Entendo esse sentimento, acho que ele é verdadeiro. Só tem um detalhe: não vejo a divisão como solução. Muito pelo contrário. O que precisamos é de uma reengenharia administrativa para poder levar aquelas regiões à condição necessária de desenvolvimento. Nós tínhamos que começar isso, olhando, primeiramente, para a nossa condição política. Não podemos esquecer que o Estado do Pará não tem razão para comemorar o fato da adesão do Estado à Federação. Entendo que hoje, assim como no passado, o Brasil foi colônia de Portugal da mesma forma hoje temos um Estado colônia do Brasil. É preciso rever o pacto federativo, impor a nossa condição de um Estado pujante, que contribui significativamente para a consolidação da balança comercial e influencia sobremaneira o desenvolvimento do país; e fazer valer esse nosso direito para que possamos aplicar uma reengenharia administrativa capaz de atender o apelo dessas regiões que hoje estão realmente precisando de uma resposta, política e administrativa, da atual gestão.

O senhor já foi senador e está em seu segundo mandato como prefeito de Belém, com mais de 1,5 milhão de habitantes. Com esse peso político, não acha que deveria estar consolidando maior influencia do PTB no interior do Estado, exercendo maior poder de voz junto a prefeitos e demais agentes políticos?

Eu acho que tudo ao seu tempo. Hoje, eu tive essa condição de estar aqui como prefeito de Belém, onde eu tenho que dar respostas para essa população que me elegeu por duas vezes seguidas. Como a mim foi confiado esse papel, tenho que me dedicar a ele sabendo o quanto é difícil enfrentar essas situações que enfrentamos em relação a gestão pública de Belém. Vamos concluir nosso mandato, com fé em Deus, sendo bem avaliados pela população.

Em 2008, o PTB elegeu 14 prefeitos. Qual sua expectativa em relação a eleição de 2012? O PTB tem estratégia para aumentar o número de prefeitos aqui no Pará?

O PTB trabalha para isso. Eu entendo que as eleições municipais são fundamentais porque elas representam a base de toda sustentação partidária, e nós temos que trabalhar isso. Embora tenhamos vivido agora uma situação inusitada em relação a questão da criação desse novo partido (PSD) que aqui no Estado trouxe algumas consequências de última hora, em função da retirada de algumas lideranças nossas dos municípios, mas temos certeza de que o PTB vai crescer bastante, e que isso é importante para o Pará. Temos que mostrar nossa capacidade administrativa e, um dos principais motes pra isso é mostramos o que nós estamos fazendo aqui em Belém. Acredito que isso, sim, serve de exemplo pra todos os municípios do Estado. E eu quero fazer com que isso possa ser traduzida em respostas nas urnas para eleger nossos prefeitos dos municípios paraenses.

O senhor sempre aponta a falta de leitos e hospitais no interior do Estado como fator desestabilizador da oferta de leitos e do aumento da demanda nas unidades hospitalares de Belém. Para amenizar esse desequilíbrio de atendimento público, a simples construção de novos hospitais no interior ajudaria a qualificar o atendimento na capital?

Claro que não! A questão física da construção de hospitais não quer dizer nada. O que nós precisamos é ter realmente a oferta de bons profissionais da área. A problemática da saúde no Brasil não é nem a condição física de instalar hospitais. Observe que nós temos hoje aí em algumas regiões do Estado hospitais que estão como elefante branco. Ou seja, tem hospital, mas faltam médicos. Colocar um hospital para fazer apenas a consulta ambulatorial, não resolve absolutamente nada. O que temos de ter é estrutura descentralizada. O que não está correto é uma pessoa lá no Sul do Pará receber uma bala no corpo e ter que vir batendo numa ambulância, até Belém, sangrando, para poder chegar na capital e dar o último suspiro na porta do pronto-socorro, porque é a única porta aberta dentro do Estado. Isso é um absurdo, que tem que ser corrigido. E não é fazendo hospital, não! É dando estrutura e condição para que esses hospitais possam ter, não só a média, mas também a alta complexidade. Isso é o que o Estado até hoje não teve condição de fazer. Nós não temos esse trabalho em nenhum município do Estado, a não ser Belém,. Essa concentração é errada. Temos que descentralizar, urgentemente. Como exemplo, você sabe que uma pessoa quando é acometida de infarto do miocárdio, ela morre em questão de minuto – se à mesma não forem oferecidas condições necessárias de fazer um atendimento de urgência! Imagine, o Estado com essa dimensão que tem o Pará, e a pessoa ter que atravessar o território inteiro para poder receber auxílio na capital, isso é um absurdo! Tem que ser observado, tem que ser resolvido de imediato.

O “projeto Almir Gabriel”, como assim podemos designar o ingresso no PTB do ex-governador do Pará, de certa forma causou surpresa e burburinhos, além de ter revelado um lance estratégico  articulado com sucesso nos bastidores. A candidatura de AG deve alterar significativamente o processo eleitoral de 2012. Desde quando o PTB estava com essa carta na manga?

Eu sempre pensei (no nome de Almir), até porque o meu projeto não é pessoal. Eu acho que a minha atitude mostra isso. Não tenho projeto pessoal, tenho sim, agradecimento e responsabilidade com o povo de Belém. Depois de passar oito anos construindo uma máquina como a que está hoje a da prefeitura, azeitada, com condições e recursos significativos, eu não poderia deixar essa prefeitura na mão de qualquer um. Eu tenho responsabilidade de poder procurar pessoas que tenham, realmente, zelo com a coisa pública, que tenham, comprovadamente, um passado capaz de corresponder nas urnas, e é por isso, sim, que o nome do doutor Almir é muito bem vindo. Não apenas Belém, mas o Pará e o Brasil, conhecem a pessoa do doutor Almir, respeitada como um grande administrador, e pelo que realmente ele comprovou como homem público. Então, eu fico muito feliz com a vinda do doutor Almir para a legenda do PTB, e espero que o partido, em sua convenção, sem dúvida alguma, o PTB festeje a vinda do doutor Almir, esperando que o futuro dessa cidade possa estar devidamente garantido nas mãos de pessoas que tenham realmente compromissos com a população.

Como está a relação do prefeito Duciomar com o governador Jatene? Estaria havendo alguma rusga impedindo entendimentos político-administrativos entre o senhor e ele?

Não existe isso. Eu sempre tive carinho e um respeito muito grande pelo governador Jatene e continuo tendo. Acho ele uma pessoa competente administrativamente, aposto muito e acredito no governo dele. Não existe isso. O governador faz a política dele, eu faço a minha, e não temos nenhuma dificuldade de entendimento – apenas questões políticas necessitam ser respeitadas, à parte . O governador tem o partido dele, eu tenho o meu, e não temos nenhuma dificuldade de entendimento.

Quando terminar sua missão na prefeitura de Belém, qual seu projeto político?

Eu penso uma coisa de cada vez. Atualmente, dedico meus pensamentos exclusivamente para terminar meu mandato de prefeito em alto estilo e deixar, para o próximo gestor, todas as possibilidades dele não encontrar dificuldades como eu encontrei, quando assumi em meu primeiro mandato. Quero deixar uma estrutura administrativa para que meu sucessor possa dar continuidade a esses grandes projetos que estão em andamento na cidade. Essa é minha preocupação atual, e que me deixa feliz, poder ver que a minha cidade vai ter seguimento, principalmente em projetos como o BRT (Bus Rapid Transit – trânsito rápido de carros/ônibus , modelo de transporte coletivo de média capacidade) que pretendemos iniciar ainda este ano, e que, sem dúvida, vai dar à cidade a condição de trafegabilidade em todo o corredor das avenidas Augusto Montenegro e da Almirante Barroso, que receberão esse sistema moderno, tipo metrô. Talvez o BRT não esteja concluído em meu governo, mas garanto que o deixarei em condição irreversível de continuidade – com a responsabilidade do próximo gestor concluí-lo. São projetos como esse que preenchem o meu dia a dia e meus pensamentos com a certeza de que, no momento em que eu entregar a faixa de prefeito ao meu sucessor, possa estar entregando, também, a chave da cidade consciente do dever cumprido, principalmente, tendo a possibilidade de entregar o cargo a uma pessoa capaz de dar seguimento a todos esses projetos.

Essa pessoa seria Almir Gabriel?
Doutor Almir Gabriel é um grande nome. Sem dúvida, seu passado responde por tudo de bom que ele fez pelo Estado do Pará e dentro de Belém. Eu espero, sim, que a convenção possa homologar seu nome. O PTB, em verdade, tem bons nomes para apresentar e o do doutor Almir é muito bem recebido dentro da legenda.