Hiroshi Bogéa On line

Batendo tambor

Os índios Xicrins não desistem nunca.

Hoje cedo, eles voltaram a ocupar a sede da FUNAI, em Marabá, exigindo a presença do presidente do órgãol, para definir de vez   a assinatura do convenio com a VALE destinando repasse  de  aproximadamente R$ 450 mil  pela exploração do minério de ferro de uma área pertencente aos indígenas, em Parauapebas.

Atualmente o controle da verba é feito pela Funai. Os índios reivindicam que o repasse seja feito pela Associação Porekrô, formada por índios xicrins.

A verba atende a três aldeias xicrins, a dos Catetes, dos Djudjeko e a do Oodjo, localizadas em Parauapebas.

Pintados para guerra, eles estão lá, lembrando a luta dos gauleses  contra o Império Romano gostosamente contada em Asterix. 

É desse jeito a imagem fictícia transportada para a realidade.

Um conflito a se arrastar entre opostos literalmente distintos: os silvícolas cobrando ajuda financeira de uma poderosa mineradora, a segunda maior do mundo.

Ao longo dos anos, a VALE sempre demonstrou desinteresse em recompor parte das riquezas retiradas das terras dos rebelados índios, alegando ser vítima de chantagens e do consumismo incontrolável de suas principais lideranças. De outro lado, vozes da antropologia nacional apresentam resultados de estudos sobre o impacto da monetização sobre os hábitos de vida dos xicrins, constatando que ela trouxe problemas como a reprodução da desigualdade social do mundo capitalista nas aldeias e o consumismo.

E, sempre é bom lembrar, foi a própria Vale que, a partir de 1999, assinou contratos para repassar o dinheiro diretamente às associações indígenas, tirando da Funai o papel de intermediária. Dessa forma, os índios ficaram dependentes, cada vez mais,  da “mesada” da mineradora, endividando-se  no comércio por conta do que teriam a receber da empresa.

A história da Vale com os xicrins -e com outras tribos com igual potencial explosivo- tem uma sucessão de erros que comprometem cinco governos.

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