Hiroshi Bogéa On line

Batalha pela Alpa – Parte 1

O blogger aguardou a bola assentar, depois de uma semana da entrega da licença operacional da Alpa, para colocar os verdadeiros pingos nos is, rastreando algumas manifestações, isoladas, bem verdade, de figuras da área política que tentaram desviar de Ana Júlia os méritos pela conquista da siderúrgica que está sendo construída em Marabá.

Algumas personalidades ajudaram no processo, particularmente o presidente Lula, mas os fatos ocorridos durante a desgastante e tumultuada batalha comprovam, sem nesgas de dúvidas, a participação decisiva da governadora do Estado.

Numa série de cinco artigos, o blog contará como essa história se desenvolveu ancorado em fatos vividos (e testemunhados!) pelo poster em diversas ocasiões.

Em verdade, a batalha começa a partir do dia 12 de maio de 2007, cinco meses de empossado o governo do PT, quando Ana Júlia participa da plenária do Planejamento Territorial Participativo, realizada no Ginásio Esportivo Renato Veloso, com a presença de mais de 2 mil pessoas, em Marabá.

Três dias antes do evento, o poster recebeu telefonema de Gilberto Leite, amigo-irmão e parceiro de jornadas ao longo de 27 anos de fraterna amizade, para participar de reunião na Associação Comercial e Industrial de Marabá, onde ele presidiria discussão destinada a tratar do que seria apresentado ao governo durante a plenária.

– É desta vez ou nunca, a oportunidade que temos de estimular mais um governante do Estado a se engajar na luta por antigos sonhos da região. Precisamos sensibilizar a Ana Júlia a se engajar na disputa pela siderúrgica da Vale, além de mostrar a ela outras necessidades históricas da região Sul do Estado, particularmente de Marabá.

Afirmação acima é de Gilberto Leite, devidamente gravada em arquivo aqui da VídeoV, na histórica reunião em que ele definiu as linhas mestras do discurso que faria na plenária do PTP.

Entre algumas justificativas para a crença que tinha de que Ana Júlia poderia abraçar a extensa pauta de reivindicações do setor produtivo de Marabá, Gilberto enumerou a ligação da governadora com a região, o profundo conhecimento dela dos problemas locais e, principalmente ( está gravado aqui na produtora), “a sensibilidade política e popular que ela sempre demonstrou possuir “.

Apoiado pela diretoria da ACIM, Gilberto pediu a mobilização de todos os associados para que levassem o máximo de espectadores ao ginásio.

Terminada a reunião, ele pegou o blogger pelo braço pedindo para que fossemos até sua casa redigir, a quatro mãos, o discurso do dia 12 de maio.

Nesta primeira parte da série de artigos, reproduzimos, a seguir, trechos selecionados do discurso de oito minutos que Gilberto Leite fez no ginásio diante de imenso público, todo secretariado estadual e da governadora.

Os trechos negritados são do blog para posteriores comentários.

Observem bem as partes grifadas.

(…)


A Região de Integração Carajás, formada por doze municípios e tendo Marabá como Cidade-Pólo, segundo estudos realizados recentemente tem projeção de crescimento médio anual de 18%, nos próximos dez anos, conseqüência natural dos projetos da Companhia Vale do Rio Doce e da consolidação da atividade industrial. Esse crescimento estimado necessita, no entanto, de investimentos paralelos principalmente na área de infra-estrutura, daí a nossa expectativa quanto ao inicio e conclusão das obras de pavimentação da BR-230 (Rodovia Transamazônica) e as eclusas de Tucuruí.

Cito essas duas obras porque a conceituação dos Corredores de Exportação e de Transporte já não se apresenta tão somente associada ao elenco de projetos destinados à implantação de uma infra-estrutura adequada ao escoamento das grandes massas, mas sim, está ligada a toda uma estrutura de produção, comercialização, transporte e consumo, com origem nas estradas vicinais ou nos sistemas mais simples de armazenagem na fonte da produção, até aos grandes eixos viários de escoamento, complexos portuários e terminais nas áreas dos grandes portos.

Os Corredores de Transportes, em seu sentido mais amplo, são traduzidos pelo conjunto de sistemas integrados, em que vias, veículos, redes de armazéns, terminais e instalações portuárias possibilitam a estocagem e o transporte de grandes massas, de modo racional e a custos menores, mediante uma operação coordenada.

A reboque da necessidade de ampliação desses corredores, temos dois desafios no sentido de completar a planta infra-estrutural de nosso desenvolvimento: a ampliação do aeroporto de Marabá e a definição do local e construção do Porto da cidade diante da iminente realidade das eclusas de Tucuruí, que forçosamente viabilizará o transporte multi-modal através da Hidrovia Araguaia-Tocantins. A partir daí, o transporte hidroviário retomará o seu papel.

Postas essas condições, tenham certeza de que um estrondoso crescimento de exportações colocará à prova a capacidade de operação dos portos paraenses.

Precisamos do governo do Estado na busca de viabilizarmos esses dois projetos.

Governadora Ana Julia, o desenvolvimento do Pará e do Brasil passa por Marabá -, disso não temos nenhuma dúvida. Nesse contexto, a formatação gerencial do Distrito Industrial do município precisa ser rediscutida. Enquanto ainda se comenta a possibilidade do CDI ser extinto, precisamos urgentemente reagir a essa tese e fortalecê-lo. Como podemos falar em verticalização sem Distrito Industrial?

Precisamos não apenas direcionar um novo modelo de gestão, mas ampliá-lo territorialmente de maneira a proporcionar uma ocupação industrial racional e harmônica com o meio ambiente, somando-se a uma infra-estrutura de transportes, energia, água, habitação e comunicação.

Dentro de suas dependências, estamos assistindo a implantação de um projeto fantástico de transformação do ferro-gusa. A SIMARA (esta empresa adquirida por um grupo empresarial cearense, surgindo daí a SINOBRÁS) com investimento da ordem de U$ 100 milhões de dólares (este valor foi ampliado para U$ 400 milhões) encontra-se em estágio bastante avançado no seu processo de verticalização para produzir muito em breve arame liso, perfilados e uma linha de produtos industrializados originários do ferro-gusa

O nosso distrito industrial oferece vários atrativos, principalmente se avançarmos em sua diversificação. A Associação Comercial e Industrial de Marabá e a sociedade de modo geral não se conformam em comprar móveis na região importados do Sul do país, quando temos potencialidade para implantar nosso próprio pólo moveleiro, uma atividade econômica potencialmente arrecadadora de impostos e geradora de milhares de empregos.

Podemos perfeitamente desenvolver no Distrito Industrial um projeto de produção de móveis em escala industrial desenvolvendo um modelo sustentável e fomentador de renda.

Governadora, Senhoras e Senhores:

No momento em que o governo do Maranhão declara não haver mais interesse em estimular a implantação naquele Estado da siderúrgica chinesa da Baosteel Shanghai Group Corporation, em parceria com a Vale do Rio Doce, entendemos perfeitamente ser possível o Estado do Pará, particularmente Marabá, voltar à disputa desse empreendimento.

Como sabemos, esse pólo siderúrgico envolve uma ampla negociação da qual fazem parte, diretamente, os poderes executivos federal, estadual e municipal. A iniciativa de instalação do pólo siderúrgico está articulada a um conjunto de medidas de desenvolvimento destinadas à exploração do potencial mínero-metalúrgico de Carajás

A implantação do Projeto Salobo, cujos trabalhos tiveram início com investimentos liberados, virá consolidar nesta região um complexo mínero-metalúrgico capaz de desencadear a de atração de outros empreendimentos ligados à cadeia produtiva da qual ele é base.

Quanto à sua integração sócio-econômica ao espaço estadual, o Projeto Salobo se expressará a partir das relações com o mercado de trabalho regional, com o sistema produtivo, com as comunidades regionais através dos segmentos organizados da sociedade civil e das relações com o ecossistema regional.

Até o final de 2010, somente a Vale do Rio Doce investirá aproximadamente aqui na área cerca de U$ 8 bilhões de dólares (valores atualmente irrisórios ao que a mineradora deverá fechar o ano).

Governadora Ana Julia:

Esse boom que nos aguarda, em sua fase inicial de ebulição, necessitará, no entanto, da presença forte e decidida dos governos Estadual. Um dos grandes problemas já detectados é a carência de mão de obra qualificada. Quase todas as empresas regionais enfrentam dificuldade para contratar e investem na formação de profissionais. Mas isso não resolve o problema.

A partir de agora, a Vale do Rio Doce vai precisar contratar pelo menos 3,8 mil funcionários até o fim deste ano de 2007 se quiser crescer no ritmo planejado. O volume gigantesco de contratação lembra mais a Índia que o Brasil. O problema é que a Vale e outras empresas não encontram gente suficiente para as funções mais básicas, como eletricista, soldador, mecânico, operador ferroviário e técnico de mineração, que representam o grosso das vagas. De novo, nem parece Brasil. No país onde mais de 10% da população economicamente ativa está desempregada, sobram vagas por falta de qualificação.

O problema é grave. E não afeta só a Vale. Todas as empresas regionais têm pressa, precisam fazer contratações e enfrentam o mesmo desafio. Como nesse caso brecar o crescimento significa prejuízo, as empresas decidiram fazer o papel da escola. O Estado precisa entrar nesse processo, estimular o conhecimento.

(…)

Marabá assumiu há tempos a condição de pólo regional. Começou timidamente com a implantação de núcleos de Ensino Superior e foi se espraiando até chegar ao ponto em que estamos. E sem retorno. Estamos precisando urgentemente, governadora , da criação da Universidade Federal do Sul do Pará, tal qual Vossa Excelência anunciou recentemente em Santarém, com a inclusão de cursos de Medicina; Ciência e Tecnologia.

Consideramos até que a UEPA poderia antecipar essa expectativa, estendendo até o município seu qualificado curso formador de médicos.

Um dos maiores problemas na área social, não apenas aqui, mas em quase todo o país, é a questão de saúde pública. Como oferecer saúde de qualidade se não temos médicos?

Numa visão pontual, o crescimento vertiginoso do município está a exigir a melhoria de nossas vias urbanas. O Estado bem que poderia entrar com sua parcela de contribuição investindo na duplicação da Pa-150, no trecho compreendido entre a ponte rodoferroviária e o Distrito Industrial, pontos onde ocorrem acidentes diários evido o imenso tráfego de máquinas e veículos pequenos e grandes.

Temos acompanhado atentamente os esforços de seu governo no sentindo de atender socialmente o povo do Pará. A isenção de ICMS para contas de consumo de luz de até 100 kWh e redução da alíquota de ICMS de 25 para 15% para quem consome de 101 a 150 kWh foi uma medida de governante realmente preocupada com as camadas mais pobres.

Do outro lado da linha, seu governo agiu com competência e sensibilidade ao reformular a alíquota de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do boi em pé, para 4,8%. Essa medida irá favorecer colocar um freio de arruma;cão no mercado.

Governadora Ana Julia:

Com a ajuda de Deputados Federais, Estaduais e Vereadores, a atual diretoria da ACIM, nesse começo de mandato, tem trabalhado intensamente na busca da sustentabilidade de toda a cadeia produtiva da região, não se restringindo apenas ao Distrito Industrial.Temos consciência de que esse é o caminho. Da mesma forma que entendemos estar havendo esforços por parte de vosso governo para resolver entraves relacionados a Reserva Legal e a falta de titularização das propriedades. Nosso compromisso de continuar lutando para a adequação de todas essas demandas continua de pé.

Apelo para que Vossa Excelência determine a implantação em Marabá de um braço da SECTAM (hoje SEMA), com autonomia para resolver todos os problemas do setor. Não podemos continuar dependendo das viagens a Belém para sanar questões que podem ser discutidas aqui mesmo.

Nesse ponto, vem a cena da questão da Descentralização Administrativa do Governo do Pará, compromisso assumido durante a campanha e que é antigo pleito de todo cidadão que mora no Sul e Sudeste do Pará.

Governadora do Estado; Senhoras e Senhores:

A Associação Comercial e Industrial de Marabá, através de sua diretoria, está preparada para provocar e participar ativamente do debate regional.

Muito obrigado.

———————Amanhã, prosseguiremos.

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