Hiroshi Bogéa On line

Batalha pela Alpa – Parte 3

No primeiro encontro formal das lideranças empresariais de Marabá com Maurílio Monteiro, secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, alguns dias após Ana Júlia realizar em Marabá a audiência do Planejamento Territorial Participativo, setor produtivo da região retornou de Belém com ânimos estimulados, depois de conhecer uma pré-agenda do governo do Estado voltada para a Região Sul – grande parte em consonância com as reivindicações apresentadas por Gilberto Leite durante discurso no encontro do PTP, representando demandas antigas da sociedade regional.

Maurílio impressionou diretores e associados da ACIM ao falar em desenvolvimento integrado, defendendo ganhos em tecnologia, ciência e preservação de meio ambiente.

Para surpresa de todos, Monteiro antecipou notícia que rondava os meios produtivos do Pará, àquela época, sem confirmação oficial: a desistência formal do grupo chinês Baosteel Shanghai Group Corporation de participar da construção de uma siderúrgica de aço em São Luís, em parceria com a Vale, reforçando o que dissera Gilberto, em discurso, de “ser perfeitamente possível o Estado do Pará, voltar à disputar a implantação de empreendimento idêntico, em Marabá”.

Maurílio não apenas confirmou o fato, como assegurou aos presentes já estar direcionando ações, por determinação da governadora do Estado, para o Estado voltar a entrar na disputa pela conquista do empreendimento que o governo do Maranhão tanto lutava para nos subtrair.

Ninguém, jamais, aceitaria, outra vez, o Maranhão levar o bônus da extração mineral paraense.

Como as ações representavam movimentos políticos de bastidores, a diretoria da ACIM soube apenas, na mesma audiência no gabinete de Maurílio, de encontro agendado em Brasília para Ana Júlia ser recebida pela então ministra da Casa Civil, Dilma Roussef.

Dez dias depois, a governadora e Maurílio se encontraram verdadeiramente com Dilma, oportunidade em que foi relatada a necessidade do Pará receber da Vale atenção diferenciada, objetivando tornar menos injusta distribuição de riquezas, sempre cambando favoravelmente para o lado da mineradora na exploração do minério extraído do solo paraense.

Dilma concordou com todos os pontos dissecados por Ana, prometendo intervir junto ao presidente Lula.

Na mesma reunião com a classe empresarial marabaense, ainda em 2007, o chefe da Sedect fez espécie de avant-première do programa NavegaPará e da proposta, em fase de elaboração, de instalação do Fórum Paraense de Competitividade, destinado a reunir as principais lideranças de produção econômica para a discussão de propostas de desenvolvimento do Estado.

A exposição pedagógica de Maurílio Monteiro demonstrava aos diretores e associados da ACIM a formatação de um novo modelo de desenvolvimento para o Estado, priorizando o conhecimento e a verticalização.

O desastre que representava para a implantação da política de industrialização do Estado, a extinção da Companhia de Distritos Industriais do Pará seria contornada. O chefe da Sedetc garantia já haver decisão de Ana Júlia revogar ato de Simão Jatene ressuscitando o órgão.

Mais: o governo estava decidido a investir pesado na recuperação dos distritos de Marabá, Barcarena e Icoaraci.

Para que todas as ações em direção a verticalização ganhassem “liga”, importante seria estar atento para que o governo federal levasse em frente decisão de concluir as obras das eclusas de Tucuruí, tirar do papel a hidrovia Araguaia-Tocantins e trabalhar em direção a formação de mão-de-obra qualificada, com investimentos em ciência e tecnologia.

Esse discurso foi amplamente defendido por Maurílio, na reunião, culminando com a notícia de que sua secretaria estava trabalhando na conclusão do projeto de implantação de três Centros de Tecnologia, em Belém, Santarém e Marabá.

Único assunto da pauta tratada junto ao titular da Sedect que não mereceu indicativo de que sensibilizaria o governo, naquele instante, foi quando se tratou da questão da Reserva Legal. Maurílio, inicialmente, demonstrou preocupação em ampliar de 30 para 50% o aproveitamento de áreas plantadas, de acordo com a vontade de empresários do setor florestal.

Estrategicamente, o tema foi deixado de lado.

O mais importante, para a diretoria da ACIM, era de que o novo governo do Estado tinha um plano de ação, recebia a sociedade para dialogar e prometia defender, a todo custo, a luta pela verticalização do aço produzido no Pará.

No quarto artigo desta série sobre a Alpa, o blog contará, amanhã, detalhes do primeiro obstáculo, no Governo Ana Julia, para a implantação da siderúrgica em Marabá: a disseminação de atitudes fora da legalidade de grande parte dos guseiros do Distrito Industrial de Marabá, que empurrou Ana Júlia a apoiar publicamente ações repressivas dos órgãos fiscalizadores a por um freio na bagunça.

Só ficará no Estado aquele empresário que quiser trabalhar dentro da legalidade, disse Ana.

Mas isso é história pro artigo de amanhã.

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1 Comentário

  1. Hiroshi Bogéa

    13 de abril de 2010 - 01:29 - 1:29
    Reply

    Camarilha, se tu não ficasses no anonimato, te responderias à altura. Eu tenho um blog: tudo o que escrevo, assino. Vem, desmentes minhas afirmativas. Não, tu não desmentes. Por isso, covarde, pensas que te levarei à platéia. És do grupo que torces contra Marabá. Tua posição política conheço, e te combaterei, sempre. És um mal pra Marabá, safadana.

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