Aeronáutica se omite e não pune militar criminoso

Publicado em 17 de janeiro de 2012

 

 

Célia do Socorro Trindade Pinto, irmã  do agente de trânsito Adauto Melo, assassinado pelo militar Victor Hugo da Rocha em plena avenida, quando trabalhava orientando o tráfego de Belém, publicou em seu mural do Facebook todo desconforto e revolta da família diante dos sinais de impunidade pairando sobre o caso.

O blog reproduz na íntegra a manifestação de Célia:

 

Ontem, 16/01 estivemos no I Comar em audiência com o comando da Aeronáutica em Belém, na pessoa do Tenente Brigadeiro-do-Ar Juniti Saito para saber sobre o andamento do processo disciplinar do Victor Hugo da Rocha, responsável pela morte do meu irmão Adauto Melo, no último dia 26 de dezembro. Para a nossa surpresa, minha e de todos que faziam parte da comissão (Sindicato e associação dos guardas municipais, família e o Movida), não há por parte da Aeronáutica, qualquer procedimento interno disciplinar contra o soldado Victor Hugo.

A justificativa é que a lei não garante à Aeronáutica nenhuma forma de punição anterior à manifestação da justiça, ou seja, enquanto não sair a sentença transitado em julgado, nada podemos fazer, e temos que aceitar o fato de que este delinquente vive sua vida como se nada tivesse acontecido, até que a justiça dê sua sentença final.

Imaginem a minha frustração e de todos que ali estavam ao saber que mesmo estando comprovado o crime, que apesar do flagrante, nada podemos fazer durante o tempo em que correr o processo e todos os recursos possíveis. Muito difícil suportar a ideia de que esse indivíduo pode estar, inclusive dirigindo um carro, uma vez que até onde sei, ele não perdeu a sua habilitação.

Sempre cultivei a crença de que as Forças Armadas, no seu papel de salvaguardar a segurança do povo brasileiro, e em muitos casos, garantir a cidadania, jamais adotaria conduta de neutralidade diante de um atentado à vida causado por um de seus membros, especialmente sendo tal fato fruto de flagrante irresponsabilidade e falta de zelo à vida, sua e de terceiros, e tudo isso sob a égide da lei (ou pela falta dela?). Legal? Pede ser…Justo? jamais!!!!