Hiroshi Bogéa On line

A vez do Pará

Jornal O Liberal, desta quarta-feira, 31, publica artigo assinado pelo  secretário estadual de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Maurílio Monteiro, fazendo resumo retrospectivo da história da indústria do aço, no país, ao mesmo tempo em que expõe a implantação da Alpa, em Marabá, como “um divisor de águas na história da indústria do Pará, não apenas para a atual geração: por agora, serão 16 mil empregos na construção e 21mil (diretos e indiretos), na operação; para as próximas décadas”.

Excelente artigo, na íntegra, a seguir:

História feita de aço



*Maurílio Monteiro

O governo do Estado entrega hoje, em Marabá, a licença ambiental para a construção, pela Vale, da Siderúrgica Aços Laminados do Pará (Alpa). Uma obra que, sob vários aspectos, terá, para as regiões Norte e Centro-Oeste, a mesma importância que teve, para o Brasil, 70 anos atrás, a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Em 1939, a United States Steel, após negociar com o governo Getúlio Vargas a construção de uma siderúrgica, simplesmente voltou atrás e desistiu da obra. A recusa irritou tanto o presidente que quase interfere na posição que o Brasil assumiria durante a Segunda Guerra. A revolta de Vargas geraria a CSN, criada, em 1941, sob os auspícios não de uma multinacional norte-americana, mas do governo federal brasileiro.

De todas as realizações da era Vargas, a Companhia Siderúrgica Nacional é uma das mais louvadas. Basta lembrar que, sem a CSN, o Brasil não teria indústria naval ou automobilística. Um divisor de águas, portanto, na história do país, com conseqüências diretas até hoje na vida de cada um de nós.

Da mesma forma, a Aços Laminados do Pará será um divisor de águas na história da indústria do Pará, não apenas para a atual geração: por agora, serão 16 mil empregos na construção e 21mil (diretos e indiretos), na operação; para as próximas décadas, a Alpa representa o início e a consolidação de um polo industrial no interior do Pará, gerando não apenas impostos e emprego e renda, mas mão-de-obra altamente qualificada, integração estadual via desenvolvimento, atração e construção de novas empresas, verticalização da cadeia do minério, afirmação de Marabá e região como centros regionais, enfim: um novo Pará, com desdobramentos positivos para todo o Centro-Oeste brasileiro.

A CSN e a Alpa também são marcos e resultado de duas formas de governar, ou de duas maneiras de se construir a presença do Estado na vida de um país.

O Estado getulista, como sabemos, tinha orientação nacionalista e a construção da CSN no interior do Rio de Janeiro (em Volta Redonda) inseria-se nesse projeto de nação, como forma de reduzir as desigualdades regionais.

A viabilização da Alpa, com esforços dos governos federal e estadual, se insere num novo programa de nação e de presença do Estado na economia: a do Estado indutor, que promove a concertação de entes com o fim de gerar desenvolvimento, que cria infraestrutura para atrair os investimentos e dá garantia institucional para que os esforços tenham êxito.

Após os últimos governos (do Brasil e do Pará), em que o PSDB, segundo a cartilha neoliberal, pregava a lógica do “Estado mínimo”, entregando as questões econômicas, por exemplo, para a própria dinâmica do mercado, o presidente Lula e a governadora Ana Júlia Carepa tornaram o Pará um palco privilegiado da lógica do Estado indutor: operaram em cooperação com o setor privado, garantindo infraestrutura, segurança institucional, mercado, ganhos sociais, no âmbito de projetos profundos de desenvolvimento como contrapartida aos altos investimentos reivindicados.

Vejam-se algumas dessas obras: eclusas de Tucuruí; hidrovia do Tocantins; ampliação e melhorias do porto de Vila-do-Conde; asfaltamento de rodovias importantes (Transamazônica, PA-150); construção e ampliação de Distritos Industriais (só em Marabá, investimentos de mais de R$ 100 milhões, pelo governo do Estado); federalização da PA-150, de Marabá a Redenção; investimentos em saneamento, habitação, energia.

A Alpa será a primeira siderúrgica de grande porte construída no interior do Brasil (não no litoral) desde o governo militar. Isso porque o governo do Estado não queria apenas uma siderúrgica, mas gerar um polo industrial, sobretudo em torno do segmento metal-mecânico. Para tanto, garantiu incentivos, infraestrutura, parceiros, mercado (o grupo Aço Cearense, por exemplo, a pedido da governadora, formatou o projeto Aline, para produzir em Marabá, a investimentos de R$ 1,5 bilhão, a partir do aço disponibilizado pela Alpa).

Nosso governo também atua diretamente no município de Marabá, para que os investimentos cheguem imediatamente à população: nunca o município recebeu tantas obras de saneamento, habitação e ordenamento territorial.

Por tudo isso, o dia de hoje é um marco. Na história do Pará e do Brasil.
Post de 

2 Comentários

  1. Anonymous

    5 de abril de 2010 - 15:09 - 15:09
    Reply

    Realmente, o modelo de desenvolvimento defendido e praticado pelo Governo do Estado, sob o comando de Ana Júlia, é o melhor que se poderia ter nos marcos de um regime capitalista.
    Nessa formulação, louve-se o trabalho persistente de Maurílio Monteiro.
    Parabéns, Pará.

    Ronaldo Giusti

  2. Anonymous

    1 de abril de 2010 - 18:38 - 18:38
    Reply

    Muito bom mesmo. Parabéns, Maurílio e obrigado Hiroshy por reproduzir aqui.

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *