A sorte dos nossos colarinho-branco

Publicado em 28 de setembro de 2011

 

 

A pintura acima foi recolhida no acervo do museu holandês Rijksmuseum. O autor é desconhecido. Mas os personagens dependurados de ponta-cabeça são Jan de Witt e seu irmão, Cornelius.

Os dois foram linchados em 20 de agosto de 1672, em Haia. Jan era a figura política mais poderosa da República holandesa. O irmão Cornelius havia sido sentenciado ao exílio, sob a acusação de ter conspirado para o assassinato do príncipe Guilherme III de Orange. Jan foi visitar Cornelius na prisão e acabaram ambos como na pintura, sem órgãos genitais, narizes e pontas dos dedos.

O signatário do blog resolveu exibir a pintura aqui por duas razões. Primeiro, pela beleza plástica da obra. Segundo, para realçar a sorte de que desfrutam certas personalidades brasileiras que, como Jan Witt, detém grande poder. Jamais terão o destino do personagem.

A alma brasileira, por pacífica, não é dada a linchamentos. De resto, nesta terra de palmeiras e sabiás, e onde não se vê mais castanheiras, poderosos não precisam visitar familiares na cadeia. Os cárceres não foram feitos para eles. Abrigam apenas pessoas meio pretas e muito pobres.

Pressione AQUI para ir até o sítio do museu holandês Rijksmuseum,   que não está na língua portuguesa.

Mas a arte não precisa de tradução,  para sentí-la.