A repercussão nacional do caso da mulher que pediu açaí para denunciar violência doméstica

 

– Atendente: “Ciop, bom dia, como posso ajudá-lo?”
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Vitima: “Oi, alô, tem açaí, tem?”
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Atendente: “Senhora, você estabeleceu contato com a polícia militar e o corpo de bombeiros. Como podemos ajudá-la?”
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Vitima: “Tem açaí? Quanto tá? Vou lhe mandar o endereço.”
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Atendente: “Repasse o endereço. A senhora está ciente que está mantendo contato com a polícia militar e o corpo de bombeiros?”
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Vitima: “Sim”
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Atendente: “A senhora está em perigo? O que está acontecendo?”
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Vitima: “A senhora já anotou o endereço?”
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Atendente: “Anotado. A senhora está em perigo? “
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Vitima: “Uhum”
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Atendente: “A senhora está sozinha na casa?”
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Vítima: “Não”
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Atendente: “Tem como a senhora identificar para a viatura?”
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Vítima: “Tem”
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Atendente: “Assim que a senhora visualizar a viatura, por gentileza, se identifique. A ocorrência foi registrada Foi solicitado apoio”.
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Vítima: “Tá bom, obrigada.”

 

O diálogo acima ocorreu entre uma atendente do serviço 190 da Secretaria de Segurança Pública do Pará e uma vítima de violência doméstica, quarta-feira, 23.

A forma como a atendente do serviço 190 da Polícia Militar do Pará, em Belém, reagiu – ao receber um pedido de açaí feito por uma vítima de agressão doméstica – repercute em todo o país.

O fato ganhou repercussão em jornais, portais, blogs, Tvs e rádios, em quase todos os estados do Brasil.

A atendente recebe elogios pelo alto grau de profissionalismo demonstrado ao receber o pedido de açaí.

“Se não fosse bem treinada, certamente a moça que atendeu ao chamado de emergência poderia até ter desativado a ligação, achando que poderia ser um trote. Mas não! Sentiu o problema e imediatamente tomou as providências normatizadas em protocolo. Parabéns a atendente e ao serviço 190 da Secretaria de Segurança do Pará”, exaltou âncora do programa “Cidade Alerta”, de Fortaleza.

Um grito de socorro de uma mulher muitas vezes fica preso na garganta porque o agressor está ao lado.

Mas as atendentes do serviço 190 da Segup  estão  se especializando em decifrar pedidos de ajuda em códigos.

E está funcionando!

O pedido de açaí pro 190 pode não ser uma brincadeira de mau gosto.

Porque foi graças à sensibilidade de uma atendente do serviço de denúncia da Segup, em Belém, que aquela ligação  foi entendida como deveria: era um pedido de socorro.

“No momento em que ela diz que sabia que estava ligando para a Polícia Militar, tom de voz dela me chamou atenção”, afirmou a atendente do 190. “Me chamou a atenção. Era como se aquela atmosfera estivesse vindo pra mim”, disse.

Usar algum tipo de código pra denunciar a violência doméstica pode ser uma forma de pedir ajuda sem o marido, namorado, ou companheiro saber.

Com o agressor  dentro de casa, fica  difícil a vítima ligar pra polícia em voz alta.

E aí entra o trabalho dessas pessoas, do outro lado da linha, como ocorreu em Belém, no serviço 190.