Hiroshi Bogéa On line

A primeira Mestra, ninguém esquece

A socióloga e bibliotecária Adelina Braglia foi a precursora da consciência política comunitária nos diversos bairros e distritos de Marabá, isso lá pelos idos anos 80. Em sua cruzada pela cidadania, formou quadros importantes num momento em que o país tateava intenções de sair da escuridão e do medo da ditadura militar.

O poster já teve a oportunidade de ler diversas atas de fundação de associações de bairros dos Núcleos da Nova Marabá e Cidade Nova em que nelas aparecem assinaturas de Adelina, presente às reuniões como cão de guarda de nova ordem que se implantava, assegurando com seu poder de persuasão o nascimento das entidades populares que passariam a ter papel definitivo na construção da sociedade livre e soberana dos dias de hoje marabaenses.

Incompreendida pelas forças políticas dominantes da época, Adelina plantava sementes, “fabricava” consciências nascidas do calor das massas.

Belos frutos daquele trabalho ainda estão por aí dando prosseguimento ao que a Mestra ensinou.

Em Murumuru, distrito a 30 km de Marabá, Maurino Magalhães, então um simples agricultor buscando espaço para a sobrevivência, fazia parte do time de soldados de Adelina, expandindo depois os ensinamentos dela na criação de outras entidades populares e novas consciências por diversas povoações.

Hoje, os dois estão distantes, um do outro, 500 km. Ele, prefeito eleito de Marabá. Ela, sempre batendo firme contra as desigualdades sociais, morando em Belém.

Tempos desse, lendo post no Travessia, blog da Bia, que vem a ser a nossa querida Maria Adelina Guglioti Braglia, ela escreveu sobre ela:

– Tenho a fé desaprendida dos corredores do colégio de freiras onde estudei e dos silêncios das igrejas que nunca mais freqüentei. Mais do que meu verniz esquerdista, foi – e ainda é – a comiseração pelo sofrimento do outro que me move pela vida.

Eleito majoritariamente pelos menos abastados, Maurino Magalhães bem que poderia trazer de volta à Marabá, pra bem perto dele, o talento e a experiência de Adelina. Agora, mais do que da “mão de Deus”, o futuro prefeito precisará de quadros qualificados. Os que têm em Marabá de sua inteira confiança devem ser raríssimos.

Adelina, num futuro governo, pode dar o rumo, gerenciando ações de combate às desigualdades que apequenam o presente e não nos remetem para um futuro melhor.

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7 Comentários

  1. Hiroshi Bogéa

    11 de outubro de 2008 - 18:11 - 18:11
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    Alencar, o seu aval apenas ratifica opiniões não menos ilustres de Juvencio, Barata e o El Cid. Vamos acompanhar isso de perto.
    E o seu blog está cada dia mais acessado, amigo. Parabens!
    Abs

  2. JOSÉ DE ALENCAR

    10 de outubro de 2008 - 19:57 - 19:57
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    Meu caro Hiroshi.

    Adelina seria uma boa aquisição para qualquer governo que ela topasse participar.

    E, digamos assim, uma boa parte da votação do Jordy deve ser creditada a ela, que coordenou as propostas para um possível plano de governo dele.

  3. Bia/Adelina

    8 de outubro de 2008 - 10:59 - 10:59
    Reply

    Caro Hiroshi,

    ontem, ao passar pelo Flanar, tomei um susto com o post do Francisco, que remetia a este seu. E eu, que sempre tenho a língua afiada – no caso, o teclado..rsrs…- não consegui responder.

    Vim aqui agora pela manhã e li direto na fonte, comovida, o que havia lido lá. Li também os comentários. E agradeço o carinho de vocês. Agora, refeita do susto e após uma noite onde memórias e reflexões se cruzaram, já posso comentar.

    Primeiro, essa história fica engraçada se lembrarmos uma “tirada” do Tancredo, que para um afoito que queria ser nomeado para alguma coisa lhe disse “Governador, disseram que o senhor vai me nomear secretário”, ele respondeu: “Diga que eu o convidei e que você recusou!”…rsrsrs…

    A história é boa e mesmo não sendo o nosso caso – não pensei em ser nomeada e Maurino e eu, em que pese nossa antiga amizade, não nos falamos há cerca de dois anos – serve para descomprimir o Maurino e seus apoiadores de qualquer pressão…rsrsrs…

    Mas, o que me sinto na obrigação de dizer é que não recusaria nenhum apoio ao Maurino, mas que esse apoio não se configura num cargo que, certamente, Maurino, a cidade e a sociedade local têm como preencher. Não nego minha alegria. Mas isso não é mérito. O mérito é exclusivamente do novo Prefeito, da sua convicção e daqueles que acreditaram nele. Meu é apenas o gosto doce na boca de ver florescer o que nuca deixei de acreditar: Marabá tem jeito!

    Dos quinze anos passados aí, não me arrependo de um só dia. Isso, porém, não me dá nenhum direito de estagnar Marabá nos meus desejos. Hoje os marabaenses e suas lideranças têm condições objetivas muito melhores do que as minhas de apontar caminhos novos para corrigir velhos problemas.

    Torço muito por Marabá, por todos vocês e por Maurino. E quando, há umas semanas, seguindo minha velha mania de escrever sobre o que sinto comentava no Quinta sobre a eleição em Marabá e manifestei minha torcida por Maurino, o fiz com a mesma emoção com que escrevo aqui agora: revejo o olhar do meu aluno, solidário, inteligente, ávido pelo conhecimento – e só fui professora mesmo é de História por um único ano na escola de Morada Nova…rsrsrs…- e que seguiu seu próprio talento de ter sempre compaixão pelo sofrimento do outro.

    Fico feliz por vocês. E por mim também. E agradeço muito seu carinho.

    Um forte abraço.

  4. Hiroshi Bogéa

    7 de outubro de 2008 - 22:02 - 22:02
    Reply

    Blogueiro, a informação fica aqui sob controle. E agradeço a dica. Vamos aguardar.
    Abs

  5. Juvencio de Arruda

    7 de outubro de 2008 - 21:55 - 21:55
    Reply

    Bia seria uma excelente e importante colaboradora de qualquer governo, em Marabá ou em qualquer outro lugar.

  6. Ronaldo Barata

    7 de outubro de 2008 - 20:55 - 20:55
    Reply

    CARO HIROSHI
    Conheci a Adelina, nos anos 80, quando o destino me levou para ser presidente do extinto GETAT. Foi paixão à primeira vista. Me encantou, sobremodo, a fala mansa e cordata de uma mulher grande e firme nas suas convicções. Nos unimos em várias ações junto aos sindicatos rurais da região. Lembro do Antônio Chico, do Chicó, do Almir e de tantos outros. Com eles aprendi e vivenciei sobre a luta dos que queriam fazr a reforma agrária no sul do Pará. Nesta época, conheci o Maurino. Hoje, vibro com a vitória do humilde para ser o novo prefeito de Marabá. Comungo com tua idéia do aproveitamento da Adelina na equipe do Maurino. Marabá só teria a ganhar e Mairino estaria sinalizando para o que veio fazer.
    Vamos torcer juntos para que o sonho se transforme em realidade.
    Abraços do Ronaldo Barata

  7. Anonymous

    7 de outubro de 2008 - 19:37 - 19:37
    Reply

    Quem conheceu o trabalho da Adelina aqui em Marabá, poderá endossar as palavras do Hiroshi.
    Certamente seria uma grande aquisição. Uma reconhecida guerreira, um grande coração e uma cabeça privilegiada.

    Torço para que este devaneio do Hiroshi se concretize.

    El Cid

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