Hiroshi Bogéa On line

A ponte e a bandalheira

Por quase meio século, a família Sarney prometeu construir uma ponte sobre o rio Tocantins, ligando Imperatriz – segunda cidade mais importante do Estado -, à localidade de Bela Vista, município de São Miguel, no Estado do Tocantins. Durante os anos de promessas, passaram pelos governos maranhenses o próprio chefe do clã, José Sarney , sua filha Roseane (oito anos) além de fiéis escudeiros do condomínio. Isso sem contar os cinco anos de Presidência da República -, somados à carreira polícia de JS.

Nenhum promesseiro ligado a ele cumpriu as bravatas.

Adversário histórico dos sarneystas, o atual governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), elegeu-se com votação histórica em Imperatriz (70% dos votos), prometendo durante campanha de 2006 realizar o sonho da comunidade: construir a ponte.

Confiando em compromissos assumidos publicamente pelo governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), de manter parceria com o governo maranhense para a construção da obra, Jackson Lago não contava com uma pedra no caminho: a influencia sarneysta sobre o colega.

José Sarney colocou todo seu prestígio a desserviço do interesse público, convencendo Miranda a não mais dividir os custos da obra. Resultado: Lago ficou falando sozinho, mas não desistiu.

Viabilizou, nos primeiros meses de seu governo, em 2007, 60 milhões do total de R$ 100 milhões do investimento. Só que não contava com outra ação arquitetada por Marcelo: disponibilidade de ponto, do outro lado do território tocantinense, para a ponte ser interligada. O governador criou dificuldades de toda monta, inclusive negando recursos para desapropriações de imóveis e autorização para a outra ponta da ponte ser interligada ao território.

Foi preciso alteração no curso inicial do projeto, com a entrada em cena de um fazendeiro com terras em solo tocantinense que autorizou o governo do Maranhão a sair com a ponte em sua propriedade, num local bem mais acima do ponto inicialmente indicado.

José Sarney e Marcelo Miranda não contavam com o envolvimento da população para a realização da obra. O fazendeiro perderá grande área de seu patrimônio (ganhando em sua valorização) mas ajudará a realizar o sonho de muita gente.

Quando ficar pronta, a ponte facilitará a circulação de pessoas e mercadorias, integração de mais de 50 cidades da região do Bico do Papagaio, movimentando as economias do Tocantins, Pará, Maranhão e até do Piauí. Serão mais de 2 milhões de pessoas beneficiadas.

A ponte tem extensão de 1.020 metros, com 16 metros de largura, orçada em R$ 100 milhões, dos quais R$ 60 milhões já foram aplicados.

Inovação do projeto é a disponibilidade de três faixas de tráfego -, além de passeios laterais de 2 metros e meio para pedestres e ciclistas. As três faixas têm o objetivo de oferecer aos controladores de tráfego a possibilidade de optar por duas faixas num sentido e uma em outro, nas ocasiões em que o fluxo do tráfego numa determinada direção for mais intenso. O projeto também prevê a construção de dois viadutos sobre a BR-010 (Belém-Brasília), que viabilizarão o acesso de veículos a essa rodovia.

O clima em Imperatriz é de inauguração da obra em dezembro próximo.

José Sarney, definitivamente, é um mal para o Maranhão.
Jackson Lago, ao centro, conhecendo na maquete detalhes da ponte, antes de sua construção, em julho do ano passado.

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3 Comentários

  1. Hiroshi Bogéa

    24 de abril de 2008 - 22:45 - 22:45
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    Yudice, pode ter começado com a própria derrota de Roseane. Você tem tofa razão.
    Abs

  2. Anonymous

    24 de abril de 2008 - 17:24 - 17:24
    Reply

    VIVA JOSÉ SARNEY! VIVA A FAMILIA SARNEY! VIVA ROSEANE SARNEY, VIVA ZEQUINHA SARNEY, VIVA FERNANDO SARNEY! VIDA LONGA A JOSÉ SARNEY, ANIVERSARIANTE DO DIA, SALVE!

  3. Yúdice Andrade

    24 de abril de 2008 - 14:11 - 14:11
    Reply

    Quando estive em Imperatriz, há pouco mais de um ano, vi o pouco que havia da obra da ponte e me contaram a sua história.
    Isto é um exemplo típico do que é a política brasileira. Não existe interesse público que valha nada para essa gente, empenhada em obter satisfações estritamente pessoais. Mobilidade, distribuição de mercadorias, melhor acesso a serviços, etc., de que vale, se algum coronel das antigas prefere seus currais eleitorais como sempre foram?
    Tudo isto é um grande mal, que precisa ser derrubado, ao menos um pouco, a cada eleição.

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