A morte de uma criança de dois anos na enxurrada que a cada ano amplia áreas de destruição

A cena arrasa corações.

Uma criança de dois anos, puxada das correntezas de uma enxurrada, sendo socorrida por um morador.

Os gritos da mãe desesperada, chegando no local, deixam qualquer pai de família com a alma despedaçada diante de cena tão triste e trágica.

O fato aconteceu em Marabá no final de semana, durante forte chuva que alagou muitos bairros da cidade, tendo como vítima fatal a criança afogada.

O menino foi levado pela correnteza da agua que transbordava  no bairro, e encontrado alguns metros abaixo de sua casa.

Um morador ainda tentou reavivar o garoto, sem sucesso.

O blogueiro publica o vídeo , com cenas fortes de desespero da mãe e do rapaz aflito lutando para salvar a criança ,  porque as imagens já foram exibidas em televisão, redes sociais e jornais da região, causando uma onda de indignação e tristeza.

Em todo caso, tivemos o cuidado de extrair cenas mais dramáticas do ocorrido, salvando 10 segundos do que deve ser mostrado para mexer com sentimentos e não deixar a morte da criança como mais um fato rotineiro, banal.

A criança é vítima da falta de saneamento na cidade.

Marabá precisa ter governantes que priorizem a construção de galerias pluviais para reduzir o universo de alagamentos.

É muito fácil algum caratonha oficial vir à público dizer que os alagamentos ocorrem porque a comunidade contribui para tal, jogando lixo nos bueiros e parecidos.

Isto é verdade.

Só que passa ano e mais ano sem que se veja por parte da Prefeitura de Marabá um projeto de saneamento da cidade.

Não há vontade política para se resolver um problema que, a cada dezembro, ganha proporções quase que incontroláveis, devido ao inchaço da área urbana com a fixação de mais famílias vindas de outras partes do país procurar oportunidades.

O prefeito Tião Miranda comanda atualmente uma prefeitura que a cada ano avoluma seus orçamentos, recebendo recursos de toda ordem, principalmente  geradas pelos royalties da mineração.

Caminha para seu oitavo ano de governo – sem contar os outros tantos em que ele esteve à frente do governo municipal , sem mexer uma palha no sentido de negociar recursos federais e de instituições internacionais destinados a canalização e córregos e águas pluviais.

Máximo que faz, anualmente, é espichar metros de bueiros,  que na maioria dos casos não resolve a problemática das enxurradas, e executar serviços de limpeza nas tubulações.

É pouco.

Pouquíssimo.

Marabá segue em ritmo de cidade média a merecer  muitos recursos na área de saneamento.

Mas isto não causa preocupação a um governo que só enxerga o tal “desenvolvimento urbano” por vias de ruas asfaltadas, sem se preocupar com o que deveria ficar por baixo – galerias tecnicamente compatíveis com a vazão dos igarapés, córregos e das enxurradas, cada vez maiores, a cada ano.

A morte da criança de dois anos é reflexo desse descuido lamentável do poder público, sim.