Hiroshi Bogéa On line

A mão que afaga, é a que mata

(Histórias de Davi Alves Silva, sanguinário político que mandou no Maranhão)
Outubro de 1993, próximo às 7 horas da manhã, o prefeito de Imperatriz, Renato Moreira, como fazia todo dia, tomava café com seus amigos no mercado próximo de sua residência.
O pistoleiro aproxima-se montado numa bicicleta e dispara. Sem erro.
A morte de Renato era aguardada desde a convenção partidária, um ano antes, quando fora homologada a candidatura de seu vice-prefeito, Salvador Rodrigues, ilustre desconhecido da localidade de Cidelândia, que ali trabalhara como vaqueiro do ex-prefeito Davi Alves Silva, e tivera seu nome imposto como condição principal para Davi apoiar Renato.
Pau mandado do padrinho e ex-patrão, Salvador seria o preposto ideal na prefeitura, que Davi governara de 1989 a 1992.
Tão logo a notícia da morte de Moreira espalhou-se, na boca de todas as pessoas de Impetratriz, a frase era a mesma.
– Foi o Davi quem mandou matar.

Seis horas depois do tiro fatal, Davi adentra, friamente, no velório do ex-prefeito. Dirige-se aos familiares que evitam recebê-lo, num misto de medo e revolta.
Davi finge não perceber a rejeição e insiste, apertando mãos da viúva, filhos, irmãos, tios e amigos da vítima.
O semblante do deputado lembrava os mafiosos, sem denunciar um movimento sequer de contração.
Por muito tempo ficou ali, de pé, ao lado do caixão. Cabeça baixa, vez por outra arrumava cuidadosamente os buquês de flores que eram colocados às dezenas em torno da urna funerária.
Ao encerrar breve discurso feito na porta, quando deixava o velório, Davi comprovou seu lado frio e impiedoso:
Foi-se um grande homem. Que Deus o tenha. Nós, agora, continuaremos a obra dele.

Dois dias depois, Davi voltou a controlar todo o processo político de Imperatriz e região.
Com as bênçãos da família Sarney.
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