Hiroshi Bogéa On line

A constitucionalidade da Lei Maria da Penha

 

 

A colaboradora Lívia Rodrigues Mesquita saúda o reconhecimento da constitucionalidade da Lei Maria da Penha, decidida semana passada pelo STF.

A violência contra as mulheres, escreve Lívia, “não consente qualquer possibilidade de resistência ou fuga de sua vítima, e, normalmente, assume um perfil continuado, revelando-se pela persistência em aprisionar a mulher num mundo de intenso terror, de onde a grande maioria não consegue sair sem ajuda”.

O artigo, em sua íntegra:

 

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Pelo medo ou pela dor, fronteira bem guardada eu sou.

(*)- Lívia Rodrigues Mesquita

 

“Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.” (Martha Medeiros)

 

 

Recentemente, uma louvável decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal, reconheceu, por 10 votos a 1, a Constitucionalidade da Lei Maria da Penha. Agora, o Ministério Público passa a ter a prerrogativa de denunciar os agressores, independente da representação e manutenção da denúncia pela vítima. Embora alguns insistam em críticas de que essa Lei fere o princípio da Isonomia, o bom senso da quase unanimidade dos Ministros do Supremo decidiu que, crimes contra a mulher são, sobretudo, merecedores de ação penal pública.

Maria da Penha, marco de luta, resistiu milagrosamente às tentativas incansáveis de seu companheiro em lhe tirar a vida. Embora tenha lhe deixado paraplégica e traumatizada pelas dores e lembranças acrimoniosas, seu algoz não brecou sua atuação em dar “bons exemplos” a milhares de mulheres de todo o mundo. Ela insiste que não devemos nos curvar à vergonha da exposição, não devemos prostar diante do medo desses carnífices.

A Lei Maria da Penha alavanca uma imensa rede de amparo e proteção, de modo que, a sociedade se sinta alentada a denunciar, em especial as mulheres, vítimas da agressão. Essa respeitosa lei determina a criação do Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, triplicou a pena das agressões, e pôs fim à pena pecuniária. Também, admite que os agressores sejam presos em flagrante, bem como legitima a prisão preventiva para os mesmos e os obrigue a programas de reeducação.

A agressão contra as mulheres, revelada seja por violência física ou psicológica, e até mesmo sexual, trazendo com esta o risco de adquirir DST, bem como gravidez indesejada ou precoce, por ser um comportamento hostil, utilizando-se normalmente da força cumulada com sentimentos de posse, insegurança e ciúmes, não consente qualquer possibilidade de resistência ou fuga de sua vítima, e, normalmente, assume um perfil continuado, revelando-se pela persistência em aprisionar a mulher num mundo de intenso terror, de onde a grande maioria não consegue sair sem ajuda.

O que homens covardes, monstros egoístas diante de mulheres agredidas, se propõem é pecar covardemente contra a humanidade, já que violar “direitos humanos” é afrontar o direito à vida, à saúde e à integridade física. E, com propriedade, atrevo-me a dizer que o desígnio assombroso desses agressores é “nunca parar”.

Terrível advertir que, nem toda demonstração de violência deixa cicatrizes. Porém, em regra, vestígios invisíveis ao olho nu ultrapassam e muito a dor física, por se tratar de dolentes sequelas de cunho psicológico suplantadas por acometimentos verbais em tom elevado e ameaçador, e, alimentadas por um montante habitual, entre torturas morais e humilhações diárias, indo de encontro com o último suspiro de dignidade.

Aquele arcaico dito machista, o qual denota que em “briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, deve ser bombardeado como se estivéssemos em verdadeiras trincheiras, lutando pela vida, pela família, pela paz.

Como ceder à omissão, enquanto quatro mulheres são agredidas a cada minuto no Brasil? Como permitir que um homem arranque de sua companheira a noção de cidadania, fazendo-a viver sob um parâmetro margeado pela dor e doutrinado pelo medo? Como permitir que uma mãe reduza sua autoestima em um buraco negro, encontrando a morte como única solução?

 

A mulher está longe de ser fria e insensível; mas ela sabe, quando necessário, cobrir o fogo com as cinzas.(Mary Wortley Montagu)

 

Não devemos estender o débito desses agressores covardes a homens virtuosos, os quais, os conceitos de amor e respeito sobrelevam o companheirismo e a família, deleitando seus lares. Porém, o alarme paira no ar, e, o romantismo e o conceito de vida a dois, desconfiadamente, cedem lugar para o medo. Hoje, se ligamos a TV, nos deparamos com ocorrências de homens que, inconformados com o fim do relacionamento, sem piedade, ceifam violentamente a vida de suas ex-companheiras, muitas vezes, mães de seus próprios filhos. Logo pela manhã, compramos o jornal, e, novamente mais um caso de briga entre casal, e, motivado pela desconfiança, homem desfecha um final fatal para a aquela que antes foi a razão de sua vida.

Nas emissoras de rádio, entre músicas que elevam o amor, ironicamente, somos surpreendidos por notícias de uma jovem que teve 90% do corpo queimado por seu namorado enciumado por tanta beleza… Fatos esses decorrentes todos os dias nos mais diversos meios jornalísticos. Acontece que, não nos resta tão somente ficar indignados. Permitir pequenos gestos de hostilidade é consentir indiretamente que o agressor volte com mais furor.

Músicas defendendo o duplo sentido, compostas por letras ofensivas e estereotipando preconceituosamente o ser feminino, defendem a   “coisificação”   da mulher, bem como fazem apologia ao sexo banal, tocando com muito mau gosto mais violência, e, depositando sobre a mulher a figura de peça insignificante e voltada para o consumo descartável, o que potencializa muitos dos nossos problemas sociais, inclusive o estupro. Não faço lembranças aos tempos da censura, refiro-me ao bom senso e aos limites impostos pelo respeito à moral.

Sou mulher, tenho mãe, sobrinhas, amigas, e, “ouso” falar por todas que não queremos protagonizar personagens musicais onde a mulher é comparada com um descartável objeto sexual. Envaideço-me quando ouço minha mãe cantar. Saudosa do tempo em que as músicas nos travavam de forma sublimada e reverente, mamãe não se cansa de lembrar das letras onde o enaltecido amor era o mais importante e a mulher era exaltada à musa inspiradora.

Pleno século XXI, e, nossas principais melodias agregadoras de valores perdem audiência para o tom “agudo e grave” da vulgaridade.

Problema sem solução? Não.

Chico Buarque nos aplaude quando canta “Mulheres de Atenas”.

 

– “Elas não tem gosto ou vontade; nem defeito nem qualidade. Tem medo apenas. Não tem sonhos, só tem presságios.”

 

Uma música que, inteligentemente, critica a postura de uma sociedade, marcada pela democracia, mas que reservava à figura feminina tão somente o universo doméstico, subjugando-a ao poderio dos homens (pai e marido), sob uma vertente de completa submissão, e, obrigando-a (sobre)viver em meio a infidelidades, maus tratos, desprezo e sexo forçado.

Uma música que censura uma sociedade por permitir que a mulher seja inapta a atividades engrandecedoras de sua dignidade.

Carregamos conosco, em nossa história, um passado escravocrata, quando a mulher, incontestavelmente, era mantida como item de trabalho pesado e consumo sexual forçado. Aqui, ela, despojada de sonhos, desejos e direitos, via o amor abafado pela dor. Um passado que ainda cheira mal e ressoa tristes gritos, um passado que insiste em deixar marcas, mais precisamente profundas cicatrizes no corpo de nossas mães e filhas, bem como precoces mensagens de saudades em lápides de túmulos.

O ônus é nosso de condenar manifestações agressivas, seja um simples empurrão, um tapinha ou xingamento. Pensamentos obtusos, como “ruim com eles, pior sem eles” e “um tapinha não dói” devem ser erradicados, assim como esses algozes devem ser banidos de nossa convivência.

Lugar de criminoso é na prisão!

Então, a solução somos “nós”.

Não podemos permitir que nossa régua de avaliação permita mediações brandas para esses casos. Violência é um problema da sociedade, logo, é problema nosso, já que, fazemos parte dela.

Entre os crimes encobertos de maior incidência no Mundo, no topo esta a “violência contra mulher”. Logo, vigilantes precisamos estar diante dessa problemática, a começar por uma educação diferenciada de nossos filhos.

Dotados de personalidade desde nosso nascimento, ainda somos por natureza, indivíduos incompletos, carecemos de um processo infatigável e infindável, voltado para a dimensão dos valores e princípios, e mediado pela educação. Filhos homens são culturalmente e precocemente influenciados à superioridade e a atender aos seus interesses, até mesmo os sexuais.

A mulher, desde cedo, é avaliada pela afabilidade e sujeita a heranças históricas de submissão. Também, é aferida pela sedução e preconceitos, contribuindo assim, que muitos formem erroneamente sobre a mulher, a ideia de subserviência ilimitada. Literaturas de Freud reforçam esse juízo, delatando-a como sexo frágil, doce e passivo.

Precisamos mediar e ponderar essas imputações e ter um cuidado mais delicado com os valores iniciais, já que, papéis ensinados na infância podem licenciar atos futuros.

É nosso dever estar de prontidão em exigir leis rigorosas, específicas e sem lacunas, bem como a aplicabilidade severa das mesmas. Precisamos denunciar qualquer indício de violência. Um empurrão, uma tapinha ou uma simples promessa como “você me paga!” podem um dia, previsivelmente, se estender a um homicídio.

Disque-denúncia (180), Delegacias de Defesa da Mulher, Defensorias Públicas, Ministério Público compõem entre outros, mecanismos aos quais podemos formalizar a denúncia, garantindo às vítimas a cautela almejada, inclusive com o prudente afastamento do agressor e proteção dos filhos.

Afinal, como bem colocado pelo ministro Marco Aurélio Melo, relator das ações propostas pela Procuradoria Geral da República, atribuir o ônus da denúncia apenas à vitima significa “desconsiderar o temor, a pressão psicológica e econômica, as ameaças sofridas, bem como a assimetria de poder decorrente de relações histórico-culturais, tudo a contribuir para a diminuição de sua proteção e a prorrogação da violência”.

Reforçando essa ideia, o vice-presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, denota que “a mesma liberdade para lobos e cordeiros é excelente para os lobos”.

 

(*)- Lívia Rodrigues Mesquita é Bacharel em Direito.

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24 Comentários

  1. P.C.

    25 de fevereiro de 2012 - 19:09 - 19:09
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    Como homem,morro de vergonha por pertencer a uma espécie que maltrata aquelas que lhes da a vida e o amor que tanto necessita.Confio que,com essas mudanças isso venha pelo menos diminuir esses fatos.Mulher merece amor,respeito e carinho.

  2. Vanessa

    25 de fevereiro de 2012 - 19:02 - 19:02
    Reply

    Merecem o inferno esses monstros que batem em mulher.Ai de “um” que pensar em me encostar a mão…Ensino rapidim o caminho do inferno.CADEIA!

  3. Estelita

    25 de fevereiro de 2012 - 15:38 - 15:38
    Reply

    que as mulheres se encoragem e denunciam esses canalias. beijos Lívias

  4. Estelita

    25 de fevereiro de 2012 - 15:35 - 15:35
    Reply

    Parabéns Lívia ! como sempre botando o dedo na ferida , tomara que a lei seja cumprida mesmo , para

  5. Suely

    24 de fevereiro de 2012 - 20:34 - 20:34
    Reply

    Lívia, eu tento colocar essa história toda na cabeça de algumas amigas minhas que estão passando ou já passaram por esse problema. Tenho a plena convicção de que, uma vez iniciado o processo de agressão (seja com uma palavra ou um gesto) este não terminará, a menos que a vítima imponha-se de todas as formas que lhe forem possíveis. Tudo tem que ter início no momento em que a mulher passa a ser valorizada, principalmente por si mesma. Mulheres que não denunciam já estão tão calejadas de ouvir afrontas por parte de seus comapnheiros, que passam a achar que aquilo tudo é natural. E assim, vão perdendo sua auto-estima, o que as impede de avançar para uma mudança significativa. A baixa auto-estima provoca paralisação nas atitudes. Enfim, queria dizer tanta coisa, já que é um assunto tão abrangente… Vamos discutindo, então… Obrigada pela colaboração.

  6. Lívia Rodrigues Mesquita

    24 de fevereiro de 2012 - 20:06 - 20:06
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    J. Vieira,obrigada pela participação.Concordo com você!Vivemos sob a égide de uma política que peca e teima em aplicar a lei em seu rigor,o que aumenta ainda mais o nosso dever de cobrar e exigir o que damanda as normas.Estarei atenta quanto a isso.Grande abraço!

  7. J. Vieira

    24 de fevereiro de 2012 - 17:46 - 17:46
    Reply

    Texto primoroso, querida Lívia…

    É com satisfação que vemos garantida pela mais alta côrte a aplicabilidade da Lei Maria da Penha; no entanto, é com desconfiança que vemos as estruturas corroídas das polícias em dar sustento à sua aplicação. Apesar da garantia legal que, apesar de contestada, nunca a suspendeu de fato; o que vemos é um Estado incapaz de aplicá-la na prática…

    A lei que prevê, entre outras coisas, medidas de urgência, que poderão obrigar o agressor a deixar o lar imediatamente; proibi-lo de se aproximar da vítima e das testemunhas até determinada distância mínima, estabelecida em metros, ou mesmo proibição de falar com a ofendida, ainda que por telefone; pagamento de pensão alimentícia; suspensão da posse ou porte de arma, caso ele tenha uma; determinação da separação de corpos ou o afastamento da mulher do lar sem prejuízo dos seus direitos aos bens do casal, guarda dos filhos e alimentos, corre o risco de se tornar apenas mais uma dentre tantas que são descumpridas cotidianamente.

  8. José

    24 de fevereiro de 2012 - 13:29 - 13:29
    Reply

    Essa decisão deve ser aplicada, praticada em caráter de urgência. E que, os primeiros casos sirvam de exemplos. Que esses homens cruéis reflitam. A sociedade deve ser rigorosa. O medo não pode vigorar. Denunciaremos sim, brigaremos sim. Afinal, o sensato não usa da força…Usa a Lei.

  9. Mônica

    24 de fevereiro de 2012 - 13:24 - 13:24
    Reply

    O que lhes fazem pensar que podem nos causar dor!?O que lhes fazem pensar que são nossos proprietários!?O que lhes fazem pensar que somos vadias!?…Não os comparo a animais,seria ofender nossos irracionais animais.Os comparo a bestas,monstros…Monstros que,longe de irracionais, sabem muito bem o que fazem.Muheres!Não permitam isso!Lutem,gritem,denunciem.Sociedade! NÃO permita isso..Tutele suas mulheres.É a vida que pede socorro.É a família que grita por piedade.É o amor que suspira.

  10. Deco Neto

    23 de fevereiro de 2012 - 14:57 - 14:57
    Reply

    Esta lei vem ratificar o que nossa sociedade não pode mais tolerar de forma alguma, que maridos, namorados ou qualquer individuo trate a mulher como submissa e a torne um objeto de sua insanidade bestial.

  11. Carol Rodrigues

    23 de fevereiro de 2012 - 13:09 - 13:09
    Reply

    Parabéns, pelo texto prima querida!!! E que bom que o STF teve essa maravilhosa decisão, eu sou super a favor de coloca-los num rinque assim como foi descrito pelo Alan Souza… Vivi a maior parte da minha infância e juventude vendo minha mãe ser massacrada, maltratada e humilhada por um homem que era para ser um Herói, porém minha mãe sempre calada, aceitando tudo com vergonha, medo sei lá o que levava a aceitar isso, mas não a condeno; O bom é que essa realidade está mudando, não chega a acabar com esse crime horroroso, mas com essa Lei muito já se evoluiu… espero que com esse texto, mais mulheres percam seus medos e receios e se livram desses machistas e que merecem surra atrás de surra… #desabafo!!! Parabens novamente pelo lindo texto, como sempre super talentosa!!! bjo bjoo

  12. Sônia-Cidade Nova

    23 de fevereiro de 2012 - 13:05 - 13:05
    Reply

    Concordo com você Lívia, músicas que nos desmoralizam so contribuem para que nos desrespeitem mais.As músicas, por si só, tratam-se de uma violência e reforçam ainda mais esse sentimento agressivo e nojento que alguns homens tem.Isso precisa acabar e urgentemente.Estão nos afrontando,nos humilhando…Tem que acabar meu Deus!!

  13. Paulo Carneiro

    22 de fevereiro de 2012 - 22:36 - 22:36
    Reply

    A CONSTITUCIONALIDADE DA LEI MARIA DA PENHA
    O texto com que fomos brindados por Lívia Rodrigues Mesquita, nos faz refletir sobre duas questões de fundamental importância! A primeira trata-se da resolução do judiciário que finalmente, garantiu legalidade plena a chamada Lei Maria da Penha, ao termino do julgamento que a considerou, constitucional! A constitucionalidade desta Lei é de suma importância para sua aplicabilidade. Uma vez que não caberão recursos, decorrentes!
    Este fato por si só, já seria motivos de aplausos ao STJ, por ter posto de forma clara, a vontade da população que subscreveu a referida Lei! Mas não foi só neste sentido que avançamos no combate a covarde atuação de indivíduos, que sequer podemos chamar de humanos. O entendimento de que qualquer pessoa poderá fornecer a denúncia. Põe por terra a falsa idéia, largamente difundida, de que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher! Ora, como não? Se o problema não é só do casal! É da sociedade toda que se vê penalizada, com a atitude do agressor! A própria condição humana é agredida, com tal violência!
    As conseqüências sociais, de convivência com a violência, serão divididas pela sociedade mais próxima do casal, em forma emocional. E pela coletividade como um todo, no reparo aos danos, decorrentes da agressão! Seremos todos nós, que estaremos patrocinando todo o ônus dos tramites legais e o atendimento social! E o que se revela pior, em grande parte dos casos vidas são perdidas! Sonhos e mesmo, possibilidade de futuros brilhantes, são interrompidos! Com isso, perde toda a sociedade! Chega! Chega de violência contra a mulher!
    O outro aspecto digno de nota é a forma firme e forte ao mesmo tempo em que apaixonada, com que nos brinda a autora! O texto, apesar de longo, não nos cansa na leitura. A forma apaixonada com que aborda o tema demonstra, não a frieza de uma advogada. Mas da mulher sensível, humana, solidária, sofrida e acima de tudo dedicada a servir.
    Lívia Rodrigues Mesquita, você nos encheu de prazer! Pelo conteúdo de sua matéria e pela forma da abordagem. Parabéns!

  14. Bruno

    22 de fevereiro de 2012 - 21:35 - 21:35
    Reply

    Grande decisão do STF que só veio ratificar essa notável conquista das mulheres violentadas no Brasil… muito já se fez e muito ainda está para melhorar no atendimento e justiça a essas vítimas. Uma grande parte dessas mulheres violentadas ainda são desconhecidas, submissas ao medo de represália do agressor ou dependência financeira deste. Isso faz, em muitos casos, que a vítima acabe retornando ao convívio de seu companheiro agressor. Uma lei pode ser um forte instrumento de defesa da mulher agredida fisicamente ou ameaçada, contudo além do suporte do Estado, a plena efetividade da lei será alcançada quando muitas dessas mulheres, vítimas do medo, estiverem decididas em tomar uma atitude de mudança verdadeira, para uma nova vida.

  15. Jeander Dias

    22 de fevereiro de 2012 - 19:37 - 19:37
    Reply

    Nos Estados Unidos, é estimado que, a cada 15 minutos uma mulher é agredida.
    Isso, pra nós, é só uma estatística. E para essas mulheres? é a vida real!
    Assim sendo, temos que abrir nossa mente para essa situação.
    Em suma, se tornar mais humano deve ser mais que um objetivo, deve ser uma atitude!

  16. Lívia Rodrigues Mesquita

    22 de fevereiro de 2012 - 19:00 - 19:00
    Reply

    Os bons costumes não são suficientes para que determinados homens freiem seus impulsos violentos. Eles sabem que é crime, eles sabem que dói, que dói muito. Então, devemos honrar essa decisão gloriosa do STF..Bateu! Levou! Levou cana…Não sou imune a estes atos.

  17. Alan Souza

    22 de fevereiro de 2012 - 13:55 - 13:55
    Reply

    Hiroshi, Mano Velho, eu tenho uma ideia antiga sobre homens que espancam mulheres. É uma ideia indigna de um advogado, um homem civilizado e educado como eu. Mas ela não me abandona, juro que já tentei me livrar dela e não consigo!

    Pois bem, a ideia é a seguinte: o sujeito que agride uma mulher deveria ser colocado num ringue, estilo Vale-Tudo, com uns três lutadores profissionais contra ele.

    O agressor de mulheres, que é “pura valentia”, que gosta de bater em mulher, porque não lhe dar a oportunidade de extravasar sua valentia contra alguém do tamanho dele? Ou nas mesmas condições de igualdade?

    Termino com um pequeno texto do Programa Margarida, do HRAN (Hospital Regional da Asa Norte), daqui de Brasília, que atende mulheres vítimas de violência física, psicológica ou sexual:

    “Tome muito cuidado ao fazer chorar uma mulher, pois Deus conta suas lágrimas!

    A mulher saiu da costela do homem, e não dos pés, pra ser pisoteada, nem da cabeça para ser superior, mas do seu lado, para ser igual.

    Debaixo do braço, pra ser protegida.

    E ao lado do coração, pra ser amada.”

  18. sem chão

    22 de fevereiro de 2012 - 13:29 - 13:29
    Reply

    Rezo p q alguém faça por mim o q eu nunca tiv coragem..Obrigada Lívia..Keria poder falar c vc um dia..Parabéns pela iniciativa d se esforçar o maximo em kerer ajudar..E ajudou!

  19. luana bastos

    21 de fevereiro de 2012 - 20:23 - 20:23
    Reply

    A constitucionalidade deve ser comemorada mas é imprescendível a implantação de uma rede de assistência a mulher que a ampare em todas as instâncias de um processo de violência doméstica e todas as outras. O que nos leva a lamentar que em Marabá a carência desta rede silencia a mulher vilentada. 08 de março vem aí o que estamos fazendo pela mulher marabaense, vamos nos unir e comerçarmos a discutir e fazer nossa história

  20. conceição maciel

    21 de fevereiro de 2012 - 15:13 - 15:13
    Reply

    Querida Livia Rodrigues, fiquei feliz com sua iniciativa ao pedir-me encarecidamente para ler seu artigo, ao lê-lo, imediatamente me veio a mente uma situação degradante à condição da mulher; uma amiga passou a vida inteira de casada passando por tal situação, ao conhecê-la (á uns dez anos atrás), fiquei a par de sua vida e minha indignação aumentou quando a vi cheia de hematomas e com a auto- estima dilacerada pela vergonha e pala dor física, claro que não poderia ficar de braços cruzados, não naquele momento, quando “eu” me coloquei em seu lugar e senti suas dores e revoltas, o que fiz? convidei-a a ir à delegacia, claro que ela não aceitou (á princípio), tinha um medo tremendo e depois sempre foi assim, por que iria mudar justo naquele momento? pra encurtar a história, ela aceitou (antes que as provas sumissem) e nos dirigimos a delegacia, fizemos tudo o que tinha a ser feito, ele foi chamado a depor e…voltou para casa ameaçando-a e “me” ameaçando também, passei ser uma possível vítima dele também, já que tinha induzido a mulher do “monstro” a denunciá-lo a polícia…depois de outras tentativas e outras idas a delegacia, aparentemente “ele” se comporta como um marido exemplar e um pai carinhoso para com os filhos…hoje sou a melhor amiga do casal e “ele” me tem como uma irmã…
    Moral da história: não devemos sob hipótese alguma, ficar de braços cruzados diante de qualquer dificuldade, principalmente quando se está em jogo a própria vida e a sua dignidade.
    Essa decisão do STF, além de inédita é louvável, esperemos que seja cumprida.

  21. Emayra

    21 de fevereiro de 2012 - 12:58 - 12:58
    Reply

    O texto está maravilhoso. Louvável decisão do STF ao declarar a constitucionalidade da Lei Maria da Penha. Antes dessa decisão, as mulheres eram reféns de seu companheiro, e, porque não dizer, delas mesmas. Faltava coragem para gritar ao mundo as suas dores. Agora elas não precisam mais esperar. Qualquer um pode denunciar tal violência. Um grande avanço.

  22. Maria

    21 de fevereiro de 2012 - 12:39 - 12:39
    Reply

    Você so nos da orgulho Lívia. Toda vez que tenho o imenso prazer de ler seus artigos, me emociono em meio a surpresas. Uma mulher honrosa, preocupada com a informação, preocupada com a melhor orientação. Eu e minhas filhas fazemos agradecimentos por enrriquecer nosso conhecimento.Considera-se uma “amiga” para nós.E, acredite…Acredite de verdade que muitas mulheres e homens mudarão suas vias após esse texto.
    Maria de Fátima.

  23. Anita

    21 de fevereiro de 2012 - 12:34 - 12:34
    Reply

    Essa decisão do STF é sem dúvida um marco para a continuidade da VIDA.é bom que os agressores pensem infinitas vezes antes de surrar alguma mulher, pois, o que mais tem são famílias, vizinhos e amigos anciosos por proteger, defender a mulher querida..

  24. Cadeia para esses covardes!

    21 de fevereiro de 2012 - 12:32 - 12:32
    Reply

    Há algum tempo ja não entrava no blog.Hoje, quando entrei e comecei a ler, senti que foi mesmo Deus que me guiou.Minha irmão fofre calada aos maus tratos do marido há 7 anos, incluindo surras nada esporádicas.A família nunca a convenceu de denunciá-lo.E esse é o problema da maioria:falta de coragem como bem explica a Lívia.Mas hoje Lívia, lhe agradeço as informações, lhe agradeço a injeção de coragem que com esse texto vc nos da..Afinal, prefiro minha irmã magoada comigo pelo resto de nossas vidas do que morta por um desgraçado….

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