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Paciente com câncer se casa no Hospital Ophir Loyola

Quem conta a história abaixo é a repórter  Leila Cruz, da Agência Pará:

 

Após descobrir um tipo grave de câncer, Gracivan Silva, 35, criou o hábito de agradecer todos os dias, ao acordar, pela existência da companheira, um apoio sempre presente nos momentos mais críticos do enfrentamento da doença. Em tratamento contra linfoma – mal que atinge as células do sangue chamadas de linfócitos –, os últimos dias não foram nada fáceis. Nesta sexta-feira (17), Gracivan mostrou que o amor vence qualquer barreira durante a cerimônia religiosa de casamento com Wanessa Rodrigues, 28, que ocorreu no auditório do Hospital Ophir Loyola.

Mesmo fragilizado, ele fez questão de oficializar a união de cinco anos cujo maior fruto é o tão esperado Leandro, de apenas 4 meses, que o pai ainda não teve sequer a oportunidade de carregar no colo. A história do casal começou por acaso, quando Gracivan tentou uma vaga de emprego em um escritório em Belém, e Wanessa foi visitar uma amiga no local. Desde então, nunca mais se separaram. Eles não imaginavam que da conversa e da troca de contatos, surgiria uma amizade que aos poucos se transformaria em romance.

Sempre levaram uma vida modesta. Moram de aluguel no bairro do Benguí, onde exercem a profissão de açougueiros. Passeios, igarapés e praias sempre fizeram parte do lazer do casal, mas o câncer atrapalhou essa rotina. “O diagnóstico surgiu como um peso muito grande e o receio de que ela ficasse com vergonha de caminhar de mãos dadas comigo, por conta da minha aparência, magro e com a barriga inchada. Mas fui surpreendido por todo o companheirismo, amor e dedicação recebidos. Pensávamos em casamento, mas a situação financeira não permitia”, conta.

Idas e vindas diárias ao hospital passaram a fazer parte da vida de Wanessa. Ela amamenta o bebê, deixa os ou outros três filhos – Emilly, 11, Vinícius, 10, e Vitória, 7, de um relacionamento anterior – aos cuidados da mãe e retorna para acompanhar Gracivan. “Ele é um homem respeitador, sincero, um amor para viver toda a vida ao meu lado. Sei que ele tem mais segurança comigo ao lado, então procuro passar toda a força necessária nessa luta contra o câncer”, afirma.

União – Desde fevereiro em tratamento, Gracivan está internado pela primeira vez no Ophir Loyola. Um dia, durante a visita de um voluntário, relatou que a maior realização da vida dele seria se casar com Wanessa, mas não havia recursos nem mesmo para comprar as alianças. Esse desejo foi repassado à terapeuta ocupacional Márcia Nunes, que juntamente com a psicóloga Rivonilda Graim, mobilizou toda a equipe em prol do casamento.

Os noivos ganharam bem mais que as alianças. Trajes, penteado, maquiagem, cerimonial, bolo, buquê, coquetel, decoração do auditório, filmagem e foto-livro foram doados por empresas parceiras e pessoas físicas. “A ideia inicial era fazer uma cerimônia simples e íntima na capela do hospital, chamar um padre para celebrar o casamento e abençoar as alianças, mas todos queriam ajudar. A mobilização tomou uma proporção tão grande, com envolvimento até mesmo empresas parceiras, que se criou uma sensação de conto de fadas”, relembra Márcia Nunes.

Não é a primeira vez que um casamento é celebrado no hospital, mas o de Gracivan e Wanessa gerou muita comoção. Ao contrário das cerimônias tradicionais, a entrada do noivo foi o momento mais aguardado e solene da celebração. A preocupação com o câncer foi deixada de lado por algumas horas, e ele surgiu conduzido pela mãe, Ana, e a irmã Lucileia até o altar. Em seguida entraram os padrinhos e os filhos mais velhos de Wanessa.

A noiva entrou emocionada e agradecida pela realização na vida sentimental. As alianças foram levadas ao altar pelo pequeno Leandro, empurrado num carrinho de bebê pela meia irmã, Vitória Rodrigues, de 7 anos, emocionando ainda mais os presentes. A frase “Prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença…”, comumente pronunciada em ocasiões como essa, dessa vez soou impactante para os familiares e amigos dos noivos, servidores e parceiros do Hospital Ophir Loyola.

“Represento uma equipe multiprofissional que foi incansável em promover esse momento tão marcante na vida do casal. Preparamos tudo com muito carinho e esperamos ter motivado ainda mais esse amor, e que eles continuem lutando pela felicidade”, disse a psicóloga Rivonilda Graim.

Gracivan já retornou ao leito. Ele segue recebendo os cuidados médicos na clínica hematológica. “Parece que vivi um sonho. Espero recuperar minha saúde e voltar a conviver com a minha família. É tudo que mais quero nesse momento”, disse.

Foto de Cristino Martins
Foto de Cristino Martins
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