Hiroshi Bogéa On line

Vergonhosa bancada federal em Brasília permite mais uma vez a Vale golpear o povo paraense

Nota assinada pelo  ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia e Mineração, Adnan Demachki, expõe sua indignação ao golpe desferido pela Vale e pelo governo federal contra os interesses do povo do Pará.

A mineradora anunciou investimentos na construção de uma estrada de ferro nos Estados do Mato Grosso e Goiás em detrimento da ferrovia que o governo paraense projetou para cobrir parte do território do Estado, saindo também de Mato Grosso.

A ferrovia, denominada FICO – Ferrovia  de Integração do Centro Oeste – é contrapartida  da multinacional à renovação da outorga da Estrada de Ferro Carajás aprovada pelo Conselho  de Parcerias Públicas de Investimentos da Presidência da República.

A sacanagem da Vale e do governo Temer  é consequência, também, da falta de atuação dos senadores e deputados federais paraenses na defesa de benefícios para o povo paraense.

Sabe-se, desde muitos meses passados, que esse roteiro estava escrito.

Estava escrito, mas ninguém ouviu falar de algum representante da bancada paraense

peitando a Vale ou o governo federal no sentido de direcionar  os bilhões de reais da renovação da concessão para obras de infraestrutura no Estado do Pará.

Mais uma vez o povo paraense leva chumbo da Vale e do governo federal, porque não tem representantes dignos.

Leiam a nota assinada pelo ex-secretário Adnan Demachki:

 

 

“Ontem (02/07), o Conselho de PPI – Parcerias Públicas de Investimentos da Presidência da República, anunciou que a Vale poderá renovar por mais 30 anos a concessão da Ferrovia de Carajás, desde que construa a FICO – Ferrovia de Integração do Centro Oeste, ligando Água Boa no MT a Campinorte em GO, com extensão de 383 Km.

Desde o ano passado, já havíamos informado a toda a bancada federal do Pará que a intenção do governo federal era destinar esses bilhões da renovação da concessão da ferrovia de Carajás para outros Estados, preterindo mais uma vez o Pará.

Fomos preteridos no passado pelo governo federal quando construiu o projeto Carajás e decidiu exportar o minério de ferro por São Luís, fato que dinamizou a economia daquele Estado.

Fomos preteridos no passado pelo governo federal quando decidiu construir a Ferrovia Norte Sul e investiu nos Estados do TO, GO, MA, mas nunca conseguiu chegar com a Ferrovia em território paraense para escoar a produção por Barcarena.

Continuamos sem contrapartidas do governo federal pela desoneração das exportações através da Lei Kandir. Exportamos 14 bilhões de dólares de minério no ano passado e não podemos tributar essa produção.

Agora, tudo indica que seremos mais uma vez preteridos pelo Governo Federal.

A ferrovia de Carajás só existe, porque a Vale explora 8 minas no Pará. Os impactos ambientais, sociais e econômicos dessas minas quem absorve é a sociedade paraense e não a população do MT ou GO.

O mais justo era que os bilhões que a Vale deverá pagar ao governo federal pela renovação da ferrovia de Carajás ficassem aqui mesmo no nosso Estado, para construção da Ferrovia Paraense (Barcarena a Santana do Araguaia) ou até ser aplicado na dragagem e modernização do Porto de Barcarena, permitindo a dinamização da economia do nosso Estado, pois logística é fundamental pro desenvolvimento econômico.

O que falta pra isso acontecer?

Quem deve pressionar o Presidente da República e o Governo Federal?

Claro que é a bancada federal paraense.

No começo deste ano, nós pedimos ao Senador Flexa Ribeiro e ao Deputado Joaquim Passarinho que realizassem audiências públicas no Senado e Câmara Federal pra discutir a destinação desses recursos, desses bilhões de reais. Estivemos presentes nas audiências, o Governo Federal também presente, mas infelizmente só estiveram presentes pelo Estado do Pará esses dois parlamentares. Havia outros parlamentares sim, mas de outros Estados.

Os parlamentares paraenses precisam entender que essa é uma oportunidade única de o Pará obter alguns bilhões de reais em favor da logística do nosso Estado, na construção da Ferrovia Paraense ou na modernização do Porto de Barcarena, etc., e caso percamos esses recursos outra oportunidade como essa só ocorrerá daqui a 30 anos.

Nossos parlamentares – repito mais uma vez – devem deixar cores partidárias de lado, abandonar um pouco a campanha política, deixar de entregar pequenos benefícios pontuais em suas bases políticas e se juntar em torno dos grandes projetos em favor do Pará, aqueles projetos realmente capazes de realizar transformações no nosso Estado.

Afinal, não podemos ver o “trem” da história passar novamente, agora indo pro Centro Oeste.

Assim, por dever de consciência, decidi fazer esta postagem, trazendo novamente o assunto para discussão com a sociedade paraense.”

 

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3 Comentários

  1. marcos Roberto Carvalho

    4 de julho de 2018 - 07:05 - 7:05
    Reply

    Agora cedo vi a postagem do Hélder e Jader Barbalho indo à noite em Brasília, defender o estado pra não perder esses recursos
    Porque não foram antes?
    O Adnan está falando nisso tem um ano
    O Jader como senador foi convidado pra audiência pública que teve no Senado. Porque não foi?
    Porque só foram agora depois que o Adnan denunciou praticamente a perda desse dinheiro pro Matogrosso?
    Porque tá pertinho da eleição
    Eles não tem amor pelo Para
    Eles tem amor pela eleição
    E no vídeo falam que esse dinheiro deve ir pra Norte Sul de Açailândia até Barcarena
    Vai atender que produção paraense?
    Esse dinheiro tem que ir pra ferrovia paraense, pelo menos pro primeiro trecho de maraba até Barcarena

  2. Keila Melo

    3 de julho de 2018 - 19:46 - 19:46
    Reply

    Parabéns pela preocupação , o eleitorado paraense deve observar esse fato ..quem realmente trabalha pelo estado ou por si só …

  3. Apinajé

    3 de julho de 2018 - 19:04 - 19:04
    Reply

    Hiroshi Lá em Brasília a briga é para gente grande,esses “politiquecos”paraenses estão lá apenas para cumprir tabela,sentar na cadeira e seguir quem realmente manda.
    Na capital do poder,os estados que mandam usam “arma a laser” em defesa de seus interesses,enquanto o Pará,usa Flexa,nas rodadas de negociações brindam com champanhe,sem falar que, em festa que tem caviar o Pará contribui com salame.
    Falta-nos força política e visão estratégica.

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