Hiroshi Bogéa On line

Valvilson, a viagem apressada

 

Ele foi um irmão.

Durante mais de 40 anos, convivi com o músico, contador de causos, Cidadão do Mundo, andarilho que precisava da presença física dos amigos,  para não perder o vinco da alma.

Se um de seus amigos próximos ficasse dias sem visitá-lo, ou ao menos registrar um telefonema, este fato o chateava.

Natural do Estado de Pernambuco, Valvilson Santos  tinha um pouco  de tudo, respirava o ar rarefeito de Encruzilha, Sapucarana, Boas Novas, Serra Negra, Sítio dos Remédios, Cajazeiras e Areias.

Porque nascido em Bezerros, a região do Planalto da Borborena, a 570 metros acima do nível do mar, construiu na alma humana do “Negão” – como gostávamos de chamá-lo seus amigos – um ser infinitamente de querenças.

Sem maldade.

Sem retoques.

Sem encenações, nosso amigo gostava apenas de encenar a música, a poesia e os causos nordestinos e nortistas que tão bem sabia.

Em Belém, peguei um susto ao tomar conhecimento de sua morte.

Mais doído foi não chegar a tempo para acompanhar seu velório e enterro.

Ele decidiu antecipar a partida, avexou o passo – deixando todos nós sem entender a razão de tanta afobação.

Do Agreste Pernambucano, Valvilson se tornou paraense-marabaense dos mais amados.

E como ninguém, amava nossa gente, constituindo aqui no Pará sua bela família.

Muito distante lá do Vale do Ipojuca, “Negão” achou de iniciar sua última viagem, pertinho da gente.

Sorte nossa tê-lo conhecido.

Eu tenho muitas histórias dele para contar.

Vários posts serão necessários.

Um livro, caberia melhor.

 

Ave, Negão!

 

 

PS-  estou escrevendo com dificuldades  este texto, devido a um problema na vista (parece uma infecção). Mas esta semana, falarei com  muita alegria de meu grande amigo.

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2 Comentários

  1. Valdilene (Tatá)

    6 de outubro de 2015 - 15:58 - 15:58
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    Realmente foi uma viagem apressada, deixando um vazio em nossos corações, papai era apaixonado pela vida, viveu até o ultimo instante, mais cumpriu sua missão de criar sua familia, deixando muitos ensinamentos que iremos guardar por toda vida. Perdir um PAI, AMIGO E COMPANHEIRO DE TODAS AS HORAS.

    • Hiroshi Bogéa

      6 de outubro de 2015 - 21:48 - 21:48
      Reply

      Querida Tatá. Conheci bem de perto o Valvilson, convido intensamente ao lado dele boa parte de nossas vidas. A Família, pra ele, foi um tema sagrado. Felizes os filhos que têm pais como ele. Voc~es tiveram, e são orgulhosos disso. Estou preparando posts sobre passagens da vida de meu grande amigo. Aguarde. Abraços nos seus manos e na Marilene, companheira eterna do saudoso amigo. Bjs

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