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Surgem novas espécies de orquídeas no Pará

O gênero Epidendrum foi criado por Lineu em 1753. O gênero é provavelmente o de maior número de espécies da Família orchidaceae no Novo Mundo, chegando a várias centenas. Apesar dos vários estudos sistemáticos na região, ainda surgem novas espécies de orchidaceae como as espécies agora descritas. O Epidendrum mojuensis é da região do rio Moju e o Epidendrum pseudociliare é da região de Salinópolis, ambas no Estado do Pará.

 Epidendrum mojuensis, Atzingen sp. nov.

 Typus: Brasil, Estado do Pará, município do Moju (Depositado no herbário do Museu Municipal de Marabá), sob números 1615 e 1653.                                                                                             

Coletor: Noé von Atzingen. N° de coleta: 1413 NCVA, 1999. Floresceu em cultivo, em Fevereiro de 2004 e junho de 2005.

Etimologia: O nome é dado devido à sua localização geográfica, no município de Moju, Estado do Pará, Brasil.

Habitat: Planta epífita, pendente, encontrada em local bastante sombrio, em floresta ombrófila densa aluvial (igapó).

 Discussão:

A espécie foi comparada com outras espécies próximas: Epidendrum nocturnum, E. spruceanum, E. micronocturnum e E. carpophorum.

Epidendrum nocturnum Jacq: esta espécie tem a flor com o dobro e até o triplo do tamanho do E. mojuensis.  As folhas de E. nocturnum são rígidas e largas, com o triplo do tamanho do E. mojuensis.

          Epidendrum spruceanum Lindl: Nesta espécie, o lobo mediano do labelo tem 5 cm de comprimento e os lobos laterais são alongados. No E. mojuensis o lobo mediano tem apenas 1 cm, é fino e pontiagudo, enquanto que os lobos laterais são espatulados.

          Epidendrum micronocturnum Carneval & Romero e Epidendrum campophorum Barb. Rodr. São também espécies afins do Epidendrum mojuensis.

 Epidendrum pseudociliare, Atzingen sp. nov.

 Typus: Brasil, Estado do Pará, município de Salinópolis. Depositado no herbário do Museu Municipal de Marabá, sob n.º 1810 e 1257.

 Coletor: André Cardoso e Noé von Atzingen, n.º 108, 1992. Floresce em cultivo nos meses de outubro a novembro.

 Etimologia: O nome Epidendrum pseudociliare se deve à espécie ter semelhança com Epidendrum ciliare.

Habitat: Planta  epífita – encontrada em local bastante ensolarado, em área de campina aberta, vegetando em troncos de arbustos, próximo ao solo.

 Descrição: planta epífita de hábito ereto, com raízes glabras, brancas, pseudobulbos verdes, alongado com cerca de 6 cm de comprimento e 2,5cm de largura, encimado por apenas uma folha coriácea, verde, com 18 cm de comprimento por 4 cm de largura. Do ápice do pseudobulbo quando em formação, parte a haste floral.

 Haste floral: Verde, medindo entre 10 e 15 cm de comprimento, ao final da qual se abrem de 2 a 6 flores.

 Flor: Sépala creme esverdeada com 3,5cm de comprimento por 0,5cm de largura. Pétalas verdes com 3,2cm de comprimento por 0,3cm de largura. Coluna branca com 1,5cm de comprimento. Apresenta 4 políneas.

 Labelo: Com 2,3cm de comprimento por 2 cm de largura, apresentando 2 lobos laterais brancos franjados e o lobo central também branco, setiforme, com 2 cm de comprimento. 

 Discussão:

A espécie em questão difere de Epidendrum ciliare nos seguintes aspectos: a flor em E. ciliare tem os lobos laterais amplamente franjados, na nova espécie a franja é bastante discreta, além de apresentar, no ápice dos lobos laterais, um longo filamento em forma de gancho. O lobo central do labelo em E. ciliare é longo e afilado. Na nova espécie, o lobo central tem cerca de metade do comprimento do que tem E. ciliare e seu ápice tem forma de seta, o que não ocorre em E. ciliare.

* Artigo escrito por  Noé von Atzingen, Presidente da Fundação Casa da Cultura de Marabá

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1 Comentário

  1. Fabiano Cesarino

    30 de agosto de 2011 - 11:49 - 11:49
    Reply

    Sou pesquisador no Amapá e fiquei interessado no caso do E. pseudociliare.
    Não seria um híbrido ?

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