Hiroshi Bogéa On line

Sem ônibus, população de Marabá aposta na nova licitação que a prefeitura realizará para contratar novas empresas

Essa questão cada dia mais agravada da população de Marabá sofrer, no dia a dia, sem um serviço decente de transporte público, ainda levará tempo para ser sanada.

A segunda-feira amanheceu sem que os trabalhadores tivessem ônibus urbanos para se deslocarem.

Mais uma greve decretada pelos funcionários contra as duas empresas que atendem a cidade.

Dias atrás, o prefeito Tião Miranda, sentando com os prepostos das duas empresas  concessionárias do serviço público,  disse que iria abrir nova licitação para contratação de novas empresas de ônibus.

A fala do prefeito não ficou só em ameaça.

Ele determinou abertura do processo administrativo, que está em fase de conclusão.

Posteriormente a essa etapa administrativa, o prefeito determinará a ativação do processo licitatório, propriamente, visando colocar novas concessionárias de serviço de transporte público no município.

Contado prazos de todo o processo, é provável que até o mês de novembro o edital seja publicado.

A comunidade, claro, ganharia novas frotas de ônibus já na entrada de 2020.

Mas é bom que se diga.

Não é só em Marabá, essa perlenga.

O transporte público no país, modo geral, tem como característica a concentração de empresas e  sua ineficiência.

O setor perdeu 30% da demanda no Brasil nos últimos 15 anos em razão de novas alternativas de transportes ofertadas, como mototáxi e , mais recentemente, o setor por aplicativos tipo UBER.

A qualidade dos serviços é péssima, com empresas de porte médio cada vez mergulhadas em prejuízos.

Dificilmente as prefeituras de cidades médias e pequenas conseguem atrair o interesse de novas empresas em licitações abertas.

Um dos mais graves problemas, é a concentração, que existe no mundo todo.

Uma nova empresa, para participar de um certame licitatório em cidade na qual nunca colocou um ônibus, tem que fazer investimentos em garagem e frota.

Ou seja,  mudando de um lugar para outro, só vai na fé se o serviço tiver uma rentabilidade muito alta.

E hoje o  transporte coletivo, em cidades médias e, muito menos pequena,  não é mais um serviço atrativo, e nessas cidades as empresas de médio e pequeno porte só se mantém ativas por contar com a racionalização dos consórcios.

.Mas é uma questão de tempo que elas acabem.

Ou seja, a concentração de grandes grupos de empresas de ônibus tende a ficar ainda maior.

O  transporte público necessita de grande investimento.

Como as empresas consolidadas já operam há muito tempo, tem melhores condições técnicas de vencer os certames.

Por causa dos investimentos é muito difícil aparecer numa licitação uma empresa de fora.

As empresas não tem o mesmo lucro de antigamente.

Faturava-se mais porque o transporte funcionava com mais eficiência.

Todo o custo cai na tarifa, a tarifa é cara e consequentemente espanta o usuário.

Por isso, uma cidade como Marabá, lutando há ano para atrair novas empresas, não consegue, está sempre atendida pelas mesmas transportadoras de muitos anos passados.

Quando você fala em mobilidade, as pessoas pensam sempre em trânsito, ou transporte público lotado, no tempo que se gasta dentro do transporte público com o trânsito, no movimento moradia-trabalho, no início do dia , e final da tarde, dificuldades encontradas nas grandes e médias cidades.

Em Marabá, cada dia mais essa demanda cresce, aumentando também o desconforto e a insatisfação dos usuários de ônibus urbanos.

Em relação aos imensos problemas das grandes cidades, os problemas de mobilidade encontrados em Marabá, não são menores, mas apenas diferentes.

Aqui o cidadão tem outros tipos de problema, que é a falta de acesso ao transporte público, o tempo de demora para o transporte público chegar, a qualidade desse transporte público, porque as frotas antiquadas das grandes cidades são vendidas para cidades médias.

E não há alternativas, como as encontradas em uma capital: metrôs, trens e veículos leves sobre trilhos (VLT).

Vamos torcer para que a prefeitura consiga sensibilizar outras empresas, atraindo-as para a disputa do certame licitatória.

Para que não haja desinteresse de participantes, é necessário que o poder público mantenha alguns contatos preliminares, mostrando  a amplitude da malha urbana de Marabá para que os donos de transportes públicos  venham apostar na disputa.

 

Post de 

0 Comentários

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *