Hiroshi Bogéa On line

Pela primeira vez mulher disputará presidência estadual do PT, no Pará

No próximo domingo, 8, o Partido dos Trabalhadores no Brasil inteiro dará início  ao seu processo de eleição direta (PED) para escolher sua nova direção partidária.

O processo é dividido em duas etapas: primeiro haverá eleição para escolha de presidentes municipais e votação nas chapas estaduais e nacionais.

O segundo momento compreende o congresso Estadual e nacional para escolhas de presidentes estaduais e nacionais e suas respectivas direções.

Para melhor compreensão: no próximo domingo será votada a chapa do futuro presidente municipal, e  eleição das chapas para escolhas dos delegados que em congresso, vão eleger as presidências do partido a nível estadual e nacional.

No Pará, três nomes disputam a direção estadual: Beto Faro, Karol Cavalcante e Zé Geraldo.

O blog entrevistou a candidata Karol Cavalcante, primeira mulher a disputar a presidência estadual do PT.

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O PT no interior do Pará nunca teve um desempenho eleitoral à altura do partido, a nível nacional. Por que?

 No Pará historicamente a politica partidária sempre esteve sobre o comado das oligarquias e caciques regionais que mantém esse hegemonismo atrelado ao governo de plantão, mas mesmo assim o PT é uma força política no cenário político paraense legitimado por sua história de lutas e conquistas. Já governamos o Estado, por duas vezes estivemos no governo da capital, governamos ao longo de nossa existência 36 prefeituras, entre elas cidades pólos regionais como Santarém, Bragança, Cametá, Parauapebas e destaco nosso desempenho nas eleições majoritárias de 2018 com uma votação expressiva de 17,5 %s dos votos para o governo do estado e 800 mil votos para o nosso candidato ao senado.

 

O que sua candidatura pode fazer para tornar a legenda mais musculosa eleitoralmente nos municípios paraenses?

Como presidenta do PT buscaremos organizar o partido mais efetivamente junto a sua base militante criando condições necessárias e políticas para o seu fortalecimento nos municípios com a retomada do apoio e diálogo com os movimentos sociais. Defendo que a direção executiva faça reuniões itinerantes nas regiões do estado dado que hoje a direção executiva está muito centralizada na capital. Quero um PT mais próximo dos municípios. Para as eleições de 2020 o PT deverá em sua estratégia eleitoral criar condições nos municípios de construir Frentes Democráticas com partidos de esquerda e progressistas para ganhar as prefeituras e derrotar os partidos que elegeram Jair Bolsonaro.

 

Existe uma disputa interna pelo afastamento do partido da influência de outras lideranças partidárias, como o MDB. A sua candidatura defende esse desligamento automático, inclusive, com a entrega de cargos do governo do Estado a algumas lideranças do PT?

Há um debate que estamos travando no PT neste momento de realização das eleições internas que é definir os rumos e o papel do partido na política paraense. Minha corrente política no PT tem defendido não aliança com partidos que conspiraram o golpe do impeachment da presidenta Dilma Rousseff e elegeram Jair Bolsonaro que tem imposto uma política de extermínio de direitos dos trabalhadores como é a famigerada reforma da previdência, de desmonte do Estado brasileiro, a implantação da agenda neo liberal, a entrega das riquezas da nossa  biodiversidade e promovido o desastre ambiental da Amazônia. O MDB é parte dessa crise. Votei contra a participação do PT no governo do estado, mas a maioria partidária aceitou participar. Pretendo ser uma presidenta que respeita as decisões internas. O que tenho questionado é que ainda não ficou claro para o conjunto do partido qual o papel do PT nesse governo. Pelo que sei o partido sequer discutiu que espaço iria ocupar e quem seria o secretário. Por isso defendo que o diretório discuta que participação é essa no governo de Hélder Barbalho e se de fato deseja permanecer. Mas essa não é um decisão exclusiva da presidência, cabe ao conjunto do partido definir e pelo que percebo existe uma insatisfação grande da militância do PT e de algumas lideranças públicas em relação a permanência do PT no governo.

 

O definhamento do PT, no Pará, se deve a qual motivação?

O PT no Pará, assim como nacionalmente, nasceu das lutas dos movimentos sociais e para isso precisa voltar a dialogar com esses movimentos e com a sociedade. Não concordo que o PT definhou no Pará, tivemos derrotas eleitorais em 2016 fruto da implacável perseguição da direita e da ultra direita neo fascista com o conluio da grande imprensa e de setores do judiciário que condenou sem prova e prendeu o presidente Lula. Em 2018 fomos vítimas de uma fraude eleitoral. As mensagens do The Intercept Brasil revelam o que já vínhamos alertando, Lula foi preso pra não disputar as eleições. Pesquisas indicam que o PT é o partido com maior aceitação popular. Nosso candidato a presidente Fernando Haddad ganhou as eleições de 2018 no Pará e isso é um indicador que o PT têm força e boas perspectiva de espaço político no estado.

 

Em Marabá sempre houve disputas entre diversas correntes contra o PTV Pra Valer. Na eleição deste ano para novos dirigentes do partido em todo o país, a eleição em Marabá não terá uma disputa de chapas. A que se deve a escolha unanime do nome do Ademir Martins para dirigir o partido no municópio? Qual a sua avaliação hoje das suas possibilidades de ganhar a direção estadual do PT no Estado?

Entrei na disputa para me eleger presidenta do PT sabendo que tinha pela frente duas candidaturas de peso político que é a candidatura do deputado federal Beto Faro e a do ex-deputado Zé Geraldo que tem apoio politico de importantes figuras públicas do PT como o senador Paulo Rocha. Firmamos uma estratégia de dialogar com a base militante do partido, massificamos nas redes sociais nossas propostas de transformação e renovação partidária. Estou confiante no resultado positivo e mais do que isso, nossa candidatura já é vitoriosa por que em 40 anos de existência do PT sou a primeira mulher a se candidatar a presidência do PT do Pará.

Em relação a Marabá creio que houve um gesto importante de quem tem a maioria  interna no partido. O nome do Ademir Martins representa as melhores condições para presidir o PT nesse momento e a unidade de todas as correntes em torno do nome dele representa a unidade do partido em torno de uma estratégia política que garanta o protagonismo eleitoral do PT em Marabá nas eleições de 2020. Ademir é um companheiro histórico que tem vasta experiência na direção partidária e na gestão pública. Tenho certeza que ele será um excelente presidente municipal.

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