Hiroshi Bogéa On line

Movimentos sociais exigem participação no processo eleitoral da Unifesspa

O blogueiro recebeu e publica, abaixo, Carta Manifesto   assinado por movimentos sociais, culturais, sindicatos e organizações políticas do Sul e Sudeste do Pará exigindo participação no processo eleitoral e compromissos dos candidatos à Reitoria da academia.

Na íntegra:

 

CARTA MANIFESTO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS E CULTURAIS, SINDICATOS E ORGANIZAÇÕES POLÍTICAS DO SUL E SUDESTE PARAENSE DIANTE DO PROCESSO ELEITORAL NA UNIFESSPA

A Unifesspa não surgiu há 6 anos. Nossa Unifesspa foi construída desde os anos de 1980. A necessidade de formação de professores da rede básica na região e a luta dos camponeses para terem terra para plantar e viver deu relevância ao então Campus de Marabá da UFPA. O Massacre de Eldorado dos Carajás (1996) é marco na sua história e o PRONERA fez a nossa universidade se “pintar de povo”. Alguns de seus decanos formaram-se na primeira turma de licenciatura, suas salas de aula jamais se reduziram a quatro paredes e um quadro negro, seus alunos construíram a educação de nossas escolas públicas. Dentre outras instituições, a Unifesspa se tornou elo entre dinâmica e história do Sudeste paraense com o resto da Amazônia, do Brasil e do Mundo.

 

Não fomos convidados a entrar na Unifesspa. Nós, enquanto coletivos políticos e culturais, movimentos sociais e populares levantamos os alicerces pedagógico da nossa universidade. A epistemologia da fronteira, que enfrenta despejos, desalojamentos, crimes ambientais, questões de gênero e raciais e que está nas ocupações, germinando sementes e consciências. Essa epistemologia, que só existe na construção do conhecimento valorizando a diversidade de quem está na batalha defendendo a vida da floresta e dos seres humanos. Daqui, experiências de ensino para escolas do campo se tornaram referências em todo o país, foram as formas piloto de políticas públicas. Criamos espaços físicos simbólicos para dançarmos nossas danças, cantarmos nossas canções, debatermos nossa cultura cabocla, cabana, indígena e quilombola. Não pedimos licença para ninguém, porque estes espaços são nossos, assim como nossa é a Unifesspa.

 

Vos dizemos isso, senhores candidatos a reitor, para que saibam que defenderemos sempre nossa Unifesspa de seus algozes que tentam, lá de Brasília, desconstruir anos de formulações pedagógicas substantivas, em conjunto com uma diversidade epistemológica que não perde para nenhuma experiência secular das universidades europeias, que também busca emancipar o povo de nossa região.

 

Esta carta compromisso não é para vocês assinarem. É um compromisso nosso pela continuidade da construção necessária de nossa Unifesspa. Sabemos que esta eleição é atípica, recheada de ingerência do Ministério da Educação. Por isso nos comprometemos, nesta conjuntura, a mobilizar nossos coletivos pela participação massiva no processo eleitoral, como forma de dar legitimidade a ele. Mas também alertamos vocês que ou se constrói as ações de ensino, extensão, pesquisa e assistência estudantil com o conjunto da sociedade ou a Unifesspa não se integrará de fato com o Sudeste paraense. Que os burocratas compreendam seu papel intermediário nesta construção.

 

Apresentamos abaixo as pautas gerais que nortearão nosso diálogo com a administração superior nos próximos anos. Esperamos que a reitoria esteja aberta para esta construção conjunta.

 

  1. Defesa da democracia e da autonomia institucional. As decisões devem contar com a participação da comunidade acadêmica;
  2. Fortalecimento das ações de extensão com os camponeses, escolas públicas do campo e da cidade, objetivando o desenvolvimento técnico e socioeconômico dos territórios dos trabalhadores;
  3. Rearticulação das ações de ensino da Universidade para além do lançamento de editais. Que se estabeleçam fóruns de discussão que de fato aproximem os cursos de graduação da Unifesspa à realidade regional;
  4. Estabelecimento de mecanismos de promoção da pesquisa de excelência sem, entretanto, reduzi-la a batalhas de ego dentro própria comunidade universitária. A pesquisa, aliada ao ensino e extensão, deve ser referência para o povo;
  5. A pós graduação não pode ser entendida como um processo superior de todas as outras atividades da universidade. Deve se inserir também no contexto social do Sul e Sudeste paraense;
  6. Assistência e integração estudantil equipara-se ao tripé ensino, extensão e pesquisa, e deve possibilitar discussões e políticas internas que ampliem o debate junto aos estudantes. A assistência estudantil, principalmente, não é uma ação meramente burocrática;
  7. Defesa das carreiras de servidores técnicos e docentes, incentivando e promovendo oportunidades para a qualificação do quadro de pessoal;
  8. A administração superior deve perceber que os objetivos da Unifesspa não se encerram em suas próprias salas. Por vezes existe a impressão que órgãos suplementares são mais importantes que Unidades Acadêmicas.

 

Que a Unifesspa se pinte plenamente da diversidade amazônica!

 

Sul e Sudeste do Pará, 11 de maio de 2020.

 

MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA – MST

MOVIMENTO PELA SOBERANIA POPULAR NA MINERAÇÃO – MAM

LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE

MOVIMENTO DOS PEQUENOS AGRICULTORES – MPA

DEPUTADO FEDERAL AIRTON FALEIRO

MOVIMENTO INTERESTADUAL DAS QUEBRADEIRAS DE COCO BABAÇU – MIQCB

COLETIVO CONCIENCIA NEGRA EM MOVIMENTO – CCNM

SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS DE RONDON DO PARÁ

ASSOCIAÇÃO DE MULHERES ARCO ÍRIS DA JUSTIÇA

COLETIVA DE TEATRO MADALENAS TUÍRA

SINDICATO DOS DOCENTES DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ – SINDUNIFESSPA

FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA FAMILIAR DO ESTADO DO PARÁ – FETRAF

SINDICATO DAS TRABALHADORAS E DOS TRABALHADORES DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DO PARÁ – SINTEPP

VEREADOR GILSON DIAS CARDOSO (PC DO B)

VEREADOR ILKER MORAIS (PHS)

VEREADOR MARCELO ALVES (PT)

DEPUTADO ESTADUAL DIRCEU TEM CATEN

CIA DE DANÇA YAGUARA

SINDICATO DOS TRABALHADORES DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR NO ESTADO DO PARÁ – SINDTIFES

MOVIMENTO LGBTI MARABÁ

BRIGADAS POPULARES

CENTRO DE EDUCAÇÃO, PESQUISA E ASSESSORIA SINDICAL E POPULAR – CEPASP

ASSOCIAÇÃO DOS ESCRITORES DO SUL E SUDESTE PARAENSE – AESSP

GRUPO ITATOTINS CULTURAL;

SINDICATO URBANITARIOS SEDE SUL E SUDESTE DO PARÁ

COLETIVO TRADIÇÃO POPULAR MAYRABA

GRUPO DE AÇÃO CULTURAL DO SÃO FELIX – GAC

MOVIMENTO DOS ATINGIDOS POR BARRAGENS – MAB

DEPUTADO ESTADUAL CARLOS BORDALO (PT)

COMISSÃO PASTORAL DA TERRA – CPT

MOVIMENTO NACIONAL DE JUVENTUDE JUNTOS!

EDITORA iGuana

FÓRUM REGIONAL DE EDUCAÇÃO DO CAMPO DO SUL E SUDESTE DO PARÁ FREC;

FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES RURAIS AGRICULTORES E AGRICULTORAS FAMILIARES DO ESTADO DO PARÁ – FETAGRI-PA;

 

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