Hiroshi Bogéa On line

As conquistas históricas do Flamengo na visão de um marabaense

Ex-gerente de Contas do Banco do Brasil em Icoaraci (PA) e Gerente de Agência nos municípios de Baião e Bom Jesus do Tocantins;  Graduado em Administração pela Unama,em Belém,  MBA em Gestão Empreendedora pela Escola de Administração em parceria com a UNIBB, chegando a cursar, sem concluir,  Economia e Engenharia Civil – e atualmente gerente da agência do Sicredi, no Núcleo Cidade Nova, cargo que exerce há dois anos-,  o marabaense Océlio Iaghy Salame (foto) ,  filho de uma das famílias mais tradicionais da cidade, escreveu sobre as conquistas do Flamengo, seu time de coração. 

Recheada de detalhes da emoção que sentiu ao longo dos Campeonatos Brasileiro e Libertadores, Océlio revela o seu lado apaixonado pelo clube de maior torcida do mundo.

 

A seguir, a íntegra do artigo.

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Um dia histórico para a nação rubro-negra

 (*) Océlio Iaghy Salame

O dia amanheceu chuvoso, meio tenebroso, parecia  que algo de ruim iri

a acontecer. Nos noticiários da semana só se falava na grande final da Libertadores entre Flamengo e River Plate, com jogo único em Lima, Peru, a partir das 17 horas.

Depois do almoço, as pessoas começaram a se mobilizar, colocando uma TV na frente do prédio e tomando algumas cervejas.

Em todo o Brasil, bares com telões cheios de flamenguistas otimistas animados para o jogo.

Em Belém, o Estádio Mangueirão com mais de dez mil torcedores empolgados para assistir ao jogo em telões.

No Rio de Janeiro, conseguiram reunir mais de quarenta mil pessoas no Maracanã, para assistirem ao jogo em dez telões.

Parecia aqueles dias de jogo do Brasil em Copa do Mundo, com muita empolgação e otimismo.

Nas mídias esportivas só se falava na conquista de 1981, sobre o Cobreloa do Chile, na Libertadores, e sobre o gigante Liverpool da Inglaterra, que levou um chocolate de três a zero.

Durante o dia se falava no inesperado falecimento do apresentador Gugu Liberato e no infarto sofrido pelo narrador Galvão Bueno, que deu lugar a Luiz Roberto de Mucio, que narrou a final na Rede Globo.

Às 17hs deu-se início ao jogo, com o time Argentino marcando forte, o que impedia as ações ofensivas do Flamengo, e forçava muitos passes errados dos jogadores brasileiros, coisa meio que inacreditável.

Para completar a tragédia, aumentar o nervosismo e a preocupação, o River marcou o primeiro gol aos 14 minutos, em uma falha geral da defesa do Flamengo.

Tudo levava a crer que não era nosso dia de vencer, tudo estava dando errado.

E agora?

O time continuava errando passes e não conseguia fazer o jogo vistoso e técnico que estávamos acostumados a ver, e para completar, o adversário marcava bem e com uma técnica e raça invejáveis, continuando com o domínio das ações, com o grande risco de ampliar o placar.

Veio o intervalo, e apesar dos esforços do técnico português Jorge Jesus em mudar o cenário, o time continuava errando, mas com uma nova motivação, com os jogadores se movimentando melhor em campo.

No entanto, o rival continuava impecável nos desarmes e com uma perfeição milimétrica nos passes, fruto de um esquema tático bem armado pelo seu treinador.

Até arrisco dizer que o argentino deu um nó tático no nosso português.

O grande trunfo do Flamengo consistia em manter a calma, diante das dificuldades e da catimba dos argentinos, que insistiam em fazer cera e provocar os brasileiros, com a conivência do árbitro que ficava só na conversa.

Em um dado momento, com a contusão de Gérson, entrou no seu lugar o jogador Diego Ribas, que com a camisa 10 que pertenceu a nada menos que Zico, o maior jogador da história do Flamengo, deu uma nova dinâmica ao time, melhorando sua motivação e passando a dar os botes corretamente com desarmes e passes mais longos, com conduções de bola para quebrar a primeira linha de marcação dos adversários, o que passou a preocupar o outro técnico, que substituiu os jogadores mais perigosos do time, que pareciam ter cansado, tal era a aplicação do seu time em não deixar o Flamengo jogar.

Com essas mudanças, começaram a aparecer os espaços, e o Flamengo, pacientemente, melhorou seu jogo, mas a torcida já se preparava para o pior, e, aos 42 minutos do segundo tempo, em um contra ataque, Bruno Henrique recebeu a bola entre três defensores e a enfiou  para Arrascaeta, que de perna esquerda deu um passe rasteiro para Gabigol fazer o gol de empate.

Tudo levava a crer que teríamos prorrogação.

Neste momento, nem o mais fanático torcedor acreditava na vitória.

Mas o River meio que teve um apagão com o gol, e nos descontos, em uma bola lançada por Diego do campo do Flamengo, Gabigol brigou com a defesa, e num chute inapelável de canhota, estufou as redes dos argentinos.

Foi uma comoção geral, gritos explodiram em todos os cantos do Brasil.

Era a vitória do povão flamenguista que apoiou o time durante 90 minutos, e da persistência (juntos até o fim), apesar de não ter sido o melhor futebol.

Acredito que com a ajuda dos Deuses do Futebol, a vitória veio.

Vibra nação, que a América é rubro negra.

Obrigado Mengão, por trazer alegria aos 42 milhões de fanáticos e fiéis torcedores, um povo que mesmo sofrido, não abandona essa inexplicável paixão.

Enfim, após exatos 38 anos, o complexo do cheirinho será esquecido. Aos secadores, continuem torcendo, que um dia seu time também será campeão. 

 

(*) Océlio Iaghy Salame 

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