“As imagens mostram o desenvolvimento urbano da cidade de Marabá. Vale ressaltar que esse crescimento aconteceu de forma acelerada e, em muitos momentos, a infraestrutura não acompanhou esse avanço. Agora é o momento de fazer com que a infraestrutura avance junto com a cidade, com mais obras de drenagem, mais pavimentação e melhorias que garantam mobilidade, segurança e qualidade de vida para a população. Marabá continua crescendo, e o desafio agora é fortalecer a infraestrutura para acompanhar esse desenvolvimento”. (Dario Veloso, secretário Adjunto de Obras de Marabá, em post publicado em suas redes sociais)

 

Hiroshi Bogéa –   Neste domingo, 15, o blogueiro aqui printou imagens e o texto do secretário de Obras Adjunto de Marabá, Dario Veloso, publicados em seus perfis digitais. As observações do post de Veloso são procedentes e nos levam a refletir sobre a urgência no planejamento correto de um Plano Diretor avançado, capaz de enfrentar as deficiências reveladas nas imagens georreferenciadas.

Não entenderei, nunca, o desenvolvimento pleno do município de Marabá sem a resolução das demandas citadas pelo representante da prefeitura.

Porque para realizar uma prospecção eficiente das deficiências urbanas do município, é preciso considerar que a cidade possui uma dinâmica muito específica, dividida entre núcleos distintos (Velha Marabá, Nova Marabá, Cidade Nova, São Félix e Morada Nova), cada um com gargalos infraestruturais e sociais próprios.

 

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Marabá sempre foi uma cidade de vanguarda, um nó estratégico no mapa do Brasil onde convergem trilhos, rios e estradas. No entanto, o vigor econômico que projeta o município nacionalmente esbarra, com frequência incômoda, em uma realidade urbana que parece ter ficado para trás.

O crescimento acelerado das últimas décadas, embora tenha gerado riqueza, deixou um rastro de lacunas estruturais que hoje cobram seu preço em mobilidade, saúde e dignidade.

​Conforme demonstra Veloso em sua postagem,  o diagnóstico é conhecido: Marabá cresceu aos saltos. A configuração em núcleos, que confere à cidade sua identidade única, também impõe um desafio logístico hercúleo. O que se viu, historicamente, foi uma infraestrutura “reativa” — o asfalto que chega muito depois da casa, a drenagem que só é lembrada após a inundação e a mobilidade que sufoca em pontes e vias já saturadas.

 

 

​Nas entrelinhas da publicação do secretário Adjunto, dá para entender que não se trata mais apenas de expandir, mas de consolidar.

​O momento atual não aceita mais improviso. Se Marabá deseja continuar atraindo investimentos e retendo seus talentos, a infraestrutura precisa deixar de ser um “remendo” para se tornar o alicerce do desenvolvimento. Isso exige um choque de gestão em três frentes inadiáveis, como demonstra a postagem.

 

Drenagem e saneamento

É imperativo que o poder público trate a drenagem como prioridade de saúde pública. Sem o escoamento correto das águas, todo investimento em pavimentação é, literalmente, jogado fora a cada período chuvoso.

 

 

Pavimentação estruturante

Asfalto não pode ser apenas uma camada estética. A cidade exige pavimentação de qualidade, capaz de suportar o fluxo de uma metrópole regional, integrando os núcleos e eliminando os bolsões de isolamento nos bairros periféricos.

Mobilidade e segurança

A fluidez entre os núcleos São Félix, Cidade Nova e Nova Marabá precisa ser repensada para além das soluções paliativas. Mobilidade é sinônimo de tempo de vida e segurança para o cidadão.

​O desafio que se apresenta para a atual gestão pública, e sucessivas outras, não é pequeno, mas a pujança de Marabá é maior. A cidade que domina o ferro e o aço não pode ser vencida pela lama ou pelo trânsito.

É hora de fazer com que a infraestrutura avance no mesmo ritmo da economia. Fortalecer a base urbana agora é a única garantia de que o futuro de Marabá será tão próspero quanto o seu potencial sugere.

​A conta do atraso é alta, mas a recompensa de uma cidade planejada é o que chamamos, em última análise, de qualidade de vida. (Fotos: Print / Instagram e Facebook)