Belém– A classe artística e os trabalhadores da cultura do Pará articulam um levante histórico para os próximos dias. Diante das recentes denúncias de corrupção que apontam o desvio de recursos públicos destinados ao setor, o movimento convoca artistas, agentes culturais, servidores públicos e a sociedade civil para ocupar as ruas em um protesto que une indignação e propostas de reforma.

​O movimento surge como resposta direta ao que os organizadores chamam de “saque aos recursos da cultura”. Sob o lema de que a cultura pertence ao povo, o grupo contesta a narrativa governamental de escassez orçamentária.

​”A resposta do governo sempre foi que ‘não tem dinheiro’. Agora, a verdade aparece: não falta verba, falta compromisso com quem faz a cultura acontecer na ponta. Falta dinheiro para nós, enquanto o recurso é drenado por esquemas espúrios”, afirma um dos manifestantes envolvidos na organização.

Pautas e reivindicações
​O ato não se limita ao protesto contra o desvio de verbas, mas apresenta exigências concretas para a reestruturação da gestão cultural no estado. Entre as principais bandeiras levantadas,  o movimento exige o afastamento do gestor Ygor Kahwage como resposta política aos escândalos de corrupção, bem como a criação do Sistema Estadual de Cultura..

“A implementação de um sistema sólido é vista como a única forma de garantir transparência, fiscalização e continuidade das políticas públicas, independentemente da gestão de turno”, diz documento de convocação enviado à divulgação.

O movimento destaca a urgência de investimento em setores que definem a identidade paraense, como o carimbó, a guitarrada, as aparelhagens, as quadrilhas juninas e os cordões de pássaros.

Identidade e luta
​A convocação apela para o “sangue cabano” da população, resgatando o histórico de resistência do Pará. Para os organizadores, a defesa da cultura é, acima de tudo, a defesa da economia criativa que sustenta milhares de famílias e mantém viva a alma do estado.

​O chamamento é amplo e reforça que a luta não é apenas de quem trabalha no setor, mas de toda a sociedade que usufrui e se identifica com as produções locais. “O Pará não vai assistir calado”, garante o manifesto do movimento.

Serviço

A organização solicita que os apoiadores confirmem participação e acompanhem as redes sociais dos coletivos culturais para a divulgação da data, horário e local da concentração.