Hiroshi Bogéa  –   Numa matéria que fizemos nesta segunda-feira, 15, abordando informações postadas em suas redes sociais pelo secretário Adjunto de Obras de Marabá, Dario Veloso, sobre a necessidade urgente do município se ajustar a prioridades urbanísticas obedecendo um selo fiel e rígido de Planejamento, deixamos de abordar no texto alguns comentários que se fazem necessário.

O tema é um desafio comum em cidades de médio porte que cresceram de forma acelerada e orgânica, muitas vezes ignorando as diretrizes do Plano Diretor, quando este existe. A transição de uma “vila grande” para uma cidade complexa exige uma mudança de paradigma: sair do urbanismo de “tapa-buraco” para o urbanismo de estratégia.

Em municípios de médio porte, caso de Marabá, a desorganização urbana não é apenas um problema estético; é um dreno nos cofres públicos. Quando uma cidade cresce sem planejamento, a prefeitura passa a gastar mais para “corrigir” do que para “construir”.

Cidades desorganizadas costumam sofrer com o espraiamento urbano (crescimento periférico desordenado). Isso obriga a gestão a estender redes de iluminação, esgoto e transporte por quilômetros de áreas subutilizadas, encarecendo o custo por habitante.

Pelo que o blogueiro pode observar nas imagens georreferenciadas publicadas pelo secretário Adjunto, as fotos sinalizam que a equipe da secretaria de Obras conseguiu identificar parâmetros de deficiências.

Uma dessas deficiências, os vazios urbanos -, áreas  centrais com infraestrutura que poderiam ser adensadas. Claro, além da mobilidade integrada com transição do foco no automóvel para sistemas multimodais, reduzindo gargalos de trânsito que travam o comércio local, principalmente na Marabá Pioneira.

 

Igarapés e canais que cortam a sede do município de Marabá são identificadas como prioritárias obras de saneamento.

 

Gestão Urbana e Arrecadação Inteligente

​Este blogueiro tem se dedicado, nos últimos meses, a aprofundar conhecimentos em urbanização, preocupado na abordagem jornalística dos problemas que afligem cidades como Belém, Região Metropolitana e Marabá.

E um dos focos que os especialistas têm se debruçado é no aperfeiçoamento de uma base cadastral. Está comprovado que quase todas as prefeituras municipais se perdem no seu planejamento urbano devido bases cadastrais desatualizadas.

Os especialistas em gestão urbana vêm utilizando cada vez mais ferramentas como o geoprocessamento. Através deste recurso tecnológico, torna-se possível regularizar  áreas informais, transformando “posses” em propriedades legais que contribuem com o IPTU.

​Adotam também a aplicação de instrumentos do Estatuto da Cidade, como o IPTU Progressivo ou a Outorga Onerosa, garantindo que a valorização imobiliária gerada por obras públicas retorne aos cofres municipais.

​Para uma cidade de médio porte como Marabá, investir em um especialista em planejamento estratégico não é um luxo, mas uma medida de eficiência fiscal. É a diferença entre uma cidade que apenas “sobrevive” ao seu crescimento e uma cidade que “projeta” o seu futuro, tornando-se atraente para investimentos e digna para seus moradores.

É isso aí. (Fotos: Reprodução)